Movimento colorido

A última semana foi confusa: viagem pra Pernambuco, planejamento de mudanças nas redes sociais e blog, cursos novos. Além desse tanto de coisa pra fazer, fiquei doente às vésperas dessa viagem e com três turmas de workshop, hahaha! Por isso não dei conta de atualizar o blog.

Essa semana voltamos com a programação normal, com novidades que contarei já já, mas, enquanto isso, já mostro o look que usei para dar curso em Recife, que montei rapidinho e gostei bastante! Muito mesmo, tinha algum tempo que eu não amava um look com força como amei esse, e o melhor: fresquinho! 🙂

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Top Wymann na promoção no Shop2gether
Saia Karamello
Sandália Josefina Roscar
Brincos Trocando em Miúdos

Fotos: Isa Wright

Como eu – e muita gente também! – sinto falta de blusas bacanas, diferentes! Por isso não pensei duas vezes quando avistei no site essa, cropped, que tô usando nesse look! Aliás, uma reclamação constante também é o fato de tudo agora ser cropped (mais curto mesmo), o que limita mesmo alguns usos, mas como muita parte de baixo minha é cintura alta, deu pra conciliar bem. Arrematei essa blusa na liquidação da marca e, olhe, foi uma compra muito feliz! Onde eu passo com ela, chamo atenção, e qualquer look fica incrível na hora. Também, pudera, esse corte dela é muito incrível!

Eu sabia que pegaria dias de calor em Pernambuco, então a companheira de look da blusa foi essa saia super levinha, mesmo em camadas, mas toda em algodão também. O tom é mais claro, mas mantém a ideia do monocromático em azul, sendo os pontos extra coloridos marcados pela sandália e brincos. O look quase todo é marcado pela assimetria, o que dá essa sensação de movimento na roupa constantemente. Curto isso.

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Adoro uma pose com o sovaco pra jogo hahaha

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Como vocês podem notar pelos registros, eu me diverti bastante também posando com este look. Hahahaha! Aliás, deveríamos sempre pensar em looks que nos deixassem assim, felizes, com vontade de se divertir, rir, não é? 🙂

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Não odeie provar roupa

Estou lendo um livro que vocês já devem ter ouvido falar: O poder do Hábito mostra como a rotina favorece a mudança e a aquisição dos nossos hábitos, resumidamente (aqui tem um post completo sobre o assunto). Eu achava que estava apenas com preguiça de ir a lojas ver novidades, acompanhar coleções e virar rata de bazares, mas não se trata de ranço por ver tudo igual apenas, nem somente por querer evitar o desgaste de deslocamentos e filas de lojas. Eu mudei meus hábitos regulares! Trabalho de casa há alguns anos, saio pontualmente para alguns atendimentos e viagens, e, transitar em shoppings e na rua, virou evento raro.

Claro que o lado ruim é ficar bem por fora de algumas coisas, mas, no geral, não sinto necessidade de ir a rua o tempo todo (sou muito caseira, apesar de agitada) e como não tenho mais minhas fugas da hora do almoço, eu não desconto também algumas frustrações que eram muito comuns quando eu trabalhava fora, em compras o tempo todo.

Também me tornei uma pessoa muito mais prática – eu sempre fui, mas estou mais sucinta ainda. Então, quando saio, dificilmente vou a shoppings passear, prefiro outros locais mais inspiradores. Só recorro aos centros comerciais quando preciso de algo específico, mas vocês sabem que há anos eu não entrava numa fast fashion. Tenho preferido gastar esse tempo em lojas de marcas que tragam algo novo pro meu conhecimento, contem seu processo de produção, ideias e afins, entendem?

Provar roupa pode ser considerado perda de tempo pra muita gente. Gostou, parece que vai vestir bem, é do tamanho, então leva, pronto. Muita gente, na correria, ignora essa parte e passa reto pelos provadores, mas quando vai vestir a roupa em casa…aí dá ruim.

