O que eu gosto de vestir na praia

Cariocas normalmente não são adeptos de vestimentas de praia que não sejam um short jeans e uma regata – aqui dificilmente usamos qualquer coisa diferente disso. Eu gosto de usar camisas como saída de praia e o assunto rendeu no instagram quando mostrei minha mini mala praiana.

Eu fiquei 6 dias na região litorânea e levei numa mochila:

– 3 vestidos leves de malha
– 3 camisetas sem mangas
– um short de elástico (porque só tá cabendo um mesmo, haha)
– 2 camisas de algodão e linho, camisa estilo social, de botão
– 1 tênis
– 1 chinelo
– necessaire com produtos de higiene pessoal
– 1 par de brincos

Usei o short e regatas mais pra ficar em casa e na praia usei uma camisa social antiga do Igor, mas resgatei uma foto antiga usando uma camisa listrada de linho da Osklen que eu AMO, uso tanto no dia a dia quanto pra momentos como esses, relax. Como eu disse pra vocês, lá no instagram foi rebuliço do pessoal dizendo que não usava as camisas de sempre para praia por medo de manchá-las. Eu entendo esse receio e chamei vocês pro papo!

Na 1ª foto uma camisa que uso tanto pra cotidiano quanto na beira do mar, essa listrada de linho. Adoro, acho um visual elegante e uso sem dó. Na foto prenha, uma camisa social masculina, que Igor tinha aqui e me deu quando viu que eu estava sem caber nas minhas camisas habituais. Muita gente comentou que gostava da ideia, mas tinha muito receio de manchas de suor, protetor solar e afins nas roupas (calor já é outra conversa hehe).

Eu sou dessas que usa o mesmo guarda roupa tanto para uma reunião, quanto para dar um mergulho. Roupa tá aí pra ser usada, se não a pena de sujar prevalece, nunca usamos, daí um belo dia abrimos o armário e descobrimos que a dita cuja está manchada de guardado 🤭 Sem contar que a mala rende muito mais quando não setorizamos tanto assim.

A camisa listrada é meu amor, curingona, mas mesmo assim uso até ficar bem estrupiada, até sacar que as manchas já estão extrapolando o bom senso, e mando pra lavanderia, onde todas as manchas somem magicamente!

Protetor solar mancha? Dependendo, sim. Tomar açaí e cair na blusa, mancha? Putz, sim. Gente, VIVER deixa marcas e isso se aplica às roupas, que estão ali vivendo a vida em nossos corpos. Uma esfregada mais dedicada com detergente na mancha seca, e pronto, ninguém nem nota. Tem roupa que tomo o maior cuidado e, pimba, percebo um furo, um encardido, sabe-se lá de onde. Então eu sei que isso depende de uma série de fatores (privilégio branco, empresas com homens ocupando cargos de poder que exigem uma impecabilidade das funcionárias), mas a mensagem hoje é que tem uma vida acontecendo sem rascunho, e eu gosto de me sentir eu mesma todos os dias. 😊

Você tem cara de menina

Voltando às postagens em 2020 com um tema que adorei escrever sobre, o tal ter cara de menina.

“Sempre falam que tenho cara de menina, preciso passar uma imagem mais séria”. Ouvi esse relato muitas vezes no curso de sábado, assim como ouço sempre de clientes e amigas. E cada vez que ouço fico encafifada, porque são sempre mulherões da porra, mas se colocando menos do que são ou buscando uma forma de contornarem essa grande questão que jogaram pra elas: só serão percebidas se adotarem vestimentas condizentes com a imagem criada de mulheres no mercado de trabalho. Eu olhava pra elas e não entendia de onde as pessoas estavam tirando esse julgamento.

Aliás, eu entendo sim. Vem de um mercado com referências e cargos elevados muitas vezes ocupados por, vejam vocês, homens ou então de mulheres que infelizmente ainda reproduzem machismo. Se elas vestem tênis e camiseta, se possuem franja, se não estão usando maquiagem, se de alguma maneira o rosto não apresenta as marcas de quem supostamente se mata de trabalhar, pronto; na primeira impressão, alguém com quem nunca se trocou uma palavrinha sequer, já busca a validação de outra pessoa que aparente mais experiência, seja mais vivido, que fale mais grosso (quase sempre pedem pra falar com um homem).

