Qual é o seu estilo pessoal?

Se tivessem feito essa pergunta pra mim, há dez anos, eu responderia o que estava descrito na cartilha sem pestanejar: sou adepta de um estilo mais arquitetônico com doses de criativo e flertando o esportivo. Pronto! Uma consultora de estilo entenderia e balançaria a cabeça afirmativamente.

Mas eu cresci, rs, e to mais questionadora do que nunca. Acho que isso tem a ver com os rumos que estou desenhando para minha vida, algo mais academicista, não sei, mas outro dia precisei responder qual era o meu estilo e eu não consegui responder algo encaixado no que esperam dos 7 estilos universais, porque há muito tempo aliás eu não considero mais esses parâmetros. Aliás, me deu uma preguiça enorme de ainda ter que pensar em responder isso, porque sempre acho que aprisiona mais do que liberta o vestir.

O que são os 7 estilos universais?

Precursoras da Consultoria de Imagem e Estilo, Alyce Parsons e Mimi Dorsey elaboraram no livro Style Source a teoria dos 7 estilos universais que é hoje amplamente difundida e utilizada por personal stylists de todo o mundo. Os 7 estilos universais são o Natural Esportivo, Tradicional, Refinado, Romântico, Criativo, Sexy e Dramático Urbano. Cada um dos 7 estilos possui peças chaves características e transmitem uma mensagem diferente para o mundo e que refletem nossas personalidades, identidades e características pessoais.

Quando eu atendia consultoria individual (hoje só estou trabalhando com análise cromática e a formatação de novos cursos online), era muito comum eu explicar para a cliente quais eram os traços de estilo que ela poderia se identificar. Ao invés de colocá-la numa caixinha “você é estilo Tradicional”, eu mostrava as características do estilo do vestir para ela que poderiam agradá-la, que seriam adequadas às suas necessidades e estilo de vida. Ainda assim elas me cobravam sobre o nome do estilo, queriam pesquisar mais sobre, não se conformavam com as direções em cores, estampas, materiais, linhas e acessórios.

Em contrapartida, as vezes que falei que a pessoa, por exemplo, tinha um estilo romântico, na mesma hora rolava um olhar mais assustado, carregado dos estereótipos que atribuem a mulheres românticas, assim como as sexies, assim como as criativas, assim como TODOS os estilos!

Sexy = já remetia ao vulgar

Romântica = já remetia a fragilidade

Tradicional = já remetia a caretice

Elegante = mulher branca, magra e rica

Criativa = extravagante demais

Dramática = remetia a pessoa que causava distanciamento

Esportiva = pessoa mal arrumada

E é uma questão de gênero, porque os homens são classificados em outros estilos universais, e quase nunca atrelados aos estigmas e os pesos dessas conotações que os estilos femininos carregam. Sem contar que ele não contempla pessoas agênero, que via de regra não precisam se adequar nem a um nem a outro.

Sempre considerei entender melhor a personalidade e características que coordenam melhor cada pessoa a partir, por exemplo, da sua cartela de cores, do que necessariamente intuir um estilo ou, pior ainda, usar um estilo que não fosse a essência dela para contrapor algum traço da personalidade ou se adequar a um ambiente de trabalho que não respeite as individualidades dentro de cada dresscode.

Eu entendo que as pessoas tenham a necessidade de saber o nome. Isso faz parte de uma cultura que diz respeito ao rotular, ao pertencer, ao se identificar e entender onde comprar exatamente, o que dizer para as pessoas como resultado de um trabalho analítico. Mas não acho mais que dizer simplesmente o estilo seja algo essencial, porque reafirma estereótipos ligados a gênero.

Como eu faço hoje?

Eu identifico as preferências, necessidades, possibilidades e traços pessoais. Então, por exemplo, eu, que sou uma cartela de inverno frio, que coordeno melhor com cores frias, mais azuladas, arroxeadas e rosadas, além de contraste alto entre cores (como preto e branco), é uma característica inerente à minha coloração pessoal me sentir melhor em roupas com cores bem contrastantes, estampas gráficas, geométricas, estilizadas e abstratas, grandes (nada de estampa delicada e miudinha), peças de corte minimalista, modelagem mais arrojada, design limpo, formas pontudas, arquitetônicas, tecidos estruturados e de material natural por conforto térmico.

Aliás, estou revisitando pra valer meu estilo pessoal nesses últimos dois anos e estou mais uma vez tirando um monte de roupa que não me representa mais, experimentando cada peça e avaliando o que pode entrar, fiz até um vídeo usando meus looks antigos que tenho peças até hoje no armário:

Minha necessidade atual é que as roupas permitam uma livre movimentação, conforto acima de tudo, nada apertando, que permitam a amamentação da minha filha, além de não querer mais usar sapatos apertados: estoua depta das papetes e tênis. Bolsas que permitam colocar minhas coisas e da minha filha, que sejam fáceis de transportar com uma bebê, no caso mochilas e pochetes.

Ao invés de só dar o nome do meu estilo, eu entendo todos os símbolos dele, o que me agrada e onde posso me encaixar, como uma peça que pode parecer romântica por ter renda, mas ser uma renda estruturada, em tecido mais grossinho, uma trama mais fechada. Entendem o ponto? Isso não exclui que eu tenha peças que seriam do estilo romântico, com babados e rendas, mas entender o que na identidade visual que me contempla, pode ser adequado para o estilo que eu quiser vestir.

E você, o que acha disso? Prefere ter os nomes dos estilos ou não se liga?

Com os pés nas nuvens {publi}

Um post emblemático aqui do blog e que repercutiu bem foi sobre as roupas que detonam nossa saúde, e o quanto nos convencem que é normal vestir peças desconfortáveis na vida. Por conta desse furacão que é a maternidade e desse tempo em casa, não considero ter mais nada que me deixe apertando e limitando meus movimentos no armário. Com isso, meu estilo ficou mais livre, eu percebi melhor o que eu realmente gosto de usar e passei a ficar muito mais feliz com os meus looks!