O pessoal no grupo Moda Pé no Chão lembrou bem de fatores que fazem a galera odiar provadores: iluminação ruim das lojas, que parecem ressaltar apenas nossos defeitinhos; provadores e espelhos sujos; equipe de vendas que não é preparada para lidar com público; cabines pouco confortáveis. Poxa, marcas, vamos melhorar isso aí!

Compras online são uma alternativa boa para provarmos com calma, na nossa casa, com as nossas roupas e, caso não funcione, termos a opção de devolvermos e termos nosso dinheiro de volta (ou trocarmos a peça) em até 7 dias da data da compra, é lei. Eu já fiz isso e foi ótimo, só é chato levar aos Correios, um tempo que nem sempre temos.

Só que experimentar o que vai levar, ou o que tem a intenção, é parte ESSENCIAL do processo. E, se temos mais objetividade nas escolhas, ou uma lista do que realmente precisamos, com critérios, fica mais fácil e até mais rápido passar pelo provador. Vira hábito e fazemos no automático, só que conscientes!

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No provador da C&A com a sua última coleção, em parceria com a Dress to

Depois de tantos anos fazendo análises diretamente do provador, mais a estética minimalista que adotei de vez e que tem mais a ver com meu vestir (leia A estética minimalista me salvou do consumismo, para entender), somado a não querer perder mais tanto tempo observando mais do mesmo, adotei critérios simples para a hora do provador – momento este em que ficamos cercados de dúvidas, mandamos agora mensagem pra amigues opinarem, nos deixamos levar pela emoção ou pressa, enfim.

Algumas coisas eu acredito que sejam bater na tecla pra vocês, eu sei, mas nada como revisitá-las de tempos em tempos para deixar tudo organizado por aqui, além de uma lista de itens que observo antes de levar cada peça.

Observo a etiqueta interna

Se a composição não atende meus anseios ou se o valor cobrado está acima do material, eu já descarto ou fico na dúvida. Já levei peças de poliéster, por exemplo, mas ciente que seriam roupas pouco usadas ao longo do ano aqui no Rio, por esquentarem demais e deixarem mau cheiro. Também aproveito para conferir país de origem e instruções de lavagem – se for pra lavanderia, por exemplo, você estaria disposto a gastar grana com isso?

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Sigo a cartela de cores

Não, a cartela não serve pra limitar, mas como ela tem uma harmonia entre suas cores e, se seguirmos mais elas, teremos um guarda roupa coerente entre si, o que é muito mais meu interesse, pra facilitar as coordenações cromáticas no meu dia a dia, eu prefiro, então, observar se aquelas cores estão o mais próximas possível das minhas. Isso também ajuda na hora de ser prática e escolher o que levar pro provador.

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Observo o caimento no corpo

A roupa está torta? Vestiu certinho todas as partes do meu corpo? Se não, é passível de ajuste com costureira da loja (ou terei que pagar uma por fora)?

As costuras de ombros estão certinhas (a parte mais difícil de ajustar)? A gola da camisa ou vestido cai pra trás ou fica no lugar? Alguma parte da peça fica embicando?

Os botões se abrem entre as casas? Ao sentar, me aperta? Ao andar, limita meus movimentos? Ao levantar os braços, as mangas apertam?

Muitas coisas a se perceber, mas ainda atem mais, segura aí.

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Vejo os detalhes

A costura está bem feita e presinha? Usaria a roupa do avesso, de tão bem executada está no seu acabamento? As costuras das laterais se encontram nas estampas ou desencontram?

É transparente? O tecido faz carinho no meu corpo?

Olho também a peça toda, por dentro e por fora, para observar manchas, furos, rasgos.

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Detalhe do alinhave da roupa

No mais, não aceito peças trazidas pelos vendedores, a não ser que sejam algo coerente com o que eu pretendo levar. E, fato, eu só experimento o que tem coerência com o que listei, com meu estilo e meu estilo de vida.

