Minhas impressões pela metade da coleção 5 Mares C&A

Sim, pela metade. A coleção que reune as marcas Trya, Cia Marítima, Água de Coco, Lenny e Blue Man é gigante e nem se eu estivesse com todo o tempo livre do mundo (coisa escassa nessa semana de reta final de cursos), eu daria conta de provar tantas peças! Acho que tinha tempos que eu não me deparava com uma quantidade tão grande de peças. Isso por um lado é bem legal, porque oferece mais opções para cada estilo, inclusive com moda infantil.

Escolhi as peças que mais me identifiquei (ok, as que estavam mais perto de mim) e fui pro provador. Achei bonitas nas araras, mas quando peguei a etiqueta interna…

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Poliéster? Num vestido que foi feito pro verão?

Entendo e sei que para estamparia, essa fibra sintética é a que melhor absorve o processo e permite que ele seja mais rico de detalhes, mas nesse caso acredito muito mais em uma produção com custos menores para aumento de margem de lucro na produção. Por mais que seja uma fibra que seque mais rápido quando molhada, ela esquenta demais, o que é inapropriado para dias muito quentes.

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É o caso desse vestido estilo saída de praia e da pantalona abaixo. São de poliéster, mas parecem frescos e inofensivos por conta das cores claras, da textura similar ao linho (fibra natural nobre) e dos motivos tropicais. Atenção a isso.

Os preços dessa coleção também estão acima da média, na faixa dos 150-180 reais uma peça. Acho que por isso ainda encontrei as araras cheias no meu bairro, mesmo um dia após o lançamento.

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A blusa acima está um número menor do meu, 36, porque não tinha mais meu tamanho – isso explica os botões não fechando muito bem. Ela é bonita, é uma mistura de fibras mais frescas, como as sintéticas Liocel e viscose, feitas em laboratório a partir de fibras celulósicas, com algodão e linho, fibras naturais, mas mesmo assim acho o modelito quente pra uma temporada veranil.

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Não provei os maiôs e biquinis, só esse mesmo, porque achei ele o mais curioso de todos com essas mangas morcegão tropical. Interessante essa proposta editorial de cruzeiro, mas isso molhado de água deve pesarrrrrrr, hahahaha! De repente funciona mais como body, né? Mas, contudo, todavia, entretanto, achei caríssimo: 229 irreais. Tá bem que são modelos que foram reproduzidos de coleções regulares das marcas por preços menores, mas penso sempre no custo x benefício mesmo assim.

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É isso, gente. Vestidos longos eu também avistei, um de viscose, outro de poliéster…aí desisti. Entreguei a toalha. Confesso que não tava no melhor dia para avaliar nada, deu preguiça, lembrei do tanto de marca bacana que faz uma moda praia inclusiva e autoral, sem essa de made in China.

Talvez eu volte a loja outro dia pra avaliar melhor. Mas a real é que eu não vou voltar, não.

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Você tem muita calça jeans?

A pergunta do título serve também pra mim: eu tenho muita calça jeans. Muita pra quem mora numa cidade quente, para quem não sai mais para trabalhar todo dia – quando saio, quero usar outras calças mais interessantes que jeans. Eu amava jeans, achava a peça mais curinga e prática do universo, me sentia super confortável nelas. Queria modelos diferentes para poder variar, fora o vício que adquiri com o modelo flare, aquele estilo boca de sino, antes tive um apego com as skinnys, que são mais justinhas. Ganhei algumas delas, outras comprei porque achava que precisava, acreditava que usaria muito, principalmente as de fast fashion.

Depois veio a vontade de ter jaqueta jeans, e, na busca, trouxe três pra casa. Todas foram de segunda mão, uma custou 20 reais, mas mesmo assim, são muitas.

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Hoje em dia não uso nem 1/5 dessas calças

Usei bem muitas delas, mas repara só como jeans é uma peça muito difícil de se acabar. Você usa, usa, usa, e, no máximo, ficam mais surradinhas, ou então aqueles rasgos propositais aumentam e ficam esquisitos, mas, no geral, não é um item que vai encher de bolinha, dá pra mandar tingir e repor a cor, dá para cortar e transformar em short, cortar as mangas da jaqueta e fazer colete. Jeans é versátil até nisso, mas a questão, é: enjoei, não quero mais, mas a calça ainda está boa para o uso. E aí, o que fazer com elas?

A lenda dos básicos necessários

Foi divulgado à exaustão, tanto em revistas, quanto em livros de consultoras de moda, que TODO MUNDO tem que ter itens básicos no armário e o jeans estava lá. Nessa crença de que todo mundo precisa de uma peça jeans, achamos também que, mudando a variação delas, em lavagens e modelagens, teremos um guarda roupa mega versátil e prático. Aí dá-lhe ter mais de 30 calças, mas acreditando nessa super variação só porque tem todas as escalas de tons, do claro ao escuro; dos modelos super skinny até as boyfriend, destroyed, flare, pantacourt. Uma infinidade. Muito mais calça do que você pode dar conta nos seus dias.