Eu tenho muitos momentos de correria, de trabalho duplo cuidando de uma bebê e tocando meus projetos, mas a diferença que faz no meu dia quando eu calço uma Poofy da Usaflex, gente! Basta calçar para virar a chavinha e se sentir leve. É como andar nas nuvens, as pernas não cansam, é conforto traduzido em forma de calçado, eu ouvi um VIVAAAAA!!?

Montei dois looks que eu morri de paixão e vou mostrar pra vocês:

Aliás, estou em um momento de me arrumar mais em casa, para usar mais minhas roupinhas que estavam paradas, só que a questão sempre foi o que calçar para combinar. Veio aí a solução! 🙂 Esses são os looks que escolhi para trabalhar com muito conforto: peças de algodão, frescas para esse calor carioca, soltinhas e muito, muito coloridas. Achei que funcionaram bem com a intensidade dos tons das Poofys! Meu macete é escolher estampas que tenham cores em comum com as sandálias, o que faz o link perfeito entre elas!

Quem quiser experimentar basta entrar no site da Usaflex para conferir as cores e modelos e se permitir sentir também essa sensação maravilhosa que é se vestir para si <3 É so calçar e Poofy!

Este conteúdo é patrocinado. E eu estou MUITO feliz por isso, por ter empresas valorizando a produção de conteúdo nos blogs!

Saudosismo: marcas que não existem mais

 A Thereza Chammas fez um tweet sobre uma marca famosa nos anos 00, a Espaço Fashion, que começou na igualmente saudosa Babilônia Feira Hype, que lançou tantas marcas que abalaram nossos corações. Aliás, a Espaço foi a primeira marca que fechou parceria comigo, no início do blog – saiu até notinha no jornal! Tenho roupas dela até hoje, de tanta coisa que eu ganhava todo mês, foram anos assim. 

Para além da informação que fizeram uma péssima administração e faliram sem pagar muita gente, os comentários nesse Tweet renderam boas doses de suspiros da moda nessa época, de marcas que a gente era cadelinha total e fecharam, deixando toda uma geração órfã.

No meu caso eu não tinha um tostão furado para comprar nessas marcas, MAS se teve algo muito bom nessa época, foram as lojas OFF das mesmas. Sendo assim, minha principal alegria era garimpar peças com preços inacreditáveis e postar em um certo blog de looks OFF…este aqui, claro hahahaha!

Quais marcas deixaram saudades? 

Eu lembro demais da Equatore, nunca vou esquecer daqueles jeans PERFEITOS da marca, isso era anos 90 ainda! Amava uma frente única da adidas que comprei na loja, usava muito com minha calça de cintura baixa 😆

Eu era aficcionada pela Checklist, gostava muito das coisas da Shop 126, mas era muito cara pra mim – tinha uma coisa ou outra da liquidação. Outra que fez meu coração juvenil morrer de felicidade foi a icônica Yes, Brazil! que abriu loja no shopping perto de casa e tinha uma arara toda OFF: eu tinha umas 5 calças da marca que haviam custado uma bagatela, algo tipo 49,99 cada uma (adquiridas em tempos diferentes, claro)! Foram as calças mais estilosas da minha vida, pernas amplas  (tinha uma que chamava pata de elefante) e modelagem impecável ❤️

Como não lembrar da maria bonita extra, outra marca caríssima, super hype entre as blogueiras, mas que me possibilitava realizar alguns desejos de consumo na loja OFF do centro do Rio, com preços muito muito muito bons! Gente, eu cheguei a comprar roupa por 50 reais lá! 

Alguém aí babava na multimarcas Novamente, da Fátima Lomba? Começou no Shopping 45, da minha Tijuca, depois ficou anos numa loja que era um andar inteiro (e ficava acima da loja outlet da Maria bonita extra!) no centro da cidade, com uma curadoria de peças de estilistas ma-ra-vi-lho-sa. Saudade dos garimpos na época de bazar! 

Relíquias do meu armário 

Eu gosto de garimpar até hoje algumas peças dessas marcas em sites de usados, vocês sabem né? É algo que me traz satisfação inclusive, porque agora eu até posso comprar, coisa que não conseguia na época. Muitas são românticas demais, era a tendencia, mas dá pra aproveitar algumas coisas pela qualidade.

Sendo assim, ainda possuo relíquias dessas marcas até hoje comigo, e uso inclusive! Tenho uma saia da Yes Brazil, um tênis dourado que amo da New Order, algumas peças da Espaço Fashion e maria bonita extra, um vestido de festa lindíssimo da Clô Orozco…nossa, que delícia ter recordações materiais dessa época, um período tão criativo pra mim, mesmo com muitas limitações eu era feliz nos meus garimpos ❤️ 

E vocês? Quais marcas não existem mais e até hoje te deixa suspirando? 

As roupas precisam durar?

Outro dia estava tão quente, mas tão quente que, como todo verão carioca, olhei pro closet e esbravejei que não tinha nada fresco para vestir. Já rola meio que uma má vontade aí por conta do suadouro, rs, então eu sempre vou nas peças que me sinto segura, aquelas que uso há anos e sei que funcionam nesses momentos de pavio curto.

Escolhi uma blusa que eu adoro as cores e, apesar de ter mangas, é bem fresca, de um tecido muito leve e gostoso no corpo, toda em algodão. Sempre uso com bermuda branca e não tenho problema em repetir essa informação até não poder mais. Foi quando parei em frente ao espelho e me toquei há quanto tempo a tenho: nove anos! Comprada em um bazar em 2013 por 50 reais (achei caro na época, rs), mantida até hoje pelo conforto, por ser folgadinha, uma delícia mesmo.

