Não odeie provar roupa

Estou lendo um livro que vocês já devem ter ouvido falar: O poder do Hábito mostra como a rotina favorece a mudança e a aquisição dos nossos hábitos, resumidamente (aqui tem um post completo sobre o assunto). Eu achava que estava apenas com preguiça de ir a lojas ver novidades, acompanhar coleções e virar rata de bazares, mas não se trata de ranço por ver tudo igual apenas, nem somente por querer evitar o desgaste de deslocamentos e filas de lojas. Eu mudei meus hábitos regulares! Trabalho de casa há alguns anos, saio pontualmente para alguns atendimentos e viagens, e, transitar em shoppings e na rua, virou evento raro.

Claro que o lado ruim é ficar bem por fora de algumas coisas, mas, no geral, não sinto necessidade de ir a rua o tempo todo (sou muito caseira, apesar de agitada) e como não tenho mais minhas fugas da hora do almoço, eu não desconto também algumas frustrações que eram muito comuns quando eu trabalhava fora, em compras o tempo todo.

Também me tornei uma pessoa muito mais prática – eu sempre fui, mas estou mais sucinta ainda. Então, quando saio, dificilmente vou a shoppings passear, prefiro outros locais mais inspiradores. Só recorro aos centros comerciais quando preciso de algo específico, mas vocês sabem que há anos eu não entrava numa fast fashion. Tenho preferido gastar esse tempo em lojas de marcas que tragam algo novo pro meu conhecimento, contem seu processo de produção, ideias e afins, entendem?

Provar roupa pode ser considerado perda de tempo pra muita gente. Gostou, parece que vai vestir bem, é do tamanho, então leva, pronto. Muita gente, na correria, ignora essa parte e passa reto pelos provadores, mas quando vai vestir a roupa em casa…aí dá ruim.

O pessoal no grupo Moda Pé no Chão lembrou bem de fatores que fazem a galera odiar provadores: iluminação ruim das lojas, que parecem ressaltar apenas nossos defeitinhos; provadores e espelhos sujos; equipe de vendas que não é preparada para lidar com público; cabines pouco confortáveis. Poxa, marcas, vamos melhorar isso aí!

Compras online são uma alternativa boa para provarmos com calma, na nossa casa, com as nossas roupas e, caso não funcione, termos a opção de devolvermos e termos nosso dinheiro de volta (ou trocarmos a peça) em até 7 dias da data da compra, é lei. Eu já fiz isso e foi ótimo, só é chato levar aos Correios, um tempo que nem sempre temos.

Só que experimentar o que vai levar, ou o que tem a intenção, é parte ESSENCIAL do processo. E, se temos mais objetividade nas escolhas, ou uma lista do que realmente precisamos, com critérios, fica mais fácil e até mais rápido passar pelo provador. Vira hábito e fazemos no automático, só que conscientes!

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No provador da C&A com a sua última coleção, em parceria com a Dress to

Depois de tantos anos fazendo análises diretamente do provador, mais a estética minimalista que adotei de vez e que tem mais a ver com meu vestir (leia A estética minimalista me salvou do consumismo, para entender), somado a não querer perder mais tanto tempo observando mais do mesmo, adotei critérios simples para a hora do provador – momento este em que ficamos cercados de dúvidas, mandamos agora mensagem pra amigues opinarem, nos deixamos levar pela emoção ou pressa, enfim.

Algumas coisas eu acredito que sejam bater na tecla pra vocês, eu sei, mas nada como revisitá-las de tempos em tempos para deixar tudo organizado por aqui, além de uma lista de itens que observo antes de levar cada peça.

Observo a etiqueta interna

Se a composição não atende meus anseios ou se o valor cobrado está acima do material, eu já descarto ou fico na dúvida. Já levei peças de poliéster, por exemplo, mas ciente que seriam roupas pouco usadas ao longo do ano aqui no Rio, por esquentarem demais e deixarem mau cheiro. Também aproveito para conferir país de origem e instruções de lavagem – se for pra lavanderia, por exemplo, você estaria disposto a gastar grana com isso?

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Sigo a cartela de cores

Não, a cartela não serve pra limitar, mas como ela tem uma harmonia entre suas cores e, se seguirmos mais elas, teremos um guarda roupa coerente entre si, o que é muito mais meu interesse, pra facilitar as coordenações cromáticas no meu dia a dia, eu prefiro, então, observar se aquelas cores estão o mais próximas possível das minhas. Isso também ajuda na hora de ser prática e escolher o que levar pro provador.

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Observo o caimento no corpo

A roupa está torta? Vestiu certinho todas as partes do meu corpo? Se não, é passível de ajuste com costureira da loja (ou terei que pagar uma por fora)?

As costuras de ombros estão certinhas (a parte mais difícil de ajustar)? A gola da camisa ou vestido cai pra trás ou fica no lugar? Alguma parte da peça fica embicando?

Os botões se abrem entre as casas? Ao sentar, me aperta? Ao andar, limita meus movimentos? Ao levantar os braços, as mangas apertam?

Muitas coisas a se perceber, mas ainda atem mais, segura aí.

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Vejo os detalhes

A costura está bem feita e presinha? Usaria a roupa do avesso, de tão bem executada está no seu acabamento? As costuras das laterais se encontram nas estampas ou desencontram?

É transparente? O tecido faz carinho no meu corpo?

Olho também a peça toda, por dentro e por fora, para observar manchas, furos, rasgos.