Parece que para sermos profissionais ou levadas a sério, é necessário não falarmos fino, nem suave, não ter gestos delicados, nem usarmos estampas de flores. O signo da representação feminina colocada no papel da subserviência, pior, a criação de uma imagem que julgue mesmo que você siga todas as regras e códigos de vestir. Se está mais velha, a luta vem para não aparentar a idade e não ser colocada de lado, com a estúpida desculpa de “renovação” na empresa.

Eu trabalho com o vestir, entendo a necessidade de adequação, mas não corroboro com construções patriarcais. Se eu acredito na liberdade do vestir, eu preciso falar que não existe coerência em contratar alguém e repetir essa frase – sempre no sentido depreciativo do feminino. Isso parece mais uma estratégia de controle e desmerecimento propositais.

Se você quer trazer mais identidade e posicionamento no seu estilo, acho lindo. Mas saiba que meninas são tão fortes e potentes quanto mulheres adultas. A sociedade que aprenda a respeitar e reconhecer toda essa diversidade de mulherões que existem no mundo.

Estilo na gravidez: vestido estampadão

E aíiiii, gente! Feliz 2020! 😀

Enquanto não voltamos à produção constante de conteúdo aqui, dá-lhe looks pançuda para inspirar! Já estou fazendo o planejamento do conteúdo pro blog, mas dando também uma pausa merecida da correria dos últimos meses. Amanhã viajo para ficar uma semaninha descansando na praia, o que já vai gerar conteúdo pra cá e pra outras redes sociais sobre mala de viagem de verão!

Bom, cheguei num momento da gestação em que a barriga realmente limitou meu guarda-roupa e meu vestir. Mas limitou com força, hahaha, papo de não conseguir nem pensar em saias, shorts e calças. Quer dizer, tenho apenas dois shorts de elástico servindo, mas de qualquer maneira cheguei naquele momento em que precisei sim comprar roupa para me sentir bonita. Eu não quis pensar muito além de estar bonita e confortável, porque se for começar a colocar muitos critérios (roupa pra amamentar, por ex), eu surto. Tenho certeza que tenho peças aqui para a fase do mamá e tudo bem. 🙂

Dito isso, foi um parto, hehe, conseguir alguma roupa que entrasse na pança e fosse estilosa. Como não estou conseguindo andar muito, garimpei online e achei essa MARAVILHA de vestido! Amei de paixão o modelo dele, a estampa, as cores. Tudo incrível demais, e ainda por cima é de malha canelada! Comprei sem dó e ele já virou parte integrante do meu corpo, hahaha!

Vestido Augustana
Bracelete Adô Atelier
Tapete Rider + Melissa

fotos: Stella Ribeiro

O resto todo era o que eu já tinha aqui em casa, e tudo super antigo ou não tão recente! Acho que o toque de mestre quando estamos grávidas e nada mais serve ou veste tão bem, é pensar nos acessórios: brincos, braceletes, relógios, lenços, óculos escuros, sapatos e bolsas. Porque mesmo basiquinha, eles ajudam a deixar o look mais interessante. Vale até um batonzão vermelho!

Eu não sou fã de malha, gosto de tecidos mais encorpados, mas o modelo do vestido, com essas mangas e gola, e a estampa, gráfica, enorme, ajudaram a deixar o visual da peça com essa estrutura que eu curto e faço questão de ter nos meus looks. Esse é meu estilo de estampa de verão, sabem? Não sou fã dos florais e das estampas miúdas.

Mesmo no calor dá pra usar com essas mangas, e acredito já estar satisfeita para que ele seja um dos poucos remanescentes a aguentar a barriga esticar até o final da gravidez! 🙂

Meu balanço de 2019

Como faço todo ano, há 11 anos nesse blog, hehe, rola sempre um balanço geral do que fiz, do que não fiz, do que vesti e das coisas legais do meu ano. Esse ano, em particular, foi um ano ruim para conteúdo aqui, nesse espaço que mantenho com carinho, por ter sido o divisor de águas na minha vida.