A mesma blusa em dois momentos e duas Anas diferentes. 🙂

Comecei a reparar na quantidade de peças que tenho há quase uma década, e são elas que tomam boa parte dos meus cabides. Claro que muitas deixaram de servir e se foram ou estão guardadas sabe-se lá por que (talvez esperança de Nina usar? hahaha), mas as que tem como esticar ou são mais folgadinhas, permanecem. Eu tenho muito a sensação que não se fazem mais roupas como antigamente e agora eu tenho a certeza que virei a minha avó, hahaha! Mas de qualquer maneira muitas tem também muita sorte por terem sobrevivido, pois nem todo tecido aguenta o tranco do tempo, das lavagens, da falta de uso constante, do desgaste do dia a dia.

Em contrapartida perdi peças que eu achava maior investimento – duas blusas da Flavia Aranha, uma estilista eco, sendo uma de malha de linho e outra de organza de seda – compradas numa liquidação, mas ainda carinhas, que se desfizeram nessa retomada da vida. Não por baixa qualidade, pelo contrário, mas por não terem aguentado, com suas delicadezas têxteis, o corre da vida materna. Cumpriram seu papel em seis anos comigo.

Roupa boa que dura pode ser uma soma de fatores como: ótimo design, excelente qualidade de tecidos e acabamentos, cuidados na manutenção, pouca lavagem, ambiente livre de umidade. E isso não significa exatamente gastar muito com elas, nem ser algo de marca. ome aí sorte, tempo disponível e dinheiro para cuidar ou ter quem cuide, facilidade de ter numeração disponível nas lojas, um mercado que investe em roupas para mulheres magras (coisa que o mercado plus size rala pra conseguir, pq em sua maioria são pequenos empreendedores que não conseguem bancar tecidos melhores, por serem mais caros), não ter coxas grossas que fiquem roçando uma na outra, não ter um bebê pendurado o tempo todo na teta.

Obsolescência aqui, não!

Vejam, eu amo coisas de época, peças vintage, brechós e antiquários, guardo as louças da minha avó como relíquias e eu sou contra a obsolescência programada: meus computadores tem uma década de uso comigo, kkkkk, é sério! Fico triste quando descubro que ainda funcionam mas não tem como atualizar mais nada, acho um absurdo essa coisa de lançamento o tempo todo.

Mas também questiono muito esse discurso do durável, porque já vi marca grande ser desonesta e justificar que é culpa de quem lava o tempo todo as peças elas se desfazerem, e não a qualidade safada dos tecidos e acabamentos. O durável é atravessado por hierarquias e construções sociais: em famílias pobres, as roupas são muito bem cuidadas porque passam para outros familiares, que as herdam, e são sobrevivência de quem precisa estar alinhado pq tem medo de ser perseguido e morto por causa da cor da pele. Mas claro que ter peças duráveis também é mais sustentável, uma forma de não gerar mais demanda da indústria, nem mandar roupas para lixões como virou o Deserto do Atacama, vocês viram, que horror? 🙁

Lembro das consultoras ricas falando das roupas que duram. A gente enjoa e tudo bem, a gente quer mudar radicalmente pra tirar um ranço de uma vida com episódios de tristeza e dor, a gente aumenta de tamanho, tanta coisa pode mudar. É bom demais ter algo há tanto tempo, porque é economia de tempo e dinheiro, é ótimo se reconhecer no que se tem e não precisar buscar por aí, se frustrar, é a segurança de saber que aquela roupa cai bem em você, dá conta da sua rotina, é a solução para os momentos sem criatividade ou a escolha que você sabe que é certeira.

Que durem o que tiver que durar e que a gente possa sempre ter nossos momentos de segurança, novidade e alegria. Vou fazer render até onde puder.

Testando a moda biker

Polêmica 😅: tenho visto muitos lookinhos com bermuda esportiva – a biker shorts – e top, complementados com jaqueta jeans grandona, camisa larga abertinha e até blazer. Nos pés, papete, tênis e até mocassim. Preciso dizer que não faz muito meu estilo, haha, não me gosto em roupa de academia e por isso não uso sem ser para essa atividade, nem pra fazer faxina em casa eu cogito, até porque acho zero confortável. 😆

Mas entendo que é prático demais. E quando levo Nina para brincar eu sento no chão, subo nos brinquedos com ela, me abaixo o tempo todo e, dependendo da roupa, meus movimentos ficam tolhidos e até formiga já mordeu minha bunda 🥲 Por isso, pensei: por que não tentar looks com essa bermudinha? Eu queria uma preta, mas vi mais sentido em comprar uma estampada, achei que daria uma graça ao que eu já estava meio resistente, rs. Essa tava na liquidação na Centauro, da Adidas!

Mostrei esses dias nos stories que continuo achando vibe academia, o q não curto. Segui então a sugestão de vocês e montei vários looks – só não tenho mais camiseta larguinha, me desfiz dela.

Hoje já pensei que de repente uma versão mais neutra, com fundo escuro, me agrade mais. E os looks que montei tem alguns aí – como o do colete – que vão até pro barzinho, achei elaborado demais pra pracinha, haha! Mas foi um exercício muito divertido, há tempos eu não ia pro closet empolgada para experimentar, tava com saudade disso! Não desgosto e no geral foi bom, eu tenho agora opção pra ginástica e para brincar com Nina hahahaha ☺️

Acho q se ela fosse preta eu estranharia menos, não sei. Aaaaaah, na real a maior vantagem foi que achei o meu bumbum mais empinado com ela, eu tava também precisando disso hahahahaahha!!

Vou postar aqui também alguns looks que curti:

Me contem, vocês usariam? Eu tô até cogitando fazer posts de onde comprar!

Onde achar sutiãs de amamentação

Durante a minha gravidez eu fiquei muito na dúvida sobre os sutiãs de amamentação. Não sabia que tamanho escolher, qual melhor modelo e acabei não comprando nenhum porque na época fiz uma publicidade para uma marca que ganhei também os sutiãs, que uso até hoje.

