Testando a moda da pantacourt

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Sou fã incondicional de calças, vocês sabem. Eu adoro as minhas pernas, mas me identifico mais com meus looks com calças, me sinto mais arrumada, mais urbana descolada, adoro! E gosto de praticamente todos os modelos que surgem: calça cenoura, skinny, boca de sino, pantalonas, já usei até saruel, vejam vocês, hehe. E é cla-ro que quando vi no pinterest as gringa tudo usando a tal da pantacourt, culotte ou pantalona curta, eu pirei!

Na verdade eu pirei pela primeira vez quando fui dar uma palestra em Minas com a Renata Abranchs, consultora de moda e editora do RioEtc, e ela estava com uma pantalona preta bem curta e um sapato bicudo. Achei tãoooo descolada, tão a cara do Rio! Aí a Rê – super por dentro anos-luz das novidades em moda, afinal ela trabalha com pesquisa de tendências – me contou que era uma calça que ela nem curtia tanto, mandou pra costureira e pediu pra tirar uns 20cm da barra. Bom, não tive coragem de fazer isso com as que eu tenho, mas fiquei com a ideia na cabeça.

Avisei aqui no blog que estava atrás de uma, não achei fácil ainda avistá-las nas lojas – ainda bem. Foi quando a Pri, que formou comigo em consultoria, me alertou que tinha uma única dando sopa num site com peças off da Farm. Era tamanho G, a última, mas por ótimos 68 reais eu tive que arriscar!

Ela chegou e eu adorei, curti o frescor e a leveza, sem contar que parece uma saia midi! Quer dizer, precisa de um mini ajuste na cintura (o que é bizarro, pois o tam G deveria ficar bem largo em mim). É muuuuito fresquinha e nesse calor é uma dádiva sentir um ventinho subindo pela roupa HAHAAHAH

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pantalona ampla branca curta, sandália de tiras trançadas caramelo, blusa soltinha de mangas curtas branca com estampas de bolas azul escuras e bolsa pequena de tachas caramelo clara

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Blusa Sardina que ganhei de aniversário
Calça Farm no Off Premium – 68,00
Sandália Via Mia – 64,00
Bolsa Ateen para C&A que ganhei da marca mas acho que custava 99,00
Anel Sobral – 65,00
Brincos Lita Raies para Ana Soares que estão na liquidação!
Óculos ZeroUV – 9,90 dólares

fotos: Paulo N

Tirei fotos com a blusa por dentro apenas na frente e toda por fora e ainda estou pensando qual ficou melhor, preciso avaliar! Nesse dia eu a associei a calça à minha sandália de salto, mas é fato qua a usarei mais com rasteiras, sapatilha, chinelo e anabelas. Não gosto dessa ideia de ter que usar salto para alongar silhueta com peças de comprimento polêmico, eu acredito muito mais em priorizar o conforto e se sentir bem.

E aí? Quero saber quem foge e quem abraça as pantalonas curtas?

Comprei e nunca usei: blusa de renda transparente

omprei e nunca usei veio com força nesse final de ano por conta das arrumações inerentes à época: nesse caso, essa blusa arrematada de segunda mão no enjoei, há anos, que achei lindaaaa, que achei que fosse usar horroresssss…mas, que nada. Acho arrumadona demais e, na moral, vou ao total de um evento por ano, hahahaha!
Então agora ou vai, ou racha, preciso usá-la para saber se ela fica ou vaza da minha vida! A primeira tentativa de look foi com minha pantalona mega antiga e eu amei, heim? Super cara de roupa de festa sem ser óbvia! 🖤
Muita gente no instagram sugeriu que eu quebrasse o tom mais arrumado da blusa com uma peça em jeans, mas, sinceramente, não queria ir por esse caminho mais óbvio – o medo é viciar só em um tipo de coordenação. A blusa é mais compridinha, com rendas na barra, por isso a parte de baixo teria que ser mais sequinha, coisa que também não curto mais, prefiro bem mais o jeito que elaborei aqui, com a peça por dentro de uma calça ou shorts mais estruturados/amplos.
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Blusa que comprei no enjoei
Pantalona Maria Filó mega antiga
Scarpin Santa Lolla super hiper antigo
Brincos Tatiana Queiroz Jewlery
Fotos: Denise Ricardo

Analisando bem, não acho que esse look esteja com cara de ficar restrito a eventos, super dá para encaixá-lo em qualquer outra atividade do meu dia. Lembrei que tenho uma pantacourt (preta, mas beleza), que eu também usaria com um tênis, o que já garantiria ao menos descer do salto.
Mas, como também já colocaram de forma certeira no instagram, talvez meu estranhamento com a blusa nem seja apenas pela dificuldade de usá-la, mas por não ter muito a ver com meu estilo, no geral, com esse lado de estilo romântico da peça.
Que outras ideias vocês me dariam, hein, gente? Confesso que tem vezes que dá um senhor bloqueio aqui, hahaha!