As batalhas

A queda de audiência do blog, que praticamente migrou para outras plataformas. Coloco aqui minha mea culpa: por conta de empreitadas maiores, como meu curso de Formação em Consultoria de Estilo, priorizei a atualização do instagram; além disso, a gravidez me deixou uns três meses inapta a escrever sobre os temas, me deixando também longe de novidades, ou de outros projetos que eu pretendia refazer por terem sido sucesso aqui, como os Roteiros de brechós e de Lojas de Fábrica.

Fora isso migrei de servidor, por conta do péssimo trabalho do anterior, perdi um ano inteiro de arquivos de postagens e só vi depois. Além disso, outros problemas surgiram, como comentários duplicando e sumindo, etc, que só se ajustarão se eu desembolsar uma puta grana que não tenho agora.

Fiquei triste, mas também aprendi em 2019 a elencar prioridades e escolher minhas batalhas. Não estou abandonando as coisas, mas entendendo que sou uma só, que não tem como acompanhar tanto o ritmo de tudo e tudo bem. Me proponho a fazer o bem feito agora com mais foco, me estressando bem menos e me sentindo mais segura das escolhas.

As escolhas

Isso foi uma diferença enooooorme no meu ano. Até metade dele eu estava estresse puro, me sentindo cobrada, pagando gente pra tentar planejar coisas pra mim, essas pessoas me cobravam mais ainda…até que eu me toquei que assim não dava. Que seria eu a perder e muito nessa história. Parei tudo, me dei descanso, relaxei e adotei, finalmente, após tantos anos, uma postura melhor em relação à mim: me botei no colo. Que essa cobrança estava partindo de mim, se as pessoas me cobrassem…eu precisaria escolher melhor o que priorizar. Não posso nem quero mais ser super mulher, eu quero é viver minha vida com mais leveza. Ler Sociedade do Cansaço foi decisivo.

Quando comecei a reparar mais em mim, após tantos anos, eu finalmente coloquei em prática o que planejava desde janeiro, que foi deixar meu grisalho livre. UM DIVISOR DE ÁGUAS na minha imagem! A leveza começou a surgir daí, a libertação, quem eu sou de verdade. Nem me reconheço mais nas fotos dos cabelos tingidos, haha!

foto Renan Viana

Desencanei de fazer as unhas e larguei o laser dos pelos, adotei uma postura mais respeitosa sobre meu tempo, dinheiro e, principalmente, meu corpo e como me percebo. 

Os frutos

Eu olho minhas fotos de janeiro e vejo o TANTO que cresci esse ano. E, claro, a gravidez que veio com alegria e muito amor, regada de uma consciência importantíssima para eu estar bem para a chegada do neném. 🙂

Além disso, meus cursos e projetos foram, em sua maioria, bem sucedidos! Trabalhei MUITO e isso finalmente se voltou para a minha tão sonhada estabilidade financeira.

O Workshop Conheça suas Cores chegou no seu terceiro ano, com 400 análises cromáticas no total, com uma edição em Lisboa, outras em Belém e Fortaleza. Tive contratempos e perdas infelizmente em duas capitais, mas entendi mais uma vez sobre o tal lance de não ter poder sobre tudo.

Eu tenho um carinho especial por esse projeto, porque ele foi responsável por muitas mudanças.

Fora ele o sucesso do meu curso de Formação em Consultoria de Estilo, que extrapolou o número de inscritos, que abraçou duas bolsistas, que transformou a vida dessas maravilhosas que apostaram no meu conhecimento. Que alegria! Aliás, já temos vagas abertas pro curso de 2020!

Além disso estamos com o planejamento do Espaço do Moda Pé no Chão, que contará com grupos de estudo, locação de material para análises, rodas de conversa de estilo para mães, e muito mais.

No online, se tudo der certo, finalmente vai sair, além de novas turmas e atendimentos individuais de Mentoria Furação de Ideias.

Recesso

Estou animada com tudo que 2020 irá me oferecer. Animada, calma e certa que tudo vai dar certo, mesmo quando dá errado. Porque a vida é assim. E tudo bem. 🙂

Um feliz 2020 pra vocês. Nos vemos após meu recesso, dia 15/01! Manterei meu instagram atualizado!