Achei bacana trazer esse assunto para cá porque vi marcas lançarem novos modelos e tamanhos maiores, mas conversei com algumas mulheres e ainda existe infelizmente uma limitação do tamanho em relação às medidas das costas e busto.

Bom, vou falar primeiro sobre critério para escolha e depois indicarei as marcas (lembrando que não testei as peças, mas pelo que conheço de algumas devem ser de muito boa qualidade).

Qual tamanho escolher?

Vamos lá: dependendo do tamanho do seu busto, se tem silicone, costas largas, você tem que escolher uma numeração confortável mas que te dê sustentação, porque a mama fica BEM cheia nos primeiros meses. Eu compraria no último mês de gestação, quando se está mais inchada, ou compraria medindo em loja as costas + busto para numerações mais precisas alguns modelos para os primeiros dias, depois, se for o caso, comprar outro quando o leite tiver descido.

Pensa também que você estará com um mini ser humaninho nos braços se esgoelando para mamar, hahaha, então dificilmente terá sempre auxílio nesses momentos, e o modelo precisa ser muito fácil de liberar a mama com uma das mãos.

Em algumas lojas elas medem o tamanho das costas, com busto e chegam às medidas intermediárias – na Liz Lingerie é assim, apesar de não terem tamanhos muito maiores. Entre em contato com as marcas de lojas físicas para poder medir, lembrando que o tamanho dos seios quase que dobra quando acontece a apojadura, que é a descida do leite após o parto.

Quais são os melhores modelos?

Bom, eu tenho os que soltam na alça, um que abre os botões na frente (da Liz Lingerie) e outro da mesma marca que é só puxar – e é o que menos gosto.

Tenho um com bojo e particularmente não gosto e não vejo necessidade. Com aro também não, mas aí vai da necessidade de cada mulher, mas lembre-se que esse período você tem que se preocupar mais com a condução da amamentação, o que pode ter alguns perrengues como hiperlactação, mastites, e candidíase mamária (essa acontece muito com peito abafado com materiais sintéticos ou aquelas conchas), além de ajustes na pega do bebê, cansaço referente ao puerpério, do que parte estética.

Mas, para muitas a sustentação é importante por causa do aumento do peso das mamas para evitar produção excedente de leite que pode engurgitar a mama e causar mastite, então o melhor é que as alças e tiras abaixo do busto sejam fortes o suficiente para te deixar bem. Eu, que tenho pouco busto, já sinto, imagina as peitudas!

Intensify.me

A marca de produtos feitos à mão tem modelos lindos e com materiais super confortáveis, mas a grade é limitada do 38 ao 44. Tem em preto e branco e custa 195 reais. Retirei do site:

“Feito com tules apropriados para haver a rápida evaporação de líquidos ( transpiração, saliva e leite) e com média compressão para dar sustentação aos seios fartos e doloridos. 

Além dessas duas característica importantes, ele tem elásticos de sustentação adequados para abraçar o busto, os ombros e o tórax dessa mamãe poderosa e também dois absorventes laváveis para conter o vazamento de leite.

É um produto social da marca Intensify.me e a cada um top vendido, uma calcinha é doada para uma mãe em situação de vulnerabilidade.”

GG Rie

Quando eu comecei a escrever esse post, semanas atrás (vida de mãe que só concluiu agora), a marca de lingerie plus size tinha uma opção de amamentação, mas agora não achei mais. 🙁 Vou perguntar a elas se volta pro estoque e atualizar aqui.

Pantys

A marca de calcinhas menstruais lançou o sutiã absorvente, custa 159 reais e vai do P ao GG. Segundo o site “criamos o primeiríssimo sutiã absorvente reutilizável do mundo para proporcionar para as mamães segurança e conforto. o bralette, o nosso sutiã de amamentação, é sustentável, tecnológico e evita os vazamentos de leite. depois de usar é só lavar: dura em média 50 lavagens (mais ou menos 2 anos, dependendo da quantidade de peças que tem para revezar). todos possuem forro interno preto.”

Any Any

Achei esse modelo o mais chic de todos! Adorei que tem opção mais elaborada, menos casual, apesar de não saber se é confortável ou prático. Segundo o site, é de poliamida, vai do tam 42 ao 48 e custa 99 reais. A marca tem outros modelos.

Agora sou mãe

A marca de roupas especialista em maternidade também tem diversos modelos de sutiãs, esse inclusive estava com um preço bom, 59 reais. Segundo o site, é feito em poliamida, Apesar de não ter bojo nem armação de ferro ou plástico, possui uma modelagem e tecido que proporcionam muita firmeza ao seio.

Liz Lingerie

A marca possui vários modelos com diversos fechamentos, a que apresentou maior variedade nesse sentido: tem modelo envelope (foto acima), tem com botões em fecho de clique na frente, tem versões também mais elaboradas, com rendas e bojo. Custam em média de 150 a 220 reais.

Plié

Custa 150 reais, vai do P ao GG e, segundo o site: “Um sutiã de amamentação versátil e que acompanha o crescimento dos seios, por isso pode ser usado do início da gravidez até o pós- parto. O fecho click frontal facilita a amamentação com conforto para você e para o bebê. Possui alças e laterais mais largas, dando sustentação para os seios com total conforto. Combine com as calcinhas da linha Gestante durante a gestação e com as peças modeladoras Control no pós-parto.

– Fácil abertura frontal com fecho click
– Laterais e alças mais largas
– Sustenta seios mais pesados
– Tecido suave e elástico acompanha o crescimento dos seios
– Abertura nas costas com 3 regulagens
– Sem costuras laterais
– Poliamida Sensil® super macia
– Exclusivo tratamento hidrófilo que deixa sua pele respirar livremente”

Jogê

A marca de roupas de ficar em casa chics, rs, também tem a linha maternidade e essa peça é cara, custa 230 reais e é de algodão. Tem preto, branco e cinza e tam do 42 ao 48. Tem mais dois modelos disponíveis.

