Qual é o discurso que estamos comprando?

“Ana, a Loja 3 mostra quem costurou as peças nas etiquetas das roupas, olha que bacana”. 

Recebi muitos comentários contando essa novidade da marca. Nesse ínterim, uma amiga contou de alguns relatos de abuso com os funcionários agora em janeiro, cheguei a mandar mensagem para marcar uma visita à fábrica, mas nunca veio o retorno. Aliás, há anos que eu não entrava nas lojas da marca e até me assustei ao saber que tinha aberto em São Paulo mais duas lojas.

Há poucas semanas a amiga de uma amiga veio mostrar toda feliz um vestido preto comprado na Três por QUARENTA E NOVE REAIS. Eu perguntei de novo o preço. Eu sabia que os preços da Três não eram caros, mas também pensei que a conta não fechava para custarem tão barato, mesmo numa liquidação. Qual era a diferença pra uma fast fashion?

Hoje o nosso dia foi tomado com a denúncia do Universa Moda de racismo, gordofobia e assédio moral da loja Três, marca carioca que mantinha o slogan “Três por vocês”, por desenvolver, de forma colaborativa, coleções com influenciadores, profissionais da moda e artes, em uma velocidade digna de fast fashion. A marca, cujos donos são a mãe, Guta Bion, e seus dois filhos, Francisco e Fernanda Bion, passou a ficar hype no instagram, e, recentemente, investiu no público paulistano com duas lojas na capital, sendo uma dentro do JK, shopping de alto luxo.

As histórias são assustadoras.

A matéria do Universa ouviu 11 ex-funcionários da empresa que relataram todas as atrocidades que ouviam e pelas quais passavam diariamente, vindos diretamente das donas da marca. No meu inbox do instagram recebi mais relatos, de outras marcas cariocas inclusive. As histórias causaram repulsa e muita, mas muita gente (eu inclusa) foi esculhambar a Três na sua patética nota oficial, em que debocham de todos nós, com seu cinismo.
O escândalo da Três escancarou como é muito fácil ser seduzido por um projeto de marketing que faz uso do discurso empoderador, da moda ética e justa para fazer greenwashing e se dizer engajada das causas. Está em alta, ou seja, apropriar-se de discursos VENDE. Fizeram coleções com duas colegas minahs de blog, a Luiza Brasil, jornalista e ativista negra, com destaque no mundo das modas, e com a Nuta Vasconcellos, à frente do GWS, que é uma rede sobre desenvolvimento e autoestima das mulheres. Nuta recebeu ontem vários relatos de ex-funcionárias que foram obrigadas a esconderem os manequins de roupas para gordas, a mando da dona da marca. Ela inclusive nunca recebeu nenhum retorno sobre o aumento prometido da grade de tamanhos.

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Reuni alguns dos depoimentos que recebi por inbox do instagram, seja de funcionários que trabalharam lá ou em outras marcas conhecidas cariocas.

Quem trabalha no meio não ficou nem um pouco surpreso, pois é comum se deparar com declarações assim, infelizmente. Eu mesma já presenciei num evento a dona de uma marca falar que não existem minorias e nem machismo, que “somos todos seres humanos” – isso em pleno evento de dia das mães em que eu mediava a conversa. Imagina nos bastidores.

Uma marca familiar, em que a mãe e os dois filhos destilavam sua aristocracia branca para seus funcionários, o que chocou a todos foi perceber como somos facilmente manipuláveis pelo capitalismo. Como esse sistema cria mecanismos de sedução e deslumbre e nos coloca no meio para também arder. Sim, porque também temos nossa parcela de culpa aí, como bem relatou outra leitora: é preciso reavaliar URGENTE nossos critérios de compra, o ritmo em que compramos, bem como nosso poder de questionar, refletir e investigar. De querermos o menor preço a qualquer custo, novidades o tempo todo, tudo isso implica em contratar mão de obra mais barata, que produza de forma precária e veloz.

O erro começa desde o momento em que o trabalhador precisa sair de casa, pegar condução lotada e ter que mentir sobre o bairro em que reside, para poder ser contratado. Empresários se beneficiando dessa desigualdade para contratar com salários irrisórios e se acharem intocáveis – haja vista a demora para o Ministério Público apurar denúncias, a certeza de vivermos em um país onde a impunidade grita na nossa cara, uma elite que se mantém superior em relação a um grupo social mais desfavorecido, que precisa desses empregos para pagarem suas contas.