Daí também entender que é uma peça que coordena com tudo e que resolve rapidamente suas questões no vestir, é um pulo. Tá na dúvida da camisa estampada, com o que usar? Não precisa quebrar a cabeça pensando qual saia combina mais, se fica melhor com um short ou calça alfaiataria: pega a calça jeans e tá tudo certo! Camisa estampada? Com jeans. Jaqueta colorida? Com jeans. Blusa naquela cor berrante? Idem.

A falta de prática em tentar novas ideias de coordenação, a correria do dia a dia, a falta de tempo e até a preguiça de pensar muito contribuem para o vício em usar o jeans para resolver todas as suas questões de estilo. Não, você não precisa ter uma calça jeans se você não curte tanto a peça. Sim, você monta looks incríveis com uma ou duas calças desse material em seu armário.

Outro porém é a transição da vida universitária para o mercado de trabalho. O jeans sempre funcionou na faculdade e colégio, de repente nos sentimos na obrigação de investir em alfaiarias, peças estruturadas em melhores tecidos. O despojamento da peça muitas vezes não cabe na adequação do código de vestir empresarial e é substituído, assim, pelas calças pretas. Seis por meia dúzia, sem dúvida.

Claro que temos as pessoas mais básicas, que aderem mesmo ao visual sem melindres, mas o que trago aqui como pensamento é que não precisamos ter tanto jeans no armário. A confecção de uma única calça jeans consome 11 mil litros de água, fora a química usada no tingimento, além do gasto em água na fibra do algodão. É muito desperdício de recursos hídricos dentro dos nossos armários.

Marcas que reaproveitam jeans

Uma alternativa para não gerar demanda da indústria e aproveitar os jeans que já existem é a sua transformação em peças novas. Listei algumas marcas que cumprem com maestria esse papel, trazendo alternativa possível para que tantas peças não se acumulem no mundo, a partir de sobras têxteis, peças doadas e compradas em bazares de igreja e brechós.

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Oficinas da Think Blue
Think Blue Upcycling

A marca carioca de reuso da designer Mirella Rodrigues garimpa peças jeans em bazares de igreja para transformá-las, em um processo de criação e modelagem que resulta em roupas criativas e fashionistas. Recentemente fizeram um desfile-protesto no Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo, reforçando que não tem como falar de sustentabilidade sem ativismo.

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Pelo site é possível ver os itens disponíveis, além de atenderem pedidos para calças, jaquetas, shorts e blusas. Como a produção é reduzida e as peças são garimpadas, existe uma quantidade limitada e variação do material empregado.

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A marca abriu os custos de produção, bem como o tempo investido em cada parte da confecção de uma peça. Achei incrível para dar a noção do trabalho que é criar, costurar e viabilizar uma roupa, além de mostrar que criar uma roupa é um processo que toma tempo, principalmente se for numa produção menor, que valorize a mão de obra.

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MIG jeans

A marca das amigas cariocas começou com um projeto de um curso de moda, com a criação e customização a baixos custos a partir de peças jeans no fim da sua vida útil doadas, de resíduos têxteis e garimpadas em brechós e bazares, e hoje elas facilitam oficinas para marcas como Levi’s e AHLMA. A marca aceita doação de peças jeans e oferece de contrapartida desconto na compra das suas roupas. As etiquetas das roupas da marca são confeccionadas a partir de retalhos, e botões reciclados e em desuso são escolhidos para a produção.

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COMAS

Augustina Comas era modelista de marcas como Daslu e do estilista Jum Nakao, e, já nessa época, observou como roupas e camisas eram descartadas por pequenos defeitos, que não comprometiam o resultado final. A sua marca, baseada em São Paulo, se propõe a reutilizar as camisas masculinas descartadas pela indústria e, num processo de modelagem extremamente criativo e brilhante, criar peças femininas, como blusas, vestidos, saias, reaproveitando e inserindo nas suas peças até as sobras dos cortes do tecido. A Comas também facilita oficinas e workshops de upcycling.

Em entrevista ao site Lilian Pacce, Augustina contou mais do seu novo empreendimento, com upcycling em peças de jeans, em parceria com a empresa Souza e Cambos: “Eles fazem tratamento de água, gestão de resíduos sólidos, fiz questão de ver de perto e é uma empresa muito bacana. Estamos usando o jeans reciclado deles, que é desfibrado de sobra e misturado só com algodão. Não aceitaria se fosse com pet, poliéster nem a pau, porque o que pouca gente sabe é que quando você lava em casa micropartículas de plástico se desprendem e vão pro oceano do mesmo jeito”.