Segundo o site “Sutiã de amamentação sem aro e sem bojo, em algodão macio com elastano e detalhes em renda aplicada manualmente. Alças com fecho click que possibilitam a abertura total para facilitar a amamentação.”

Você tem que ser elegante?

Acredito que com a retomada das atividades pós-vacinas, as mensagens sobre estilo pessoal têm pipocado mais nas propagandas do instagram. Depois de tanto tempo em home office, além da necessidade de recomeçar muito o que ficou estagnado nesse período para tanta gente visando também recolocações profissionais, nunca vi tanta consultora de estilo oferecendo soluções para resolver os looks das mulheres. Mas o que me chama a atenção nem é a publicidade em si, mas os argumentos sempre pautados na necessidade de parecer elegante e esta mensagem estar sempre atrelada a um discurso hegemônico e com imagens eurocentradas.

Fique mais elegante, ganhe mais auto estima, consiga destaque sem precisar necessariamente ter conhecimento pra isso – atrelaram o vestir a um valor de capital (deram até nome de capital visual, sério) e, infelizmente, por mais que eu ache isso péssimo por jogar todo mundo em uma caixinha de referências padronizadas, eu concordo que é isso que chama a atenção, sim. Triste, mas é verdade, você será julgada pelo que você veste.

Lembro de um curso que fiz que tinha uma única participante negra. Moradora da Baixada Fluminense, ela me confidenciou que se vestia de acordo com o que a branquitude considerava elegante: cabelos alisados, maquiagem clareando a sua pele, roupas parecidas com as imagens mais pinadas do Pinterest e, o principal, ela só via a possibilidade de atuar profissionalmente na zona sul carioca.

E é um fato, em todos os posts publicitários que entrei sobre o assunto as imagens eram de mulheres brancas, magras, cabelos lisos, em seus terninhos ou camisas de seda, calças de alfaiataria e scarpin. Esse foi o referencial que eu mirei por muito tempo nos meus looks, porque eu também já quis trazer mais de elegância pro meu estilo e tem muito a ver com o papo do post anterior, sobre aceitação.

A Silvia Barros, que é doutora em literatura brasileira e sua pesquisa foi sobre beleza e os atravessamentos de gênero, raça, classe e sexualidade, escreveu no meu inbox um comentário importante sobre esse tema:

“Quando se é preta ou gorda não tem muito o que fazer além de alisar o cabelo e colocar umas roupinhas que “disfarçam” as imperfeições. Quando a pessoa é mais velha, precisa fazer plástica? Quer dizer que a gente, diante da violência, só tem como ferramenta a auto violência?

Mas o que é ser elegante? É se vestir de um determinado estilo? É ter roupas de muita qualidade? É saber se portar à mesa? É votar no Lula em 2022? (OPA SIM)

Quais grifes a mulher elegante usa? Em qual bairro ela reside? Quais causas ela apoia? Qual é a sua aparência, afinal: magra, alta, loira, branca? Se você responder que não, porque a maioria das imagens de referências e das profissionais que vendem esse serviço seguem esse padrão?

Aprenda a ser elegante

Essas mulheres então ensinam outras mulheres que o conceito de elegância não só está relacionado a looks mais sofisticados, como também fazem menção uma aparência mais suave, a maquiagem em tons neutros, uma fala mansa, passos mais suaves. A etiqueta das boas maneiras que é o que se espera de nós desde a infância, na nossa socialização enquanto mulheres: fale baixo, sente-se direito, seja visualmente agradável e assim será merecedora de atenção, amor e louros.

“Ah, mas Ana, não vai me dizer que não é verdade, que esperam uma imagem da gente?” Claro, não sou uma iludida nessa sociedade que exige mundos e fundos de mulheres, mas em troca oferece misoginia. Empresas que exigem um código de vestimentas e de maquiagem mas oferecem um total de zero reais no salário para ajudar as funcionárias a custearem os padrões exigidos. Que cobra infinitamente mais da aparência feminina (sobrancelhas, unhas, pêlos, pele, pés, beleza, cabelos, corpo, tipo físico, dentes, TU-DO) do que da aparência dos homens para sermos ainda os menores salários comparativamente aos cargos ocupados por ambos os gêneros.

Para além de todo uma preocupação com os estudos, trabalho, casa, filhos, a aparência ainda é exigência máxima, introjetada como “escolhas”. Nos toma tempo, dinheiro e disposição e que visa apenas a manutenção de uma lógica patriarcal em que a carga mental feminina é infinita.

Aqui no Rio de Janeiro a Socila, escola de formação de misses, cuja fundadora, Maria Augusta Nielsen, ficou famosa por treinar jovens de classe média e alta, além de misses e faz parte até hoje do bordão dos cariocas como referência a boas maneiras (“Fulana parece até que fez Socila”). Foi objeto de estudo da pesquisadora e doutoranda Maria Carolina Medeiros, que conversou comigo no inbox do instagram (obrigada Maria, querida!) sobre o conceito de elegância atrelado a imagem pessoal e etiqueta social:

O que é elegância, afinal? Que conceito é esse aplicado às mulheres?

“É um conjunto de coisas. É exatamente o que a Socila ensinava. Elegância passa não só pela vestimenta mas pela contenção dos gestos, pela postura ereta, pela contenção no modo de falar. São muitas regras, e algumas se aplicam tb aos homens. A diferença gritante que vejo é que tá tudo bem se o homem não for elegante. Não existem escolas e manuais para que ele aprenda a ser, porque não é uma demanda. Ele é quem ele é – o Sujeito.

A mulher só é alguém se preencher os requisitos da feminilidade. Isso foi construído atrelado à ideia de que a mulher precisava se casar pra existir no mundo, e quanto mais bem sucedida a mulher fosse em desempenhar esse papel social da feminilidade, mais facilmente ela alcançaria o objetivo do casamento. E tb pelo fato delas antes ficarem restrita ao lar (claro, mulheres brancas, afinal era pra elas que essas regras eram escritas), e quando passam a circular no espaço público são entupidas de regras sobre como se portar em tudo.”

