Não quero mais PU

Já comentamos em diversos posts mas acho (acho! a memória falha em 11 anos escrevendo posts) que nunca fiz um post único sobre PU, ou poliuretano, tipo um plástico, já que é derivado do petróleo, que também é chamado de napa, ou,  erroneamente colocado como couro “ecológico”, couro “falso” (faux leather) – sendo que é lei e proibido pela Indústria do Couro o uso desses termos no Brasil.

Eu criei horror de roupas nesse material e vou colocar aqui minha experiência com ele, mas também não consumo nada de couro têm uns bons anos – minha alternativa têm sido outros tipos de materiais empregados pelas marcas de acessórios e roupas veganas, que listarei no final dessa postagem. Não vejo necessidade de consumirmos tantos produtos de origem animal quando temos alternativas muito boas.

saia-ana-soares-pu
minha saia vinho que eu amava de paixão, descanse em paz

O que é então esse PU?

Além de ser meio barulhento, dependendo do tipo de material (sabe roupa que você anda e faz barulho de plástico?), a grande problemática do PU envolve ter sido difundido como um material alternativo ao couro legítimo, sem sofrimento animal, e, por conta disso, ter sido associado a palavra ecológico – faz mais sentido ser chamado de sintético mesmo –; o outro lance é que ele se desfaz completamente em alguns anos e o descarte é muito problemático, pois é plástico, não degrada tão cedo em solo. E você pode ter toda uma rotina de cuidados e manutenção passando hidratante, arejando o armário, não tem jeito: em algum momento ele irá se desfazer e você terá poucas alternativas para recuperar aquela peça, porque esfarela de um jeito que suja tudo o tempo todo!

Ou seja, você compra a peça porque se identifica e, na inocência, entende que aquele material é ok, que pode até ser um couro. Seja em jaquetas, saias, detalhes em blusas, forro interno dos sapatos, nas bolsas, você investe tempo e recursos para durar alguns anos no armário. Eu tive peças nesse material que amava, eram curingas e foi muito frustrante e problemático ambientalmente falando ter que me desfazer delas por conta disso.

Achei essa matéria do Ela, do O Globo, e retirei esse trecho que é a explicação de um especialista sobre o que seria esse material:

“— O que se chama de couro sintético é na verdade um laminado com um tipo de substrato (tecido ou não tecido), geralmente derivados de petróleo. Existem várias formas de fazer esse laminado. Normalmente eles são cobertos com materiais como o poliuretano (PU). O que acontece é que tem gente que faz com uma perfeição tão grande que parece couro — explica Luis Carlos Faleiros Freitas, do Laboratório de Calçados e Produtos de Proteção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que é contra o uso do termo “couro sintético” pela indústria da moda. — O pessoal cria termos que não existem. A posição da lei é de que não se deve chamar de couro o que não é pele de animal curtida (tratada contra apodrecimento).”

Eu vi uma campanha incrível de um brechó contra a aquisição de roupas, sapatos e bolsas desse tipo de material (o instagram está bugado no momento em que escrevo esse post e não consigo achar, mas assim que conseguir atualizo aqui com o link), com uma foto mostrando as muitas e muitas peças de roupas estragadas que não servem nem pra repassar, todas de PU.

Uma amiga minha que tem um brechó comentou que também não aceita mais peças desse tipo para revenda. Ela entendeu rapidamente que a venda de segunda mão de peças em PU virou um problema transferido para ela quando a roupa começa a descascar na arara ou após uma venda recente.

Mas então por que as marcas insistem? Simples, gente: por ser um material produzido em laboratório, é mais barato que couro legítimo, o que barateia os custos de produção e viabiliza a venda da peça; e também como alternativa a quem não consome nada de origem animal, como os veganos.

Essa matéria do Modefica é primorosa sobre o assunto. Leiam! Além de explicar com muito embasamento a diferença entre os materiais e essa confusão toda de nomes, deixar de consumir roupa feita de couro não contribui efetivamente para evitar o sofrimento animal, e que não dá pra desassociar a indústria da pecuária e o consumo de alimentos de origem animal.

E como identifico o que é couro ou não?

Olhe sempre a etiqueta interna da sua roupa para observar o tipo de material que está levando. Na dúvida, cheire. Isso mesmo! O couro tem um cheiro específico dele, mais forte. O PU e afins cheiram a…plástico! hahaha!

Existem alternativas?

As alternativas para itens que não de couro, são os materiais de fibras têxteis, tecidos, lonas, e que usam reaproveitamento de materiais existentes, como a Studio NHNH que usa sobras de persianas de empresas do ramo e a Insecta Shoes, que começou a sua história usando os tecidos de roupas vintage de brechós, Cora Atelier, marca goiana de sandálias em tiras de tecido. Essa matéria traz mais opções de marcas veganas de sapatos.

De bolsas tem opção ainda de palha – a Nannacay é uma marca carioca famosa de bolsas nesse material, mas cara, dá pra se inspirar na ideia –, e de crochê, como as da Catarina Mina.