Você tem muita calça jeans?

A pergunta do título serve também pra mim: eu tenho muita calça jeans. Muita pra quem mora numa cidade quente, para quem não sai mais para trabalhar todo dia – quando saio, quero usar outras calças mais interessantes que jeans. Eu amava jeans, achava a peça mais curinga e prática do universo, me sentia super confortável nelas. Queria modelos diferentes para poder variar, fora o vício que adquiri com o modelo flare, aquele estilo boca de sino, antes tive um apego com as skinnys, que são mais justinhas. Ganhei algumas delas, outras comprei porque achava que precisava, acreditava que usaria muito, principalmente as de fast fashion.
Depois veio a vontade de ter jaqueta jeans, e, na busca, trouxe três pra casa. Todas foram de segunda mão, uma custou 20 reais, mas mesmo assim, são muitas.

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Hoje em dia não uso nem 1/5 dessas calças

Usei bem muitas delas, mas repara só como jeans é uma peça muito difícil de se acabar. Você usa, usa, usa, e, no máximo, ficam mais surradinhas, ou então aqueles rasgos propositais aumentam e ficam esquisitos, mas, no geral, não é um item que vai encher de bolinha, dá pra mandar tingir e repor a cor, dá para cortar e transformar em short, cortar as mangas da jaqueta e fazer colete. Jeans é versátil até nisso, mas a questão, é: enjoei, não quero mais, mas a calça ainda está boa para o uso. E aí, o que fazer com elas?

A lenda dos básicos necessários

Foi divulgado à exaustão, tanto em revistas, quanto em livros de consultoras de moda, que TODO MUNDO tem que ter itens básicos no armário e o jeans estava lá. Nessa crença de que todo mundo precisa de uma peça jeans, achamos também que, mudando a variação delas, em lavagens e modelagens, teremos um guarda roupa mega versátil e prático. Aí dá-lhe ter mais de 30 calças, mas acreditando nessa super variação só porque tem todas as escalas de tons, do claro ao escuro; dos modelos super skinny até as boyfriend, destroyed, flare, pantacourt. Uma infinidade. Muito mais calça do que você pode dar conta nos seus dias.
Daí também entender que é uma peça que coordena com tudo e que resolve rapidamente suas questões no vestir, é um pulo. Tá na dúvida da camisa estampada, com o que usar? Não precisa quebrar a cabeça pensando qual saia combina mais, se fica melhor com um short ou calça alfaiataria: pega a calça jeans e tá tudo certo! Camisa estampada? Com jeans. Jaqueta colorida? Com jeans. Blusa naquela cor berrante? Idem.
A falta de prática em tentar novas ideias de coordenação, a correria do dia a dia, a falta de tempo e até a preguiça de pensar muito contribuem para o vício em usar o jeans para resolver todas as suas questões de estilo. Não, você não precisa ter uma calça jeans se você não curte tanto a peça. Sim, você monta looks incríveis com uma ou duas calças desse material em seu armário.
Outro porém é a transição da vida universitária para o mercado de trabalho. O jeans sempre funcionou na faculdade e colégio, de repente nos sentimos na obrigação de investir em alfaiarias, peças estruturadas em melhores tecidos. O despojamento da peça muitas vezes não cabe na adequação do código de vestir empresarial e é substituído, assim, pelas calças pretas. Seis por meia dúzia, sem dúvida.
Claro que temos as pessoas mais básicas, que aderem mesmo ao visual sem melindres, mas o que trago aqui como pensamento é que não precisamos ter tanto jeans no armário. A confecção de uma única calça jeans consome 11 mil litros de água, fora a química usada no tingimento, além do gasto em água na fibra do algodão. É muito desperdício de recursos hídricos dentro dos nossos armários.