Maria Carolina Medeiros, pesquisadora

Para quem serve a elegância, seria melhor então perguntarmos. E em um mundo que está literalmente derretendo, a pessoa vai ficar sentadinha com seu terninho chanel aguardando o tsunami chegar, afinal o importante é estar no seu look monocromático, como pontuou perfeitamente uma outra leitora minha.

Por mais que estejamos inseridas nesse modelo de sociedade, não reproduzir padrões de opressão carregados de discursos gordofóbicos, racistas e misóginos, deveria ser um dever de quem trabalha com imagem de outras mulheres. Eu sei que existem demandas, mas não trabalho assim porque não quero continuar compactuando com a auto violência de mais mulheres para se encaixarem. Busquemos outras referências que contribuam efetivamente para um novo olhar para o vestir, mesmo quando não tem muito pra onde correr, pelo menos observarmos com cuidado esse tipo de discurso e no que ele contribui para a subserviência feminina, até onde acataremos algumas situações.

Para mulheres negras, por exemplo, é difícil se distanciar da atenção à imagem, por conta das cobranças maiores advindas do racismo estrutural. Mas é possível construir um trabalho de resistência, de incorporar elementos importantes, ser luta.

Moda vai muito além de deixar todo mundo vestida igual a branca magra. É ancestralidade, política, afeto, empatia, pertencimento, mensagem, conforto, diversão, funcionalidade. A dica para se vestir melhor é aquela que cabe na sua vida, na sua rotina, nos seus desejos, no seu tesão, na sua luta e no que te toca para seguir adiante.

Acho necessária uma revisão dos programas dos cursos de consultoria de imagem: precisamos ter mais discussões históricas, sociológicas, antropológicas, filosóficas, para que as pessoas entendam que moda é questão também de contexto e de estrutura.

A moda política de Elza Soares

Ontem, dia 20 de janeiro, a cantora Elza Soares encantou, aos 91 anos. Eu estou particularmente muito emocionada. Assisti apenas um show dessa deusa de voz rouca, e hoje eu percebo que eu sabia pouco da sua trajetória, que foi apagada e boicotada por tantos anos pela mídia. Toda vez que Elza aparecia, era mais para pontuar que ela estava se relacionando com um homem 50 anos mais novo, com roupas deixando muita pele à mostra, as muitas plásticas. Mas Deus é mulher e Elza pode continuar e modernizar sua carreira com lançamentos aclamados principalmente pelo público jovem.

Com a potência inigualável da sua voz, Elza rasgava e remendava nossa alma, como bem pontuou minha amiga Maria Karina. Esse atravessamento tocava porque ela cantava para os seus; a negritude, o povo. Elza veio do povo, nascida no que é hoje Padre Miguel, depois moradora de Água Santa, subúrbio carioca, nunca deixou de olhar pra trás e compreender o que representava o seu canto. Sua voz e seu corpo vestiam seus protestos e é sobre isso que vamos falar, algumas histórias dos figurinos de Elza Soares que foram pura representatividade.

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Forçada por seu pai a casar aos 12 anos com um amigo dele, *ela ia levar café pro pai no trabalho e se abaixou pra ver um louvadeus, o menino bateu nela, os dois rolaram na briga e o pai pegou. Achando que estavam tendo relações, ele forçou o casamento. Elza teve o primeiro dos oito filhos, aos 13. Dois deles morreram ainda bebês, de desnutrição. Seu marido contraiu tuberculose e ela teve que trabalhar fora para poder vencer a fome e a miséria – trabalhou inclusive no Hospital Psiquiátrico em que Nise da Silveira desenvolvia seu trabalho, e furtava a comida quando todos iam embora. Voltou a ter que cuidar da casa quando o embuste melhorou. Impedida de estudar, sem perspectiva de sair daquela vida, reuniu forças para participar do programa de calouros do compositor Ary Barroso, na Rádio Tupi, há 68 anos atrás, e tentar ganhar o prêmio.

Elza pegou com sua mãe um vestido emprestado para ficar mais apresentável, mas, com a sua silhueta esquálida, precisou enchê-lo de alfinetes para que coubesse. Ao subir no palco, Ary estranhou aquela figura mal enjambrada, a plateia começou a rir, e ele a questionou “De que planeta você veio, minha filha?” Elza foi categórica “Eu venho do mesmo planeta que o seu, Sr. Ary, o Planeta Fome!”. Os risos cessaram, Elza soltou sua voz e foi nomeada ali mesmo uma estrela que nascia.

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Ela se autoreferenciou na história dos alfinetes, no início da sua carreira, para encomendar o figurino do disco e da turnê “Planeta fome”. Ser sua própria referência é saber que a sua história era potente demais, e isso não é para qualquer ser viente não, meus amigos. Em uma alusão ao vestido de alfinetes, o traje justo, com mais de 2 mil alfinetes, o trabalho de figurino da marca de upcycling curitibana H-AL (que vou contar com mais detalhes abaixo), trouxe a versão punk de Elza, que honra suas memórias e não se deixa apagar jamais. O álbum reune músicas de protesto e políticas, como a da foto, que gravou Comportamento Geral, de Gonzaguinha.

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“Fui espetada a vida inteira, passei fome de comida e hoje tenho outras fomes. Nesse novo figurino quis simbolizar o que sentia, o que sinto. Naquele dia só sentia os alfinetes me espetando”, diz Elza no texto de divulgação do álbum.

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A valorização da moda ética e artesanal

A parceria com os amigos da H-AL, que desenvolvem seu trabalho de criação em Curitiba de peças assimétricas, de formas criativas, a partir de sobras de tecidos, como vestidos de noivas de desapego, trouxe à cena uma Elza que valorizava uma moda ética, artesanal, sustentável e feita no Brasil. Eu tenho peças da marca e pude visitar a loja-atelier que eles tinham e era algo sen-sa-cio-nal, um trabalho primoroso de upcycling.