Conheço a marca há uns 5 anos e lembro de ter perguntado a eles na época onde as roupas eram produzidas – responderam com todo esse lorotelling, de que eram uma pequena empresa familiar, que tinham uma fábrica no interior do Estado, por isso conseguiam produzir com relativa rapidez. Achei ótimo, porque né, fiz minha parte, perguntei, responderam. Mas não consegui ir além de compreender que não basta saber quem costura suas roupas, mas de compreender que a cadeia de produção, toda ela, precisa ser justa.

Comecei a visitar ateliês de marcas e observar que faz muita diferença quando estamos ali, do ladinho da loja, conversando com modelistas, com costureiras, com quem monta as peças, bordadeiras e todos os envolvidos no processo das coleções. Isso demanda tempo, não se conhece uma marca e sua essência em passadinhas rápidas nas lojas ou no feed do instagram.

Marketing de aparências

Muita gente se sentiu enganada pelo discurso cheio de representatividade deles, fora os preços não muito caros. Acreditamos, apostamos, dava orgulho ter a sensação de constribuir. Mas uma coisa positiva, ao menos, é perceber que episódios assim possam contribuir para novos e importantes questionamentos da parte dos consumidores. De entendermos que não adianta apenas receber essas informações oriundas do instagram e de etiquetas das roupas. Tudo nesses espaços pode ser propagado como correto e maravilhoso, sendo que não nos diz NADA.

Não há a informação de como é a condição de trabalho dessas mulheres, o salário delas, o tratamento que recebem. Mesmo sob a justificativa que as pessoas precisam de emprego e um boicote acarretaria a demissão em massa, eu compreendo que NINGUÉM merece passar por tortura psicológica e física (com fome em backstage de eventos e papel higiênico regulado, como noticiado na matéria) para não fazer parte da estatística.
Torço e me coloco à disposição para tentar ajudar essas pessoas corajosas que denunciaram, assim como toda a equipe, a encontrarem empregos que as acolham e as valorizem.

Mas o que fazer?

Reduzir o consumo, entender que não precisamos de tanto, sempre, pode ser um importante começo. De verdade, havia séculos que eu não entrava nessa loja, tanto que nem sabia do novo layout dela e muito menos que estava em alguns shoppings do Rio e de SP. E não é alienação, mas buscar outras formas de atualizar meu guarda roupa e entender que o mercado precisa se adaptar a isso.

Justificar consumo só para não falir o sistema não contribui para a mudança de cenário. Não existe uma preocupação da indústria que mais emprega mulheres nesse país para com elas e muito menos com sustentabilidade. Estou lendo para tentar buscar mais informações sobre esse assunto, por isso a contribuição de vocês será muito bem vinda.
Também faz parte lutar contra uma sociedade racista, se posicionar implica em não comprar nessas lojas, assim como não admitir quem favorece a precarização do mercado de trabalho.

Riachuelo arquivada

Riachuelo-e-A.Niemeyer-2-3

Eu fiquei MUITO feliz de ler o posicionamento da grande maioria nos comentários do post sobre a coleção especial da Riachuelo. Não dá para falar mesmo de empresa que pregava restrições de direitos trabalhistas, nem que se mostra favorável a reforma da previdência. Eu fui bem clara, apesar de breve, na minha colocação sobre a empresa e me mantenho assim. Muita gente estava me perguntando se eu não ia comentar sobre a coleção, mas se arrependimento matasse, eu estava estirada: mesmo gostando do trabalho da A. Niemeyer e querendo falar com imparcialidade, a Riachuelo não merecia esse cartaz por aqui mesmo não, por isso peço desculpas por ainda ter falado sobre e afirmar meu posicionamento declarado, inclusive, nas redes sociais e por email para a assessoria de imprensa da rede: EU NÃO ENTRO MAIS NA RIACHUELO e arquivei o post.

Não é nem um pouco fácil estar aqui sozinha criando conteúdo, então o retorno de vocês foi decisivo para guiar pautas novas pra cá. Obrigada e vamos nessa, porque moda é sobre política, SIM.

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49 comentários

  1. Bruna Lemes comentou:

    Num mar de egos de blogueiras obsessivas por esfregar na cara da sociedade como são ricas e privilegiadas com roupas que pessoas assalariadas nunca conseguirão comprar, você é uma ilha de criticidade e empatia, Ana.

  2. Bruna Lemes comentou:

    Num mar de egos de blogueiras obsessivas por esfregar na cara da sociedade como são ricas e privilegiadas com roupas que pessoas assalariadas nunca conseguirão comprar, você é uma ilha de criticidade e empatia, Ana.