Também não me deixo levar pela “vergonha” de provar horrores, para optar por pensar e levar depois (que é o jeito que eu faço, de fato) e nem de agradecer toda a ajuda, mas não levar nada naquele dia.  Quando eu me sinto pressionada de alguma forma, agradeço a atenção, mas explico que sou minuciosa e preciso daquele tempo para uma compra mais satisfatória.

Seguindo essa lógica, evito também escolher minhas roupas, acompanhada. Gosto de ir com calma, ou no meu tempo.

Mas e compras online, como faz? Aqui já teve um post com todas as dicas!

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O dia em que abri o botão da camisa

Um dos truques de estilo que eu mais curtia era o de abotoar a camisa até a gola, tudo bem fechadinho, muitas vezes até arrematando com um colar por dentro. Mas esse ano, tudo mudou: estou aficcionada por usar camisas abertas, deixando parte do top à mostra!

Aliás, esse ano busquei valorizar muito mais meu colo, que é uma das partes do meu corpo que eu mais gosto (depois das pernas!). Então tudo que tem um decote mais profundo, eu estou aderindo: foi assim nesse look com o top azul de decote em V, por exemplo!

Eu continuo amando o truquinho da gola abotoada, mas estou nesse momento com mais vontade de um perfume sexy no estilo, vejam vocês. Como falei aqui, quase não uso mais sutiã, mas nesse caso eu tenho recorrido ao que chamam de middlewear – que não chega a ser uma lingerie, mas a peça que fica entre ela e a roupa, pra justamente aparecer num detalhe, como se fosse um acabamento!

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Aqui dá pra ver bem como é essa middlewear rendada, que comprei na Intensify.me

Esse look por exemplo, eu AMEI com todas as forças e veio justamente da junção de duas peças que eu ignorava completamente no meu armário, vejam vocês (e eu só mantinha porque enxergava potencial, mas não conseguia extrair as ideias a partir delas)! Essa camisa de seda eu ganhei do Cantão, mas não curtia muito, até usei num look pro blog que eu simpatizei, mas não amei. Comecei a usá-la aberta por cima de bodies e, nesse dia, tive a ideia de coordená-la com essa bermudinha que eu também não conseguia usar de um jeito que eu gostasse, hahahah!

As duas peças rejeitadas geraram, juntas, um look que gostei tanto, como pode isso?

Simples: mesmo sendo duas peças em alfaiataria, eu subverti a lógica careta com um botão a mais aberto e renda à mostra. BINGO!

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Fico confortável saindo por aí com a blusa tão aberta? Serei hipócrita se disser que fico 100%. Não, totalmente, não, mas confesso que me sinto atraída por esse mixed feelings de esconde-aparece-mostra-não-mostra, de alguém olhar e pensar que me distraí e deixei o botão aberto, hahaha!

De qualquer maneira, é algo que prefiro usar para certos locais, lógico, em que eu me sinta à vontade com essa proposta. Nesse dia eu usei o look para ir ao salão, mas repetirei facilmente para encontrar alguma amiga/amigo ou ir na casa de alguém.

O que vocês acham desse truque de estilo? Acreditam que precisa de coragem para aderir ou de boa?

 

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Sobre julgamento e batalhas pessoais

Semana passada eu compartilhei um pouco da minha história no instagram, e fiquei bem feliz com a repercussão. Além da minha, li outras emocionantes.

A ideia era reforçar minhas escolhas políticas – porque como mulher e integrante de uma sociedade, estou despertando e entendendo que somos seres políticos –, mas pro blog eu quis trazer mais a discussão sobre julgamento.

Estamos o tempo todo julgando, é inerente. Desassociar-se desses pensamentos é bem difícil, mas o mais importante eu acredito que seja o que fazemos com eles e como recebemos esses pensamentos. Por exemplo, quando me dei conta que tudo que é feminino é subjugado, colocado como inferior, parei pra prestar mais atenção às minhas colocações sobre esse universo.