“Por intermédio de um amigo, o estilista da H-ALAL, Alexandre Linhares, conversou rapidamente com Elza no camarim de uma turnê, mas tempo suficiente para o carismático criador apresentar algumas fotos de seu trabalho e receber uma encomenda da cantora: um vestido com rosas. Ela se recordou de quando o compositor Lupicínio Rodrigues, no final dos anos 60, lhe ofereceu rosas ao final de um show na Boate Texas, no Rio, dizendo a batida frase das cantadas baratas: “rosas para uma Rosa”. Esquiva, ela retrucou algo como “não sou Rosa e não gosto”. Era mentira, e ele também sabia que ela era Elza e não Rosa e tinha ido conferir a interpretação de sua música “Se Acaso Você Chegasse”.”

Trecho retirado daqui porque a mãe aqui não deu conta de escrever tudo do zero, então tomem os créditos. 🙂

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Pouco tempo depois do encontro em Curitiba, Elza Soares recebeu novamente Alexandre Linhares, dessa vez em São Paulo, acompanhado de um vestido transparente de tule, com duzentas rosas vermelhas aplicadas e bordadas – todas feitas à mão.

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Para o figurino do show “A Mulher do Fim do Mundo” foi uma peça mais atrevida, dark, que foi moldada no corpo da cantora. Um macacão preto de vinil (encomenda dela) com chifres no ombro (sugestão dele) feitos com massa de modelar e correntes que descem pelo corpo. 

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Elza foi símbolo do empoderamento negro, viveu as dores mais profundas que um ser humano pode aguentar, mas se manteve firme para levar a sua voz e sua luta para mais pessoas. Dizia que a mulher do fim do mundo é aquela que não tem medo de viver – ela não temia nada na vida, mas tinha medo de sentir medo. Elza olhou nos olhos da morte, das drogas, da violência, do racismo, da misoginia, da fome, da miséria, e cantou. Sua voz levava as vozes de todas nós.

Cantou sobre traição, cantou sobre o gozo (“Pra Fuder”em seu ábum A Mulher do Fim do Mundo), cantou sobre o amor, cantou sobre violência doméstica (“você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”), cantou sobre a desigualdade, cantou sobre racismo (“A carne mais barata do mercado é a carne negra”), cantou o feminismo. Elza cantou por todas nós, por isso tamanha potência, por isso a sua voz nunca se calará.

Viva Elza. Saravá, rainha!

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(foto de editorial para o caderno Ela, do jornal O Globo)

* editado 24/01/2022 às 15:45. Os amigos de Elza, da H-AL, me contaram a versão dela sobre seu primeiro casamento. Nas versões que li diziam q ela sofreu abuso; nessa entrevista para Bruna Lombardi, Elza contou o que realmente aconteceu.

Fonte:

Wikipedia

A Escotilha

G1

Uma conversa sobre aceitação

“Ao escolher uma roupa pense na imagem que você quer passar com ela” quem nunca ouviu essa frase? Existe uma história, reverberada à exaustão por consultoras, de um estudo que vc tem meio segundo pra impressionar alguém, e por conta disso você deve se preocupar principalmente com a linguagem não verbal, o vestir. Sempre fico incomodadíssima com esse argumento, que acho bem desonesto, ainda mais como estratégia de venda de um serviço que deveria ser um suporte para mulheres e não uma espécie de coação.

O vestir realmente pode impressionar ou afastar, mas isso não depende de vc: as pessoas reproduzem padrões, cada uma tem um referencial próprio, ainda mais se considerarmos a socialização feminina que molda nossas preferências e atitudes desde a primeira infância (e descrita magistralmente no livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir).

Mas, veja, o que pode repelir algumas pessoas, pode aproximar outras tantas. Não dá para viver se pautando exclusivamente em agradar o máximo de pessoas possível, isso é irreal.

Como cobrar a aparência de alguém que acabou de enterrar um ente querido? Como cobrar de uma mãe sozinha nos cuidados do seu bebê uma preocupação estética quando, intrinsecamente, ela tem como prioridade no momento garantir a vida e o bem estar desse serzinho? Parece injusto, não? E é. Até porque você nunca saberá tudo que essa pessoa está passando. Mas continuamos a ser cobradas e a cobrar mesmo assim.

Vivemos em um senso comum de sociedade que diz que você tem que se preocupar com os outros desde sempre. Se não comer tudo, mamãe chateia. Se não vestir a roupa que a tia deu, ela vai ficar triste. E crescemos ouvindo que o foco tem que ser sempre no que o outro vai pensar, o que vai achar de nós, para sabermos se seremos merecedoras de amor ou não.


Eu lembro quando demorava horas para me vestir, trocava de roupa inúmeras vezes pensando no look fodástico para o evento. Chegava a comprar roupa em cima da hora, de tanta cobrança. E quase sempre ficava frustrada, porque não me vestia pensando no meu conforto (e aqui não é só sobre roupa básica, etc, é sobre conforto de estar vestida de si mesma), mas no medo de ser julgada, de não ser vista como ~estilosa.

Sabe, a roupa que eu usava foi importante para eu mostrar minha personalidade, para eu me sentir melhor na minha pele por conta do vazio que sentia em mim, da insegurança, da crítica severa – mas roupa mofa, rasga, fica pequena ou larga e deixa de servir. Tenho muitos looks aqui que eu olho hoje e vejo o esforço de me adequar, para fugir das críticas e ser socialmente aceita. E me acolho nesse passado, porque foram as ferramentas que eu tinha disponíveis na época para me proteger e me fortalecer.