  3. Marcia comentou:

    BRAVO, MIL VEZES BRAVO, ANA!!

  4. Marcia comentou:

    BRAVO, MIL VEZES BRAVO, ANA!!

  5. Júlia comentou:

    vou fazer um comentário não totalmente relacionado ao conteúdo da postagem, mas é cada vez mais difícil frequentar outros blogs de moda e estilo. quando a gente abre os olhos para o que é a cadeia de produção, quem faz as nossas roupas, por que não precisamos consumir tanto, é impossível ter o mesmo olhar sobre as coisas. blogueiras que mostram a peça de roupa em uma única postagem e depois a peça some… nós conseguimos consumir na mesma velocidade? nós precisamos consumir na mesma velocidade? ser barato significa que estamos fazendo um bom negócio? etc etc, dá pra fazer livros sobre isso (e aposto que alguém já deve ter feito). ana, vou agradecer de novo pela lucidez. boa semana a nós

  6. Júlia comentou:

    vou fazer um comentário não totalmente relacionado ao conteúdo da postagem, mas é cada vez mais difícil frequentar outros blogs de moda e estilo. quando a gente abre os olhos para o que é a cadeia de produção, quem faz as nossas roupas, por que não precisamos consumir tanto, é impossível ter o mesmo olhar sobre as coisas. blogueiras que mostram a peça de roupa em uma única postagem e depois a peça some… nós conseguimos consumir na mesma velocidade? nós precisamos consumir na mesma velocidade? ser barato significa que estamos fazendo um bom negócio? etc etc, dá pra fazer livros sobre isso (e aposto que alguém já deve ter feito). ana, vou agradecer de novo pela lucidez. boa semana a nós

  7. maki comentou:

    Ana, achei fenomenal as suas colocações. confesso que já pensei muitas vezes em comprar na 3, já namorei muito as peças de lá, mas agora fico com dor no estômago de pensar em colaborar para um maquinário tão doentio e cruel. realmente, é difícil fugir de um sistema que é, em si, tão maldoso com todo mundo, mas se puder fazer a minha parte, prefiro pensar duas vezes na hora de qualquer compra e seguir com o que meu coração tem me dito, de buscar mais brechós e costureiras de confiança para me ajudar quando o guarda-roupa pedir algo novo.

  8. maki comentou:

    Ana, achei fenomenal as suas colocações. confesso que já pensei muitas vezes em comprar na 3, já namorei muito as peças de lá, mas agora fico com dor no estômago de pensar em colaborar para um maquinário tão doentio e cruel. realmente, é difícil fugir de um sistema que é, em si, tão maldoso com todo mundo, mas se puder fazer a minha parte, prefiro pensar duas vezes na hora de qualquer compra e seguir com o que meu coração tem me dito, de buscar mais brechós e costureiras de confiança para me ajudar quando o guarda-roupa pedir algo novo.

  9. JÉSSICA comentou:

    É isso aí! Espero que cada vez mais essas pessoas e essas práticas cruéis sejam expostas!

  10. JÉSSICA comentou:

    É isso aí! Espero que cada vez mais essas pessoas e essas práticas cruéis sejam expostas!

  11. Denise comentou:

    Bravo!
    Redes que não respeitam seus trabalhadores nã0 respeitam seus consumidores!

  12. Denise comentou:

    Bravo!
    Redes que não respeitam seus trabalhadores nã0 respeitam seus consumidores!

  13. Paula comentou:

    O print já diz tudo: o consumidor (NÓS) continua querendo pagar o menor valor possível por uma experiência/produto impecável. E a Júlia, nos comentários, fez observações totalmente pertinentes. O problema é mudarmos nosso comportamento: temos que nos policiar constantemente para não cairmos na ilusão de estarmos fazendo um “ótimo negócio”… Eu tô tentando, um passo de cada vez….Parabéns Ana pela visão crítica em relação à moda/consumo!

  14. Paula comentou:

    O print já diz tudo: o consumidor (NÓS) continua querendo pagar o menor valor possível por uma experiência/produto impecável. E a Júlia, nos comentários, fez observações totalmente pertinentes. O problema é mudarmos nosso comportamento: temos que nos policiar constantemente para não cairmos na ilusão de estarmos fazendo um “ótimo negócio”… Eu tô tentando, um passo de cada vez….Parabéns Ana pela visão crítica em relação à moda/consumo!