Como trabalho hoje com moda – na verdade me considero mais uma educadora, professora, do que necessariamente uma consultora de estilo – como ferramenta para tantas práticas voltadas ao autoconhecimento, vejo também o quanto essa associação do que visto + do meu ofício traz uma mensagem que não condiz com quem eu sou, essencialmente.

É comum me levarem em locais mais sofisticados, jantares em restaurantes bacanas, acreditando que eu não me refastelaria num boteco local ou apreciaria mais observar artesãs trabalhando que conhecer necessariamente grifes. Ou perguntam se minhas amigas não ficam intimidadas ao se arrumarem pra me encontrar (a resposta, é: elas estão cagando pra isso e eu também! hahaha). Ou já acreditam que o que é construído aqui veio com facilidade, inclusive o meu estilo, que muitas de vocês acompanharam a evolução, aliás.

E aí fiquei curiosa sobre as histórias de quem encontro. Das batalhas pessoais de cada uma de nós e o quanto isso pode dizer sobre nossas escolhas, hoje. E que não dá, de verdade, pra julgar ninguém por uma foto de instagram. Que muitas vezes um sorriso esconde passagens doloridas. Isso ajuda demais a humanizar mais o que é virtual. Mostra que não é pra acharmos que a grama do vizinho ficou verde rapidinho, e pronto. Que dá muito mais orgulho acompanhar quem compreende o lado do outro, que mesmo sem ter passado por situações similares, a vivência mostrou a importância da empatia.

Por isso, eu lhes apresento um pouco da minha história e de como aprendi que a humildade e a empatia são essenciais para que eu seja quem eu sou, no meu trabalho, na minha vida, nos meus ideais.

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Oi, eu sou a Ana. Quem me vê com roupa da moda e cabelinho estiloso, não imagina que morei por 13 anos na subida de uma favela, numa casa emprestada porque meus pais ficaram desempregados. Acordava com o Caveirão na porta, e algumas vezes eu subi minha rua, uma ladeira enorme, rastejando, pra não tomar tiro.
Achava que era uma vida muito difícil, não tinha dinheiro pra dar conta dos 8 ônibus que eu pegava por dia (4 pra ir e voltar da faculdade e mais 4 pra ir e voltar dos treinos como atleta de natação), por isso larguei o esporte para poder trabalhar e estudar. Achava que minha vida era dura, até começar meu emprego numa agência de comunicação voltada para o terceiro setor, ONGs e políticas públicas, há 17 anos. E foi lá que eu entendi o quão privilegiada eu era. Que minha cor de pele me permitia transitar em qualquer ambiente e de nunca ter sido revistada na subida do Andaraí. Que eu tive acesso ao estudo e a uma faculdade particular, com bolsa quase integral. Que tive o privilégio de, mesmo morando tão perto da comunidade, nunca sofrer com falta do que é básico em moradia. Tive uma família, pai e mãe que botaram comida na minha mesa. Que me deram cama, livros e teto.

Foi nesse trabalho que ouvi falar pela primeira vez sobre equidade de gêneros, feminismo, direitos LGBTQ (que na época era GLS), religiões afro-brasileiras. Desenvolvemos campanhas didáticas para projetos comunitários, direitos das prostitutas, revisão do sistema penitenciário, tráfico de mulheres, escravidão, materiais que orientavam portadores de HIV, hanseníase e tuberculose. Eu passava os dias tratando fotos da miséria humana. De pessoas que não esmoreciam e lutavam para terem seus direitos mais básicos assistidos. Líderes comunitários. Mulheres que não baixavam a cabeça pra um sistema.

Eu sou privilegiada porque eu vivo do que escolhi. Eu trabalho pra mim, me sustento sem ajuda de ninguém desde nova, pude estudar e viajar. E, reconhecendo a minha luta e a luta de tantas pessoas, é por isso que eu acredito que todas elas merecem ter também seu espaço no mundo, educação, trabalho digno e tratamento humanitário. 💜

E você: qual é a sua história? O que dela você extraiu para tentar julgar menos pela aparência?

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