Look com o que restou do meu armário

Dramático o título, mas uma verdade: com a gravidez, a minha barriga fez PLOFT já no primeiro mês e eu perdi, assim, 95% das partes de baixo do meu armário!

Sem saia, short e calça, com o que vou usar minhas blusas? PIMBA, fiquei sem opções de looks, sobrando meia dúzia de vestidos e um macacão 😂

Nesse verdadeiro armário cápsula inerente a gravidez, tenho duas calças que ganhei nesse período – assim pude escolher um tamanho maior que vai render um pouco mais – e assim tenho me virado!

Calça Iara Wisnik

Blusa Reptilia

sandália Luiza Perea que ganhei da marca

fotos: Stella Ribeiro

Pelo menos vou poder ajustar essa calça depois de um tempo, mas só quando entender como ficará meu corpo pós gravidez.

Claro que já me descabelei, já fiquei arrasada olhando pro meu armário não vendo outra solução, mas vou seguir usando as peças que cabem, e acredito que precisarei recorrer a algumas novas, já pensando na amamentação. Quero tentar umas mais baratinhas pro dia a dia, para não esgarçar as roupas que eu amo, além de não correr o risco de enjoar delas de tanto usar.

Eu achando que arrasaria nos looks com a pança, sabe de nada, inocente! Hahaha! Mas vamos ver, de repente me viro melhor do que esperava.

Mandem dicas, aceito todas para um post específico!

Minhas 15 semanas de amor

Quero pedir desculpas pelo sumiço aqui no blog, mas tenho uma justificativa maravilhosa, hahaha!

Eu estou gravidíssimaaaaaaa de 15 semanas!!! ❤️❤️❤️❤️❤️❤️

Perdoem mesmo o hiato, mas tive o meu último batidão de viagens (Belo Horizonte com dois dias de curso, volta pro Rio, vai pra SP em seguida pra mais dois dias de curso), e quem passou por uma gestação vai me entender: gente, o cansaço, o sono, a indisposição TRIPLICAMMMM!! Voltei segunda de SP e precisei ficar três dias de repouso, senão não daria conta!

Para compensar esses dias paradinha aqui de conteúdo, vou ccontar MUITO mais do que compartilhei no Instagram. 🙂

Agora posso falar pra vocês com sinceridade, fiquei os primeiros três meses morrendo de enjoo, mal estar, foi muito terrível. É um mal estar diferente, parece que não passa nunca, alternando enjoo de manhã, tarde e noite (ou seja, sempre, hahaha), com um total bloqueio criativo (eu sentava em frente ao computador e sentia meu cérebro derreter, era incapaz de escrever uma linha e não ter vontade de deitar). Como vocês podem ver, não está sendo fácil, hahaha!

Agora, já entrando no quarto mês, é que tenho me sentido mais disposta para trabalhar, escrever, mesmo que precisando de longas pausas e momentos de descanso. Eu sempre penso no privilégio de poder trabalhar de casa e ter essas pausas, mas imediatamente imagino o tanto de mulher gestante que não pode e eu fico com vontade de abraçar muito todas. 🙁

Mas beleza Ana, nunca vi você escrever sobre maternidade, mudou de ideia?

Recebi essa mensagem na verdade como uma afirmativa “Você dizia que não queria ter filhos”. Eu não sei se essa pessoa pegou essa minha fala de uns 10 anos atrás, quando eu não queria MESMO, até porque continuo acreditando que maternidade não é compulsória, que ninguém muda de ideia com o tempo só porque dizem ser “”””biológico”””. Eu estava em um outro momento de vida, com um casamento que eu não sentia mesmo vontade de ter filhos, onde eu sabia que teria uma grande carga mental cuidando sozinha de casa, do companheiro e de uma criança.

Lembro de perguntar pro meu ex “E aí, quer ter um filho?” e ele “Não sei”. A pergunta, na verdade, era: Por que eu perguntava isso pra ele? Mas e eu? Qual era a MINHA resposta? Eu sabia ou jogava uma questão que nem eu sabia responder?

Mas, até onde eu lembro, não é um assunto que se trata assim abertamente em um blog. Os nossos desejos são íntimos e muitas vezes nem nós mesmas entendemos o que acontece. Será que é desejo mesmo? Será que estou sendo levada por uma imposição social?

Como a maioria acompanhou, em 2017 eu me separei depois de 15 anos, fui me encontrar e entender que mulher eu era. Fui me colocar no colo, me afagar, me perdoar. Eu não poderia sequer pensar em ter filhos, sem antes compreender sobre mim mesma, sobre meus caminhos, o que era prioridade na minha vida, os meus MEDOS.