  15. Mari comentou:

    Parabéns pela coerência, Ana! Artigo muito em falta hoje em dia. Também não entro mais “naquela” loja. pode fazer coleção colaborativa com quem for. Beijos!

  16. Mari comentou:

    Parabéns pela coerência, Ana! Artigo muito em falta hoje em dia. Também não entro mais “naquela” loja. pode fazer coleção colaborativa com quem for. Beijos!

  17. karla dani comentou:

    ARRETADO!!!!! você, como sempre, coerente e lúcida

  18. karla dani comentou:

    ARRETADO!!!!! você, como sempre, coerente e lúcida

  19. Cristine comentou:

    Bonito e corajoso seu trabalho. Blogs como o seu ajudam a mudar conceitos, pode acreditar. Sou um exemplo: no primeiro dia de 2019 resolvi não comprar nada que não me fosse necessário (eu, que há poucos anos atrás, comprava algo todo santo dia – literalmente. Eu, que não sabia sair de uma loja de sapatos sem comprar 03 pares, no mínimo).
    Pois resolvi diminuir meu consumo e talvez nem tenha acreditado que cumpriria essa meta “doida”. Para minha surpresa e alegria, não comprei nada (nadinha) durante 2019 de vestuário, sapatos, bolsas, acessórios e nem cosméticos… isso porque, claro, tinha estoques abarrotados de coisas que nem sabia…
    A mudança começou com seu blog e outros, artigos, reportagens e documentários. Me sinto leve, alerta e feliz.
    Obrigada por seu papel na nossa mudança de paradigmas.
    Muita sorte e sucesso para vc, Ana!

  20. Cristine comentou:

    Bonito e corajoso seu trabalho. Blogs como o seu ajudam a mudar conceitos, pode acreditar. Sou um exemplo: no primeiro dia de 2019 resolvi não comprar nada que não me fosse necessário (eu, que há poucos anos atrás, comprava algo todo santo dia – literalmente. Eu, que não sabia sair de uma loja de sapatos sem comprar 03 pares, no mínimo).
    Pois resolvi diminuir meu consumo e talvez nem tenha acreditado que cumpriria essa meta “doida”. Para minha surpresa e alegria, não comprei nada (nadinha) durante 2019 de vestuário, sapatos, bolsas, acessórios e nem cosméticos… isso porque, claro, tinha estoques abarrotados de coisas que nem sabia…
    A mudança começou com seu blog e outros, artigos, reportagens e documentários. Me sinto leve, alerta e feliz.
    Obrigada por seu papel na nossa mudança de paradigmas.
    Muita sorte e sucesso para vc, Ana!

  21. Cynthia comentou:

    Alimento para o pensamento. Também vou evitar entrar na loja Riachuelo justamente pelo fato de o dono dar cabimento a fascista.

  22. Cynthia comentou:

    Alimento para o pensamento. Também vou evitar entrar na loja Riachuelo justamente pelo fato de o dono dar cabimento a fascista.

  23. Rachel comentou:

    Ana, não sei se você já postou isso por aqui, mas além de você há outras blogueiras que trazem o conteúdo como o seu? Sei do Modices, mas conheces outros? Se você conhecer, poderia divulgar? Grata.

    1. Luciana* respondeu Rachel

      Gosto da Carol Burgo, da Jojo do UASZ, da Thais Farage, da Thereza Chammas do Fashionismo. Não é exatamente o mesmo conteúdo, mas são pessoas que se posicionam. Também acompanho o Stylo Urbano, do Renato Cunha. É um blog de moda voltado aos avanços tecnológicos ma indústria fashion. 🙂

    2. Ana Carolina respondeu Rachel

      Eu sou de acompanhar poucos e bons: a Carol Burgo, a Nataly Néri e a Jojo. Acompanho mais gente, mas essas são donas de discursos que conheço e confio.

    3. Ana Carolina respondeu Rachel

      A Thereza Chammas também

  24. Rachel comentou:

    Ana, não sei se você já postou isso por aqui, mas além de você há outras blogueiras que trazem o conteúdo como o seu? Sei do Modices, mas conheces outros? Se você conhecer, poderia divulgar? Grata.