Os jeans da marca seguem o conceito do patchwork, que, ainda de acordo com a matéria, usa tanto o avesso quanto o lado certo do tecido e tem o mínimo de sobra de corte possível.  Também reaproveita as ourelas, que são as sobras da barra do tecido que geralmente são descartadas e de pedaço que também sobra do corte para incorporarem em detalhes.

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Não precisamos de tanto jeans no armário. Ninguém, repito, ninguém consegue usar todas de uma maneira que faça valer mesmo o custo x benefício e, sinceramente, jeans usado de maneira básica não promove a versatilidade do guarda roupa, nos limita nas ideias e, mesmo que tenham variação, é usar mais do mesmo.

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Coleção Cinco Mares da C&A

E, como era de se esperar, a C&A encerra o ano com uma coleção de moda praia que chega às lojas selecionadas dia 27/11, já de olho na chegada do verão, férias e festas de fim de ano. Um ano com 5 coleções especiais, acho. Realmente, não cabe mais mesmo aquela loucura desenfreada nos dias de hoje. Que bom.

As marcas parceiras trazem o repeteco com Lenny Niemeyer, Água de Coco, Blueman e Triya. Um mix de marcas sofisticadas com mais divertidas, vão reproduzir seus clássicos, além de roupas com proteção UV 50+ para as família toda, além de saídas de praia, bolsas de palha e outros acessórios.

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A Cibele, colaboradora dessa seção do blog, mandou essas prints de algum evento de pré lançamento, além de imagens de imprensa. Pelo pouco que da pra ver nas fotos, gostei dos itens Lenny.

Ainda não sei os preços, mas esse tipo de coleção não costuma ser muito caro – além de serem produzidos no Brasil. A coleção do ano passado tinha peças bem executadas e bonitas!

Farei as impressões semana que vem aqui pra vocês 🙂

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Onde encontrar roupas de fibras naturais?

Desde que comecei a falar mais sobre a preferência por fibras naturais, muita gente veio comentar aqui da dificuldade de encontrar lojas que priorizem tecidos com essas fibras e que sejam de qualidade.

Eu sempre vasculho primeiramente em brechós, onde encontro peças de seda a 30 reais, além de opções boas em linho e algodão, principalmente de peças mais antigas ou de marcas muito caras, que aí ficam fora do meu alcance.

É mais difícil mesmo até por questões mercadológicas, das marcas conseguirem manter um custo mais elevado sem ficarem tão caras, como de estamparia – as fibras sintéticas comportam melhor o tingimento. Mas procurei listar várias que possuem opções de roupas exclusivamente de fibras naturais como aquelas que dispõem de uma mescla em seus produtos. nesses casos, vale o olhar para entender o que está levando.

Não considerei fast fashion porque muitas vezes o algodão deles não é bacana em termos de qualidade, mas também não consigo atestar a procedência das marcas citadas, exceto a Flavia Aranha, que trabalha só com fibras orgânicas.

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Flavia Aranha

Deixem aqui nos comentários as suas indicações, vamos fazer reverberar!

Natural Cotton Color

https://instagram.com/natural_cotton_color

Trabalho maravilhoso de comércio justo com algodão orgânico paraibano, a marca usa a cor natural da fibra, sem processo de tingimento.

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SALL

A Sall é feita de Seda, Algodão, Linho e Lã, daí a origem do nome. A marca gaúcha trabalha exclusivamente com fibras naturais.


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COMAS

Marca de upcycling que cria roupas femininas a partir de camisas masculinas.


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BASICO.COM

Marca que vende peças básicas com fibras naturais, como algodão pima.


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JOUER COUTURE

Marca de slow fashion que prega uma cadeia mais justa na moda, usam tecidos de reaproveitamento e algodão orgânico.


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MYBASIC

Roupas casuais (para grávidas inclusive), com várias em linho e tecidos premium.


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MYFOTS

Marca que preza coleções atemporais, com design simples e confortável.


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FLAVIA ARANHA

Flavia é referência na pesquisa de fibras de origem orgânica e tingimentos naturais. Pesquisadora incansável, trabalha com comércio justo, ético e transparente.


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DELPHINA DESIGNS

Marca de moda exclusivamente plus size, a Delphina tem peças de fibras naturais, mas observei que usam forro de poliéster em muitas delas. Vale a indicação porque sei que o segmento está crescendo e vão se aperfeiçoar cada vez mais


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+AHLMA

Multimarcas e também marca própria que preza por práticas responsáveis e marcas de pequenos produtores.


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