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Detalhe do alinhave da roupa

No mais, não aceito peças trazidas pelos vendedores, a não ser que sejam algo coerente com o que eu pretendo levar. E, fato, eu só experimento o que tem coerência com o que listei, com meu estilo e meu estilo de vida.

Também não me deixo levar pela “vergonha” de provar horrores, para optar por pensar e levar depois (que é o jeito que eu faço, de fato) e nem de agradecer toda a ajuda, mas não levar nada naquele dia.  Quando eu me sinto pressionada de alguma forma, agradeço a atenção, mas explico que sou minuciosa e preciso daquele tempo para uma compra mais satisfatória.

Seguindo essa lógica, evito também escolher minhas roupas, acompanhada. Gosto de ir com calma, ou no meu tempo.

Mas e compras online, como faz? Aqui já teve um post com todas as dicas!

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Comentários pelo blog

9 comentários

  1. Vê Melo comentou:

    Ana, eu sempre experimento as roupas. É tão pior ter que trocar. Tão melhor levar logo o que lhe cai bem.
    E, como você, tb prefiro ir sozinha às lojas. Acho que fico mais focada.

    Bjs

    1. Ana Carolina respondeu Vê Melo

      Exatamente, Ve!

    2. LaRabêlo respondeu Vê Melo

      Tbm penso assim, é um saco ter que trocar roupa.
      Olho bem todos os detalhes da roupa e analiso bem pra não precisar ter esse trabalho. Então acabo tendo que trocar roupa só se alguém me der algo que não serve ou não gosto.
      Depois que comecei a acompanhar a Ana passei a prestar ainda mais atenção a todos os detalhes. Tem me ajudado bastante. <3

  2. Anita comentou:

    Excelente visão! Muito bom…pode parecer frescura…mas não é! Semana passada estava no shopping esperando meu filho para almoçarmos e fiquei numa loja olhando…gostei de 2 blusas e no provador pensei:preciso mesmo disso? Prá que? Gente… os posts da Ana ficam agarradinhos feito chiclete na minha cabeça. Pensei que só eu reparava nas costuras desencontradas num poá graúdo, por exemplo. Muito show!!

    1. Ana Carolina respondeu Anita

      Ahahaha, que maravilhosa!

  3. Tina comentou:

    Eu virei super adepta do on line. Experimento as roupas em casa, com os itens que já tenho. Já cansei de comprar uma peça na loja física pra quando chegar em casa ver que ela não compôs com as outras peças como eu imaginava. Aí, você é obrigado a voltar ao shopping pra trocar, num prazo super curto, muitas vezes tendo que pegar algo que não precisa pra não ficar num preju maior. Prefiro o trabalho de ir aos correios mas poder pegar o $$ de volta. Não entendo o motivo pelo qual as lojas físicas aqui não aceitam devolução como no online e no exterior. Com certeza voltaria a comprar bem mais se houvesse essa possibilidade.

  4. Ana, falei na hora do almoço sobre o conceito das Guide Shops nos meus stories! E já tinha feito uma matéria sobre isso também. Incrível como realmente nossos hábitos se transformam… Acho que, implicitamente, vários fatores como você (as usual) maravilhosamente pontuou aceleram essa mudança, somando-se: segurança, multi-tarefas (estar em casa é o grande tesouro de muitas pessoas, o mais precioso) entre outros e, aí, comprar online virou uma super aliança. O contraponto disso é a nossa incerteza que se torna barreira de fechamento de carrinho nos e-com da vida. Amaro e, agora, C&A já sacaram de longe parte dos problemas. Como disse nos stories: a gente não sabe se confia na foto porque pode estar carregada de Photoshop, no caimento, no acabamento… Aí, indo à Guide Shop a gente prova, vê cores, SENTE a peça na mão e NO CORPO. Gostou? Dá pra fechar no próprio PDV e receber em horas (aqui em SP a Amaro já entrega e 2h 30min em casa) ou ir pra casa, esperar a vontade aumentar (sou dessas) e, se realmente quiser, efetuar a compra online com mais segurança.

    Concordo muito com você. Meu maior desafio é que aqui perto de casa, até o super mercado fica no shopping. Não dirijo e as coisas são mais distantes. OU seja: criei uma ‘couraça de aço’ para conseguir ir, olhar o que rola de ‘novidade’ (relativo, sabemos) e voltar pra casa abastecida de parte das informações e ilesa de gastos. Não foi fácil, mas hoje lido bem melhor com isso.

    E as meninas que falaram de luz, espelhos e atendimento: faço coro. Para mim, o pior de tudo é o espelho distorcido e o provador que mal nos deixa virar de lado para ver. Tenho horror de luz ruim porque nunca sei se a roupa está OK ou se vai ficar transparente na luz do dia quando não é adequado que assim seja…

    Beijos pra vcs!!!

    1. Daniela Gomes respondeu sitedacris

      sou doida pra ir nesses guide shop da Amaro, espero q o provador não seja escuro

    2. Letícia respondeu sitedacris

      Acho interessante esse conceito de Guide shops mas como faz com quem mora no interior? Moro numa cidade pequena no interior do RS, longe da capital e nenhuma rede maior tem loja aqui
      Acaba que pra muitas coisas a solução é o online mesmo, por isso também acho que as lojas online tinham que investir em melhorar as informações das roupas para venda (aliás, Ana, não sei se tem post sobre isso, eu não me lembro de ter visto, mas fica a sugestão), como tamanho, material, disponibilizar aqueles vídeos com a modelo caminhando com a roupa pra gente analisar o caimento, etc. Ainda acho difícil acertar as roupas comprando pela internet 🙁