Comprando roupa antiga!

Esse macacão é um desejo antigo q consegui comprar, coisa de uma década, cravado. Pois então, eu tenho uma fixação em certas peças do passado que eu não pude comprar por motivos de pouca grana mesmo, começo de carreira, restrições na vida etc. Mas aqui no blog eu já acompanhava muita coisa, principalmente coleções especiais que as fast fashions lançavam, em colabs com marcas e estilistas. E foi em 2011 que eu (e as outras 10 blogueiras que tinham aqui no RJ, rs) fui chamada pra um evento pequeno para mostrar a coleção inédita no Brasil, de uma estilista estrangeira – no caso, Stella McCartney – com a cea. Só que não ganhamos nada, fuen, hahaha! O post foi esse aqui, só pudemos soltar as informações dias depois!

Até hoje eu nunca vi uma coleção tão bonita, atemporal, bem executada e só com tecidos finos, em fibras naturais, como seda e lã. Era tudo lindo, mas caríssimo pra mim, e no bairro que eu morava a loja ficou lotada das peças pq ninguém entendeu nada daqueles trem caro hahahahaha (zona norte carioca, eu te amo). Eu achei inclusive o folder com as peças, de tão lindo que achei inclusive o material de divulgação.

Bom, há alguns anos eu desenvolvi uma fixação por garimpar desejos antigos daquela ana em sites de vendas de usados. Se vc me perguntar, não sei a trend do momento, nem o q está em alta. Nem me importo. Mas eu lembro perfeitamente de cada uma das peças que eu já desejei. Não estou comprando nada nesse último ano, só coisas da casa, basicamente, mas bato ponto nas buscas, e quando eu avistei no enjoei esse macacão de seda que foi ÍCONE de desejo absoluto dessa coleção, que voou das araras, coisa que eu nunca achei em uma década de garimpos online, arrematei.

E eu acho que ele veio na melhor hora, no momento em que meu cabelo ornou melhor com essa formosura. A Ana de 2011 ficou feliz. 🙂

A nova Ana

Esse look fez muito sucesso no Instagram, em que eu brinco que fiz minha versão Cruella de Vil. Nunca recebi tanto engajamento em uma foto de look (o cabelo foi o mais elogiado, aliás).

Eu decidi repaginar todo meu estilo a partir do momento que desapeguei de tantas e tantas roupas recentemente. Roupas que eu guardava para eventos, roupas que tinham destino apenas para editoriais pro Instagram e blog, roupas que eu usava para ilustrar ideias sobre cores e vestir. Roupas que até gostava, mas definitivamente não me representam mais. É realmente impressionante como o puerpério da uma sacudida violenta na gente, nos tira do eixo para que a gente ache que estamos nos desencontrando de nós mesmas…mas na verdade ele descortina tudo que não era essencial para elucidar o que importa.

E foi assim que anos e anos de peças garimpadas e conquistadas se foram. Sabem, as vezes eu fico triste, com saudade de ter um armário grande, mas agora nem armário mais eu tenho, rs, é isso também me trouxe alívio. Alívio porque era muita roupa para agradar os outros e eu não enxergava isso. Roupa garimpada de marcas muito bacanas, mas mais no calor da emoção, naquela busca de algo elegante etc. Fez parte, mas não sou mais a mesma de quando comecei o blog, obviamente tem uma década aí de intervalo.

E é com muito orgulho que eu digo que essa nova versão da Ana Soares me deixa mais em paz com quem eu sou, mais animada inclusive. Até com meu cabelo, que me mantinha convicta na ideia do curtinho, mas com algum incômodo, confesso, e eu não sabia pq! Antes o cabelo era conceito, agora ele é reflexo natural de quem eu sou, é isso se sobrepõe ao conceito.
Eu sempre gostei de fazer postagens prestando serviços sobre estilo, cores e custo x beneficio, agora sem ler quase nada sobre nem chegar perto de uma loja há tanto tempo, não que eu não vá mais falar sobre, mas me trouxe mais proximidade ao que eu queria experimentar e vestir sem interferências externas, haha, sem me influenciar por vitrines ou medo do engajamento do Instagram.
Não que eu não seguisse meu estilo antes, mas como se eu estivesse mais segura ainda de mim e não precisasse de tanto para mostrar meu conhecimento e quem eu sempre quis ser e, melhor, sem gastar nem 1/5 do que eu gastava antes em busca disso. 🙁

Enfim, nem sei se está papinho hahahaha, mas achei bacana deixar isso escrito e registrado aqui, pq é um processo que se molda ao tempo e às necessidades, e eu passei por isso no plano pessoal. Ter a Nina quebrou muitos e muitos conceitos e ideias que eu tinha certeza e me deu a oportunidade de rever com muita leveza.

Festa de um ano da Nina: sem gastar com roupas

Nina fez um ano e eu nem acredito que sequer escrevi sobre o parto dela aqui no blog, hahah, ai instagram…você roubou mesmo minha audiência e até meus registros que viriam primeiro pra cá! Aguentem aí que escreverei sobre essa experiência surreal hahaha

Bom, Ninoca aniversariou e eu tenho um orgulho danado de estar firme e forte nas minhas convicções. Nunca usou sapato, tem pouquíssimas roupas – sempre tivemos parceria também com guarda roupa compatilhado de nenéns –, nunca coloquei um laço de fita nela (não acho necessário, assim como brincos, marcadores de gênero)…e no aniversário dela, usou uma roupinha desse esquema circular para bebês, não gastamos com nada novo!