Decidir ter filhos é uma dicotomia louca. Tocam o terror sobre o assunto, como se fossem capazes de destruir sua vida, sua individualidade, ao mesmo tempo que cobram uma posição das mulheres, aterrorizando sobre um prazo de validade inventado para, mais uma vez, controlarem nossos corpos, decretarem nossa vida útil, nos tornarem fábricas de consumidores e de mão de obra. É realmente bizarro o que fazem conosco, mas foi acompanhando mulheres maravilhosas que eu vi que eu não precisava de coragem, mas de amor.

Conheci Igor e desde sempre falávamos em ter um filho. Nem ele, nem eu pensamos nisso em nossos relacionamentos anteriores, mas esse desejo surgiu como uma força, sabe-se lá de onde. Só sei que sentimos, só sei que foi poderoso demais sentir isso, tentamos e veio. 🙂

O armário cápsula da grávida

Agooooooooora que vamos ver o que é um armário cápsula de verdade, meu povo! hahaha!

Vestido Osklen comprado em bazar
Sapatilha Estudio NHNH
Bolsa de tecido
Brincos ErikaZ

Perdi 85% do meu armário e estou me virando com o que cabe, hehehe! No primeiro momento foi desesperador não ter opção de roupas, as minhas roupas, aquelas que eu já conhecia de cor, os looks curingas que eu sabia que funcionavam, todos, todos se foram.

De primeira fiquei bem chateada. Depois pensei que a vida tem dessas mudanças, que será a primeira de muitas e bola pra frente! Ainda vou escrever um post só sobre adaptação de roupas nessa fase, aguardem.

Só estou cuidando de não esgarçar as roupas que amo, de ver opções para agora e depois, enfim. Enquanto não escrevo esse post, deixo vocês com esse lookinho que AMEI, que ressaltou mais ainda a luminosidade que a gravidez proporciona. 🙂

Um beijo enorme, e prometo não falar só de gravidez aqui, hahaha, apesar de ser um blog pessoal. 🙂

O espaço do Moda Pé no Chão vem aí!

Tem um taaaaanto de coisa acontecendo, que nessa correria de viagem, últimos cursos do ano, projetos novos e etc, não consegui vir aqui no blog conversar com vocês. Desculpem por isso, até porque não quero que esse conteúdo seja apagado pelo hype do Instagram, mas também estou tentando pegar mais leve comigo, sabem? Antigamente eu viraria a madrugada escrevendo mas, na conjuntura atual, eu entendi que o melhor pra mim é descansar para estar bem nas aulas, do que simplesmente atualizar as redes por atualizar.

Um dos motivos que me fizeram ficar nesse corre, e que vai consumir um tempo bom nesse fim de ano, é que o Moda Pé no Chão vai ter um espaço dele! 😀

Simmmmm, um espaço físico, para termos rodas de conversa gratuitas, ao vivo e a cores, cursos tanto para público final, quanto para consultores de estilo e profissionais interessados nessa área :))

a sala ainda no esqueleto

Eu já estava com a ideia de ter um local em que pudesse desenvolver melhor tudo que eu tinha de ideias para o Moda pé no chão, mas não pensava ainda como fazer isso. Após o curso de Formação em Consultoria de Estilo, que rolou em agosto/setembro, meu amigo que deu aula de história da moda no meu curso, veio comentar sobre essa vontade.

O curso foi tão transformador também pra nós dois, que fomos os professores, que não teve como passar batido o desejo de reforçar a missão de termos um espaço para acolher mulheres em busca do autoconhecimento, contribuindo para suas emancipações financeiras e autoestima.

Meu amigo comentou que já tinha uma sala comercial fechada há anos, numa localização ótima no Centro do Rio. Fomos lá e o lugar atende super bem esse início de jornada. ❤️

A foto é do dia que abrimos a sala. Vamos fazer obras e melhorias, hoje a designer de interiores foi lá para começarmos o projeto e assim vamos, correndo atrás do que for possível, para concretizarmos o quanto antes essa ideia que vai respaldar tantos e tantos anos de trabalho, iniciado há 11 anos, numa brincadeira durante o expediente. 🙂

Ainda não mostrei nada no Instagram, porque acho que essa notícia deveria ser dada primeiro aqui, no blog, onde tudo começou. E, à medida que formos avançando, vou dividindo com vocês, que sempre estiveram aqui comigo.

Mas não pensem que os projetos ficarão só no Rio de Janeiro não! Em novembro começo a gravar os cursos online, pra todo mundo aí pelo Brasil e mundo também fazer parte!