    1. Luciana* respondeu Rachel

      Gosto da Carol Burgo, da Jojo do UASZ, da Thais Farage, da Thereza Chammas do Fashionismo. Não é exatamente o mesmo conteúdo, mas são pessoas que se posicionam. Também acompanho o Stylo Urbano, do Renato Cunha. É um blog de moda voltado aos avanços tecnológicos ma indústria fashion. 🙂

    2. Ana Carolina respondeu Rachel

      Eu sou de acompanhar poucos e bons: a Carol Burgo, a Nataly Néri e a Jojo. Acompanho mais gente, mas essas são donas de discursos que conheço e confio.

    3. Ana Carolina respondeu Rachel

      A Thereza Chammas também

  25. Mariana comentou:

    na moral, as peças da 3 sempre foram mal acabadas e baratas demais pra gente acreditar que aquilo ali fosse um paraíso, mas a maioria desses relatos aí deles não tem a ver nem com barateamento predatório de cadeira produtiva (eu garanto que onde a cadeia economiza mesmo não é papel higiênico e bebedouro), mais com escrotice de gente rica que se acha no direito de ser servida. Por sinal, riachuelo: não compro mais lá, acho que não só o Flávio Rocha é canalha como também rolaram umas histórias de subcontratação que me pareceram ter muito de abuso de poder econômico (no sentido de crime contra a economia, mesmo, tipificado, não só de “pessoa rica escrota”) além de violação trabalhista. Isso tudo dito, reforma da previdência é ESSENCIAL e não precisa jogar tudo no mesmo balaio, tá? devido à transição demográfica abrupta pela qual o país passou, iniquidades do sistema previdenciário e outras coisinhas, a trajetória de gastos da previdência é simplesmente INSUSTENTÁVEL a longo prazo (no curto przo não vai mudar muita coisa, mesmo). Tem vários problemas aparentes sobre a reforma que o governo propõe (embora não necessariamente por mau caratismo, o biroliro não teve um pingo de dizer nessa reforma, o modelo dela foi ebalorado pelo paulo tafner que é um economista bem sério que estuda a previdência há ANOS), capitalização mal explicada, tentativa de passar mudanças trabalhistas na surdina no meio de regras previdenciárias, existe um debate bem razoável sobre a questão do tempo de contribuição (já que o trabalhador brasileiro é bem informalizado…). e te muita gente boa nesse debate: o próprio tafner, o pedro fernando nery, o bianchini (ele é analista do bacen e tem um blog, recomendo demais), a laura carvalho, o nelson barbosa… Apresentei diferentes nomes de vários lados do espectro político que têm diferentes posições sobre a reforma, mas todos concordam que ela é necessária. Achar que não é pra ser e ponto final é uma posição defensiva que eu não acho legal pq acho que mistura alhos com bugalhos como se as opiniões da gente tivessem que ser compradas em bloco , e isso em nada ajuda um tema sério e urgente como a previdência.

    1. Ana Carolina respondeu Mariana

      Ta bem.

      1. Dani respondeu Ana Carolina

        Também tô nessa vibe, “sem tempo, irmão” pra quem quer defender o indefensável

    2. Eliana respondeu Mariana

      Concordo.
      Desenvolver a capacidade crítica com relação à moda, política e economia significa a mesma coisa: buscar informação clara e objetiva, com fontes confiáveis.
      Vejo a reforma da previdência como uma necessidade, simplesmente porque a conta não fecha mesmo! Talvez não seja exatamente a que está sendo proposta, mas tem que começar por algum lugar o debate, e é urgente.
      Com relação à moda, reduzir, reutilizar e reciclar são exercícios sempre, além de muita, muita informação.
      Adoro o blog.
      Obrigada
      Beijos a todas,

      1. Cynthia respondeu Eliana

        Meninas, leiam o livro “A era do capital improdutivo” e/ou vejam esse vídeo do filósofo Paulo Ghirardelli (pós-doutor, dois doutorados, dois mestrados) sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=Z_0KGSQPyS4. O caminho para não ser necessária a reforma da previdência é pela renegociação da dívida do governo com os bancos, e é lógico que eles não querem que isso aconteça né! Então nada melhor do que jogar tudo nas costas dos idosos mais pobres! Vamos abrir os olhos.

        1. Ana Carolina respondeu Cynthia

          Cynthia, muito obrigada por ter sido didática.

      2. Monica respondeu Eliana

        Faço minhas as palavras da Eliana e da Mariana! Uma coisa é uma coisa , e outra coisa é outra coisa… E as duas não são a mesma coisa! E segue o bonde ?????