Até a festinha foi do jeito que eu sempre quis, em casa, com enfeites simples mas que retratassem o mundinho dela, o mundo do tamanho de uma volta no quarteirão, com todos os personagens da vizinhança que ela adora: os papagaios que vêm de manhã e tarde falar com ela, os cachorros esbaforidos do vizinho da rua de baixo, os pássaros, os gatos que fazem maior arruaça, ahaha, os peixes do laguinho da casa da outra rua…todos do mundo da Nina, esse universo tão cheio de sentimentos. <3

Nina estava com roupa de economia circular e eu também passei essa comemoração a três, só nós, com um vestido que era da minha amiga. Quando ela me ofereceu, eu confesso que aceitei mais pela marca – da finada maria bonita extra –, porque ele não era meu estilo, muito romântico, saia rodada, cor pastel.

Ahahaha, só aqui no blog que eu subo essa foto, descalça, com tapete guardado debaixo do sofá, ahahah, mas no dia não tirei foto bonitinha com o vestido, uma pena.

Bom, voltando à história, minha amiga ofereceu esse vestido que não servia mais nela, eu aceitei. Eu não animei na hora, estava meio larguinho em mim, depois achei que não rolava, até separei para enviar pro enjoei.

Maaasssss, ganhei um corpinho nessa maternidade, fui olhar minhas coisas outro dia, vi o quanto ele era bem executado, resolvi provar….e ele serviu super bem. O caimento é maravilhoso, a saia tem um balanço incrível, eu preciso fotografar melhor para vocês verem! Impecável, e eu acho também que meu cabelo tem contribuído para suavizar tudo, então achei que ele ficou ótimo com esse novo visual!

Resgatei os brincos que eram da minha avó, antigos pra caramba, e foi assim que comemoramos um dia tão especial. Cansados por estarmos isolados e sozinhos há um ano, a casa cheia de coisa pra fazer numa recém mudança, mas felizes por estarmos cuidando desse serumaninho incrível que é a Nina!

Fiquei feliz por não precisar comprar vestido, gastar com isso, nem com nada pra Nina. Porque isso não importa, não mesmo. Foi lindo ter um novo olhar pro que eu já tinha. Foi lindo vestir memórias, uma roupa de uma amiga tão querida, quando momentos assim sempre remetem ao consumo, nós conseguimos mostrar o valor de sermos quem somos, sempre.

A armadilha do desapegar para comprar

Estava conversando com uma leitora do blog e ela comentou que ela é uma pessoa desapegada. Não tem pena de doar e vender roupas que ela não quer mais, não se arrepende depois, não titubeia nem na hora de tirar dos cabides. Mas, apesar de se considerar desapegada por conta disso, ela observou que o vazio do armário a convida para comprar mais e preenchê-lo. Então ela desapega, mas compra em seguida para repor o que se foi.

Acho que uma das “regras” da nova forma de trabalhar com consultoria de estilo que eu não considero mais é a do “entrou um? saiu outro”. A conta não fecha se a grande questão da pessoa é ter demais, peças repetidas, além de perceber que isso não deveria ser a única opção para justificar a saída de uma peça que não acrescenta em mais nada no estilo dela. E o armário continuará abarrotado se for assim – e tudo bem, se você quiser assim, de verdade! Se isso não te incomodar nem atrapalhar, mas estejamos atentas ao que estamos conformadas, usando como bengala, ou atendendo aos ensejos de um sistema que nos leva a consumir e acumular.

Minha mãe é assim, sempre foi extremamente prática com seus desapegos, armário enxuto. Peças incríveis, ela dava tchau sem dó. Mas logo em seguida ela dizia que precisava de uma calça preta nova porque não tinha sobrado nenhuma para ela vestir. Ora, se ela deu as calças pretas, que estavam sem uso, sem significado, pra que ela precisaria repor?

Às vezes são peças que nem gostamos tanto assim, mas compramos porque disseram que precisamos ter, só que não é simples encontrar uma que esteja alinhada com estilo, corpo, modelagem e qualidades boas. Muitas vezes compramos o que ficou mais ou menos para preencher essa “falta” que foi colocada pra gente, quando na verdade ela nem existe!

Ser desapegada é ótimo, o apego é a raiz do sofrimento, já profetizou Buda. Mas o apego está presente também em enxergar o suficiente como pouco. Não é sobre número de peças que temos, quantidade ideal de roupas, peças-chave, itens incríveis, nada disso: o que é suficiente pra você? O que te atende, facilita seu vestir, te deixa bem? Se for mais vestidos que calças, ótimo. Se em algum momento você perceber o contrário disso, ajustes podem ser feitos. Mas a partir da percepção do que seria legal acrescentar para atender uma demanda, e não somente guiada pela falsa necessidade que criaram para nós.