Marcas que reaproveitam jeans

Uma alternativa para não gerar demanda da indústria e aproveitar os jeans que já existem é a sua transformação em peças novas. Listei algumas marcas que cumprem com maestria esse papel, trazendo alternativa possível para que tantas peças não se acumulem no mundo, a partir de sobras têxteis, peças doadas e compradas em bazares de igreja e brechós.

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Oficinas da Think Blue

Think Blue Upcycling

A marca carioca de reuso da designer Mirella Rodrigues garimpa peças jeans em bazares de igreja para transformá-las, em um processo de criação e modelagem que resulta em roupas criativas e fashionistas. Recentemente fizeram um desfile-protesto no Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo, reforçando que não tem como falar de sustentabilidade sem ativismo.
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Pelo site é possível ver os itens disponíveis, além de atenderem pedidos para calças, jaquetas, shorts e blusas. Como a produção é reduzida e as peças são garimpadas, existe uma quantidade limitada e variação do material empregado.
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A marca abriu os custos de produção, bem como o tempo investido em cada parte da confecção de uma peça. Achei incrível para dar a noção do trabalho que é criar, costurar e viabilizar uma roupa, além de mostrar que criar uma roupa é um processo que toma tempo, principalmente se for numa produção menor, que valorize a mão de obra.
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MIG jeans

A marca das amigas cariocas começou com um projeto de um curso de moda, com a criação e customização a baixos custos a partir de peças jeans no fim da sua vida útil doadas, de resíduos têxteis e garimpadas em brechós e bazares, e hoje elas facilitam oficinas para marcas como Levi’s e AHLMA. A marca aceita doação de peças jeans e oferece de contrapartida desconto na compra das suas roupas. As etiquetas das roupas da marca são confeccionadas a partir de retalhos, e botões reciclados e em desuso são escolhidos para a produção.
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COMAS

Augustina Comas era modelista de marcas como Daslu e do estilista Jum Nakao, e, já nessa época, observou como roupas e camisas eram descartadas por pequenos defeitos, que não comprometiam o resultado final. A sua marca, baseada em São Paulo, se propõe a reutilizar as camisas masculinas descartadas pela indústria e, num processo de modelagem extremamente criativo e brilhante, criar peças femininas, como blusas, vestidos, saias, reaproveitando e inserindo nas suas peças até as sobras dos cortes do tecido. A Comas também facilita oficinas e workshops de upcycling.
Em entrevista ao site Lilian Pacce, Augustina contou mais do seu novo empreendimento, com upcycling em peças de jeans, em parceria com a empresa Souza e Cambos: “Eles fazem tratamento de água, gestão de resíduos sólidos, fiz questão de ver de perto e é uma empresa muito bacana. Estamos usando o jeans reciclado deles, que é desfibrado de sobra e misturado só com algodão. Não aceitaria se fosse com pet, poliéster nem a pau, porque o que pouca gente sabe é que quando você lava em casa micropartículas de plástico se desprendem e vão pro oceano do mesmo jeito”.
Os jeans da marca seguem o conceito do patchwork, que, ainda de acordo com a matéria, usa tanto o avesso quanto o lado certo do tecido e tem o mínimo de sobra de corte possível.  Também reaproveita as ourelas, que são as sobras da barra do tecido que geralmente são descartadas e de pedaço que também sobra do corte para incorporarem em detalhes.
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Não precisamos de tanto jeans no armário. Ninguém, repito, ninguém consegue usar todas de uma maneira que faça valer mesmo o custo x benefício e, sinceramente, jeans usado de maneira básica não promove a versatilidade do guarda roupa, nos limita nas ideias e, mesmo que tenham variação, é usar mais do mesmo.