To feliz e animada, gente! Vamos que vamos, juntas!

Os desafios da sustentabilidade em evento da Renner

A Renata Tufano, minha amiga querida que ama garimpos em brechós e sempre me ensinou muito sobre caimentos, tecidos e processos, foi minha representante em São Paulo no Workshop de práticas sustentáveis pela Renner que eu fui convidada mas não pude ir. Ela escreveu sobre o encontro para debatermos aqui:

Na quinta-feira, 10/10/19, as Lojas Renner organizaram um workshop no Instituto Tomie Othake em São Paulo para discutir os desafios de manter uma prática sustentável em todos os aspectos de seu negócio. Estive presente representando a Ana Soares, do Moda Pé no Chão, que gentilmente me cedeu o convite.

As Lojas Renner são uma das maiores fast fashion do planeta, com um faturamento anual que ultrapassa 1 bilhão de reais, de acordo com o relatório de 2018. A sustentabilidade está presente na missão e nos valores corporativos da Lojas Renner. A varejista assumiu alguns compromissos públicos para o ano de 2021 como, por exemplo, ter 80% dos produtos feitos com matérias-primas e processos menos impactantes, utilizar algodão certificado em 100% de sua cadeia de fornecimento, entre outros.

Como parte dessa reestruturação, a marca também criou o selo Re – Moda Responsável, que representa uma forma de pensar e praticar a sustentabilidade em diversas esferas de seu negócio. “As iniciativas da Renner nesta área envolvem um trabalho contínuo de pesquisa e desenvolvimento de produtos que é feito em parceria com a nossa rede de fornecedores. Acreditamos que este é o caminho. Quanto mais integrada e engajada estiver a cadeia têxtil, mais viável será para produzir de forma sustentável em larga escala”, conta o gerente sênior de sustentabilidade da Lojas Renner, Eduardo Ferlauto.

A coleção contempla diferentes atributos de sustentabilidade, seja pelo uso de materiais alternativos ou pela adoção de processos e tecnologias que diminuem o impacto ao meio ambiente. Dentre as matérias-primas utilizadas estão o algodão BCI, a viscose certificada, a poliamida biodegradável e o liocel. Outro destaque é o fio reciclado, resultante do reaproveitamento de resíduos de malha da própria varejista, dentro do conceito de fechamento de ciclo da economia circular. “Ficamos felizes em disponibilizar aos nossos clientes produtos com atributos sustentáveis, qualidade e informação de moda”, diz Fertulato.

No workshop, a discussão foi acerca da conscientização do cliente e de como o atributo de sustentabilidade muda a experiência de compra, escolha ou de consumo. O que chama a atenção é que a Renner não quer apenas fornecer produtos que impactem menos o meio ambiente, mas modificar os sistemas de gestão de seu próprio negócio, reaproveitando materiais usados nas embalagens e transporte, gerando menos lixo ao utilizar reciclagem nos pontos de venda, fábrica e sedes administrativas, e fomentando a discussão entre seus colaboradores.

Falando neles, o intuito, com meta para os próximos 5 anos, é que estes se tornem embaixadores da causa, não só dentro da loja, mas que apliquem essas mudanças em seu dia a dia. Uma coisa simples, como não usar mais copos de plástico descartáveis, é o tipo de mudança que se espera desde hoje. Ações como coleta de roupas (já em andamento em algumas lojas porém com pouca informação para o consumidor que procura essa iniciativa), entender esse novo selo RE, explicar para esse (talvez) novo consumidor que se interesse pelo modelo e queira consumir Renner justamente por causa dessa nova proposta, é o novo desafio. Educação para a ação.

Mas ainda é uma fast fashion

Não nos enganemos, no entanto. A Renner continua gigante e sua pegada é funda. Porém, desde 2016, 100% das emissões de gases de efeito estufa estão sendo compensadas, o consumo de energia está migrando para fontes renováveis (4 lojas piloto no Rio de Janeiro já operam com energia solar) e a melhoria dos processos e educação da cadeia produtiva gera um efeito dominó que acaba por gerar outras empresas investindo em processos sustentáveis.

Ainda há muito que se fazer e disso não resta dúvida. Mas, como frisado por todos os presentes, o importante é começar. Se uma das missões da Renner é encantar o cliente, que comece pelo encantamento da consciência de uma nova era, onde seja possível levantar essas questões e considerá-las relevantes num ambiente onde o lucro e a velocidade ainda prevalecem. É preciso, urgentemente, plantar a semente e se comprometer com seu crescimento.

Renata Tufano é pós graduada em História da arte, escritora e estudiosa de moda. Acompanhe seu blog aqui.