Não dá para ignorar o contexto social

Vivemos em sociedade, por isso não podemos ignorar que precisamos sim nos vestir de acordo com certas adequações. e regras Não dá pra falar para alguém se vestir do jeito que quer e dane-se os outros, é necessário avaliar o contexto e onde sua liberdade ultrapassa a do outro. Mas temos que considerar que a pressão que sofremos constantemente é absurda, desumana, proposital para gerar lucro à uma indústria de procedimentos estéticos e de beleza (o Brasil é o quarto país no ranking mundial de gastos com produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos segundo a Euromonitor), fora a apropriação de discursos com base em liberdade e autoestima que só servem para falsear que temos escolhas, basta querer.

Não temos tanta liberdade, não. Se eu não for bem na entrevista de emprego, não conseguirei ter autonomia financeira, por ex, e isso é essencial para nossas vidas. Nos é ensinado, como eu disse, a buscarmos a aceitação alheia passando por cima da nossa saúde, do nosso prazer, dos nossos limites, e é esse o alerta: não dá pra ignorar o contexto social, mas é importante atentar-se ao que se faz e como se veste sem considerar quem se é e ter respeito por você antes de tudo. É com pesar que observo tantas mulheres buscando primeiro o amor de um homem a outros tipos de realização (e me incluo aí, viu?).

Esse video da linguista Jana Viscardi sobre a indústria dos grisalhos que cresceu na pandemia é perfeito para ilustrar o que estou escrevendo aqui:

o que será da gente sem a roupa perfeita? O que seria do mundo se nos vestissemos pensando apenas na roupa que faz carinho no corpo, no que é funcional, com o que te faz sentir bem (e não importa se é toda de paetês ou de uma malha leve), que seja gostosa de estar dentro, ou querendo aparecer pavão total mesmo, com a finalidade de buscarmos ao máximo, e dentro do possível, nos sentirmos bem conosco? Certamente gastaríamos menos, teríamos mais tempo livre para outros projetos, para estudar e descansar.

Quais foram as mudanças após dois anos de pandemia

Oi, gente! Tem alguém ainda aí? 🙂

Sei que não fui constante no blog nos últimos tempos, mas eu sei que vcs entendem. Espero esse ano conseguir reformular o layout dele, ser mais assídua e melhorar também os comentários, que ficaram prejudicados com a desatualizaçao do layout.

Estamos chegando a quase dois anos de pandemia e preciso falar das mudanças que aconteceram nesse período. Todo mundo já sabe que ninguém saiu melhor dessa, que o consumo na verdade aumentou – ele só desviou de foco, com as marcas direcionando a lista de desejos para homewear, pijamas, meias, robes, chinelos. Marcas de roupas de carnaval se reinventaram fazendo robes com biquinis, marcas de kimonos decolaram por serem peças boas para se arrumar em casa.

Nos acostumamos com conforto, trabalhar sendo visto só do busto pra cima, com a câmera do Zoom desligada, sem precisar usar sapatos (isso para as muitas pessoas que tiveram seus trabalhos migrados para home office), mas também nos rendemos aos paetês e roupas mais coloridas e extravagantes nesse final de ano para celebrar o mundo pós-vacina (alô coleções da Joulik e Lulu Novis para C&A, olha o consumo redirecionando de novo)!

O que restou de mim, depois de tanto?

A vida deu sinais de retorno, um sopro de esperança e leveza depois de dias tão desafiadores, ainda mais agravados em um Brasil de Bolsonaro. Tirei finalmente meus sapatos pra jogo, mas os que ainda não haviam esfarelado ou soltado a sola, já não entravam com tanto ânimo nos meus pés. Esse tempo todo só usando chinelo, desacostumei com qualquer aperto, por mais leve que seja.

Eu mudei de casa, fui para um bairro que não dá pra fazer tudo a pé, pari minha filha, me tornei mãe, enfrentei um puerpério com uma depressão, emagreci de tristeza, engordei de novo de ansiedade, não estou mais viajando direto como era antes, definhei por não me movimentar como fazia no meu dia a dia mesmo, coisas simples, nem digo exercícios; perdi muitos trabalhos e nem sei mais o que quero da vida, a maternidade mexeu com muita coisa aqui. Em resumo: não sou a mesma Ana, definitivamente.

Antes minhas roupas eram pensadas nas viagens a trabalho, palestras, aulas, eventos. Eu não me sinto mais tão sociável, pelo contrário, fui encontrar poucas pessoas, não me imagino frequentando eventos tão cedo, ainda mais com Nina a tiracolo.

Moda é comportamento. E não tem como o nosso vestir não ter sido afetado em dois anos pandêmicos, com tanto desgaste físico e emocional.

Encarando as roupas de novo

Minhas roupas são antigas, há muito deixei de comprar, adicionei uma coisa aqui e ali também graças aos recebidos, mas tem sido um exercício amargo, digamos assim. Muitas não servem porque aumentei barriga e busto, outras porque agora amamento e precisam ser funcionais, outras não são boas para brincar com uma neném por terem a saia muito comprida, tecidos delicados ou decotadas demais…olho, olho, olho e tenho usado as mesmíssimas peças, até porque não disponho mais do tempo que tinha antes para escolher, com uma bebê gritando MAMAINNN e puxando meus brincos, rs.

O meu encontro com o meu guarda-roupa vem sendo um mix de incômodo com diversão. Tenho redescoberto algumas peças, o que é ótimo, além de repensar novamente várias que continuam aqui. Acho que não vai sobrar pedra sobre pedra, mas infelizmente terei que me virar ainda com o que tenho.

Reencontre seu guarda-roupa. Observe tudo sem julgamentos, com menos cobrança, refletindo sobre quem somos hoje, o que mudou, o que queremos pro futuro, pensando nos desejos de acordo com as novas necessidades.

Tem sido um bom exercício, apesar de algumas crises. E pra vocês, como foi o vestir no retorno às atividades? Bom, por ora ficaremos quietos ainda, por conta da nova variante, mas vamos q vamos.