Minhas impressões Dress to para C&A

Eu já estava desacostumada de fazer impressões de coleções especiais, confesso! Hahahaha! Mas lá fui eu pra C&A da Saens Peña observar de perto a terceira coleção da marca carioca Dress to para a C&A!
Como eu escrevi nesse post sobre o hiato das coleções, a C&A reduziu drasticamente a quantidade de parcerias em 2018, sendo essa a terceira também, em um ano inteiro – a próxima será internacional, com a Missoni, em novembro. A expectativa é de materiais melhores, bom caimento, qualidade e algo que valha o deslocamento até a loja perto de casa, ainda mais se o preço for bacana.
Bom, a própria Dress to na liquidação tem muitas vezes um preço até inferior ao que observei nessa coleção com a rede de fast fashion. Não achei caro, mas também não estava barato, hehe! A promessa também foi de uso de fibras naturais, mas eu vi uma mescla de linho e viscose, muita viscose, poliéster e forro de poliéster. Fiquei decepcionada, porque esperava ao menos mais algodão. Os tamanhos iam do P ao GG.
As peças tinham uma cara mais jovial, mas mesclavam com outras possíveis para mais faixas etárias, como pantalonas, blazers oversized e pantacourts, além de acessórios e moda praia. Aliás, a moda praia não me emocionou, pelo contrário, achei fraquíssima. Tanto que é essa a parte que voa rapidamente quando a C&A faz parcerias com marcas de beachwear, mas fui em dois horários na loja (antes do almoço e após o almoço) e essa parte estava quase que intacta.
As peças estavam desde ontem às 17h expostas, mas encontrei tudo hoje de manhã. Não provei tudo, mas peguei as principais e deu pra fazer uma análise geral:
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A pantacourt que eu tinha achado bonita nas fotos é, realmente, bacana, nesse azul jeans, mas de mistura de 65% viscose com 35% linho. O caimento é legal e ela é bem leve e fresca, numa cor curinga. O top de crochê/tricô (de máquina) tinha em outras cores, mas acho desperdício comprar em uma fast fashion; sou muito mais privilegiar o trabalho das artesãs.
Do mesmo estilo eu catei essa macacão, que também achei bonito. Vestiu bem, tecido com toque bom, leve, versátil.
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Do mesmo grupo ainda, o blazer mais comprido: gosto da cor, mas aí o bichou pegou: não permite uma movimentação boa dos braços pra quem precisa pegar transporte público ou simplesmente colocar os braços pra frente. Nessas situações, ele agarrava demais os braços, o que denota erro de modelagem.
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Outro equívoco dele é o forro em poliéster, que esquenta pra caramba no calor. Uma pena. Na etiqueta interna dá pra observar também a origem dos produtos: China.
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Essa calça com abertura/fenda lateral era linda nas fotos, ao vivo eu já odiei ao ler 100% poliéster. Para uma peça com carinha de verão, não dá pra usar algo sintético assim.
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A pantalona branca também chamou atenção e eu gostei muito dela no corpo! Caimento bacana, leve, permitia boa movimentação, de cintura alta e não era transparente. Elegante e versátil, para diversas ocasiões! Essa que peguei estava faltando um botão – e era um tamanho maior que o meu, 40. O que pegou: apesar de acabamento bem feito, a parte interna dos forros é de poliéster. Eu lembro o preço dela, 200 reais.
O body era interessante, mas eu não curto tomara que caia. Só que, mais uma vez, problema: ele também é de poliéster, poxa!
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A composição da calça: liocel é fibra artificial, fresca.
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Composição do body

Esse quimono estava na parte de moda praia. Achei bonito, mas, mais uma vez, adivinhem? Sim, poliéster. Cacetada. O aspecto nem era ruim, mas realmente não dá pra associar uma peça para se usar em estações mais quentes com uma fibra que esquenta e dá mau cheiro.
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Outra estampa que gostei muito, de fundo claro, também boa pra primavera/verão, com opção de short, pantalona curta e blazer. Pelo menos essas eram de viscose, uma fibra fresca, mas que amassa bastante. Os forros, mais uma vez, são de poliéster. Esse blazer, ao contrário do azul, permitia bem a movimentação.
A calça eu não amei por conta do elástico, mas entendo que a sua proposta é uma peça mais despojada.
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Depois avistei essas blusinhas de linha, que eu gosto muito, em cores neutras, mais frescas e boas pra estação, só que precisam de cuidado extra para não puxar fio.
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Eu AMEI essa camisa/saída de praia ao estilo carioca! Amei a estampa, as cores e o modelo. Era toda em viscose e eu só não levei porque achei cara, 149 reais, EITA! (na foto, Igor, meu namorado, participando das análises da coleção, hahaha)
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Os acessórios eram bem praianos, com chapéus, bolsas de croché, brincos grandes (olha a mão do namo aí dando um joinha não sei pra que, hahaha)
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Pelo menos a moda praia, como de costume, é produção nacional e o material era adequado para ninguém assar no sol, tanto que o fornecedor das malhas é a Lycra, e apresentam proteção contra raio solares.
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Não levei nada, não me emocionou, mas gostei no geral, com a ressalva da composição das fibras.

Quem foi, o que achou?