  26. Mariana comentou:

    na moral, as peças da 3 sempre foram mal acabadas e baratas demais pra gente acreditar que aquilo ali fosse um paraíso, mas a maioria desses relatos aí deles não tem a ver nem com barateamento predatório de cadeira produtiva (eu garanto que onde a cadeia economiza mesmo não é papel higiênico e bebedouro), mais com escrotice de gente rica que se acha no direito de ser servida. Por sinal, riachuelo: não compro mais lá, acho que não só o Flávio Rocha é canalha como também rolaram umas histórias de subcontratação que me pareceram ter muito de abuso de poder econômico (no sentido de crime contra a economia, mesmo, tipificado, não só de “pessoa rica escrota”) além de violação trabalhista. Isso tudo dito, reforma da previdência é ESSENCIAL e não precisa jogar tudo no mesmo balaio, tá? devido à transição demográfica abrupta pela qual o país passou, iniquidades do sistema previdenciário e outras coisinhas, a trajetória de gastos da previdência é simplesmente INSUSTENTÁVEL a longo prazo (no curto przo não vai mudar muita coisa, mesmo). Tem vários problemas aparentes sobre a reforma que o governo propõe (embora não necessariamente por mau caratismo, o biroliro não teve um pingo de dizer nessa reforma, o modelo dela foi ebalorado pelo paulo tafner que é um economista bem sério que estuda a previdência há ANOS), capitalização mal explicada, tentativa de passar mudanças trabalhistas na surdina no meio de regras previdenciárias, existe um debate bem razoável sobre a questão do tempo de contribuição (já que o trabalhador brasileiro é bem informalizado…). e te muita gente boa nesse debate: o próprio tafner, o pedro fernando nery, o bianchini (ele é analista do bacen e tem um blog, recomendo demais), a laura carvalho, o nelson barbosa… Apresentei diferentes nomes de vários lados do espectro político que têm diferentes posições sobre a reforma, mas todos concordam que ela é necessária. Achar que não é pra ser e ponto final é uma posição defensiva que eu não acho legal pq acho que mistura alhos com bugalhos como se as opiniões da gente tivessem que ser compradas em bloco , e isso em nada ajuda um tema sério e urgente como a previdência.

    1. Ana Carolina respondeu Mariana

      Ta bem.

      1. Dani respondeu Ana Carolina

        Também tô nessa vibe, “sem tempo, irmão” pra quem quer defender o indefensável

    2. Eliana respondeu Mariana

      Concordo.
      Desenvolver a capacidade crítica com relação à moda, política e economia significa a mesma coisa: buscar informação clara e objetiva, com fontes confiáveis.
      Vejo a reforma da previdência como uma necessidade, simplesmente porque a conta não fecha mesmo! Talvez não seja exatamente a que está sendo proposta, mas tem que começar por algum lugar o debate, e é urgente.
      Com relação à moda, reduzir, reutilizar e reciclar são exercícios sempre, além de muita, muita informação.
      Adoro o blog.
      Obrigada
      Beijos a todas,

      1. Cynthia respondeu Eliana

        Meninas, leiam o livro “A era do capital improdutivo” e/ou vejam esse vídeo do filósofo Paulo Ghirardelli (pós-doutor, dois doutorados, dois mestrados) sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=Z_0KGSQPyS4. O caminho para não ser necessária a reforma da previdência é pela renegociação da dívida do governo com os bancos, e é lógico que eles não querem que isso aconteça né! Então nada melhor do que jogar tudo nas costas dos idosos mais pobres! Vamos abrir os olhos.

        1. Ana Carolina respondeu Cynthia

          Cynthia, muito obrigada por ter sido didática.

      2. Monica respondeu Eliana

        Faço minhas as palavras da Eliana e da Mariana! Uma coisa é uma coisa , e outra coisa é outra coisa… E as duas não são a mesma coisa! E segue o bonde 😊😊😊😊😊

  27. Adele comentou:

    Maravilhoso texto, Ana!

  28. Adele comentou:

    Maravilhoso texto, Ana!

  29. Marli comentou:

    Afinal de contas, quais são as lojas?
    Preciso é ser mais claro .
    Não deu pra saber na reportagem!

  30. Marli comentou:

    Afinal de contas, quais são as lojas?
    Preciso é ser mais claro .
    Não deu pra saber na reportagem!

  31. vera lucia piazza comentou:

    Nossa, já tinha programado uma visita à Lojatres aqui de São Paulo, de olho numa camisa que achei bacana, mas depois de ler este post, mudei de idéia. Eu não sabia da escrotice dessa loja. Tô fora.