Eu ainda tenho muitas bolsas e sapatos de couro, então o que eu faço é usar tudo pra sempre e tentar consertar ou reformar. “Ah, e se enjoar?”, olha, eu uso as mesmas bolsas ininterruptamente desde 2013, todos os dias, hahaha, dificilmente enjoarei delas. Estou mesmo nesse esquema de usar ao máximo tudo, de só ter as bolsas que amo de paixão e acho incríveis, para evitar justamente esse consumo mais descartável. Mas também tem a opção de trocar por bolsas de couro ou comprar as opções de segunda mão, que não geram demanda da indústria.

No mais, estou irredutível na decisão de evitar ao máximo voltar a consumir roupas desse material. E questionar mais as marcas sobre alternativas que não ele.

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Comentários pelo blog

12 comentários

  1. Denise comentou:

    Oi Ana, sei que vou apanhar por dizer o que vem aí, mas…
    Há anos venho dizendo para as pessoas “não existe couro ecológico, estão enganando vocês , isso é derivado de petróleo!”
    E o povo comprando essa porcaria e o tal “chamois”, outra droga. Fazer o que?
    Para quem não quer usar produtos animais já existem opções, aqui no sul mesmo tem a Insecta que faz coisas lindas.
    Mas tem uma coisa que precisa ser dita. O consumo de carne como alimento não diminui, fazendo que o couro continue sendo uma matéria prima disponível e nobre em todo o planeta. Então trata-se de opção. E o abate(só a palavra já incomoda) já mudou muito, já não envolve crueldade como antigamente. Tem, é claro, a emissão de CO2 que a criação de gado produz, mas isso ainda não tem uma solução , ou seja: voltamos ao ponto do consumo consciente!
    Você não precisa de 30 pares de sapato e pode engraxar os seus, não é mesmo? Compre bons produtos, poucos e que durem, e não precisará se desfazer deles! Uma calça de couro dura a vida inteira, o mesmo com uma saia ou qualquer outro produto!
    Compre menos, cuide do que tem, use mais!

  2. Eu tive duas bolsas que eu adorava nesse material e ambas se desfizeram, mesmo com muito cuidado, e foi bem frustrante. Hoje, opto por bolsas de tecido pela praticidade – até pra lavar, é só jogar na máquina rs.

  3. Paula comentou:

    Tive uma jaqueta de “couro sintético” da Riachuelo, era linda, super prática pra viajar e tal. Mas de repente começou a descascar…. e o dinheiro empregado na peça foi para o ralo.
    Concordo com o que disseram acima: se tem peças em couro, roupas, sapatos ou bolsas, cuide usando graxa ou o excelente Limpa Couros UAU.

  4. Ana comentou:

    O que eu acho o fim do mundo é se apropriarem do discurso cruelty free pra vender um produto de produção altamente poluente, que tem vida curta e é impossível de se reaproveitar ou se decompor. E pior ainda, cobram nesses itens praticamente o preço do couro! kkkk Típico de Brasil, vendem gato por lebre. Ainda mais no vestuário feminino, onde o poliéster reina absoluto e caríssimo e no masculino, o algodão – a preços módicos.

  5. Rebecca comentou:

    ANA, passei RAIVA e VERGONHA: vesti uma saia de PU lápis para trabalhar. Ao longo do dia, a saia foi rasgando, esfarelando a medida que eu andava. Eu fiquei tão envergonhada que saí mais cedo e mudei a roupa da academia (graças a Deus estava com ela na bolsa!).
    Agora eu NÃO consumo PU nunca mais, embora eu continue achando lindas as peças que são ou imitam couro.

    1. Ana Carolina respondeu Rebecca

      ai, olha só a situação 🙁

  6. Dri comentou:

    Mas ó, “cheirar” a peça não adianta mais…
    Sabe a Feira Hippie de BH? Pois é… dizem que borrifam o cheirinho no PU

    1. Ana Carolina respondeu Dri

      que horror!

  7. vanessa comentou:

    Tenho pesadelos com esse material! Tive muitas bolsas e sapatos queridos, que eu amava o modelo, se desfazerem…morte horrível 🙁 Além das alternativas de têxtil, tem várias marcas que trabalham com o reaproveitamento de sobras da indústria de couro, como a PP (https://www.ppacessorios.com.br/). Também tenho comprado bolsas de uma produtora local chamada Campana, sem origem animal.
    Os sapatos eu tenho preferido de couro porque a vida útil é bem maior.

  8. Daiana comentou:

    Funciona olhar o avesso do couro. O avesso do couro natural é a camurça =)

    1. Ana Carolina respondeu Daiana

      Boa, daiana!

  9. Kátia comentou:

    Oi Ana! Post mara! Já perdi jaquetas, saias, bolsas, cintos e sapatos que tinha comprado acreditando serem feitos de material mais ecológico… depois fui pesquisar e vi que esse PU é o que tem de pior! Nunca mais comprei nada desse material!