Você acha que roupa é investimento?

Você acha que roupa é investimento?
Eu sempre me referi a roupas como investimentos. Roupa boa, com tecido bacana, pra durar muito, que comuniquem como eu me expresso pro mundo, de marcas que me identifico: investimento.
Mas há também o lado de considerar roupas como bens. Status quo. Armário lotado, signo máximo de ter seu dinheiro pra comprar o que quiser, ou o sonho materializado, aquele desejo mais íntimo. Mas também o hábito de comprar por comprar, da “maniazinha” de ir ao shopping e comprar nem que seja um lenço, afinal, roupa é investimento. Será?
Roupa NÃO É investimento no sentido mais literal da palavra, se pensarmos assim. Roupa estraga, mancha, rasga, por mais que se tenha cuidado. Se quiser vender depois, dificilmente valerão o que se pagou. Comprar pode virar um hábito e tudo pode justificar aqueles gastos.
nota-investimento-roupa
Gosto de comprar roupas legais? Sim! Acho ainda que fazem parte desse pacote dos meus investimentos pessoais. Mas tenho questionado muito o direcionamento do meu dinheiro, já que eu me apoiava muito nessa argumentação pra justificar alguns gastos além.

Menos redes sociais e anúncios

Anúncios e postagens que reduzam mulheres a seres descontrolados por comprinhas; que mostrem a importância (muitas aspas aqui!) de bolsas de grife para afirmarem seu status e posição; que incentivem um consumo além do que a pessoa previa. Essas estratégias que institucionalizam que “mulheres são assim mesmo” e por isso objetos de desejo são afirmações frequentes das nossas vidas.
Quanto mais me alieno das novidades das vitrines, mais fico feliz com o que tenho. Mais percebo o valor do que já possuo, cuido bem, valorizo, inclusive, quando quero estar simples e básica. E que não preciso causar em todos os momentos da vida. E isso inclui as redes sociais – estou deixando de seguir muuuuuuuuuitos perfis de marcas, que eu justificava como fonte de pesquisa para meu trabalho, mas, na real, só me atolavam de informação no feed sem necessidade. Salvei os contatos delas e estou nessa: já foram mais de mil perfis que deixei de seguir, e pretendo dar unfollow em mais umas mil (olha quanta gente eu seguia sem necessidade!). Deixei só algumas que trazem algum conteúdo além, mas no geral não desgostei de nenhuma, só não vi essa necessidade mesmo de ser tentada a comprar o tempo todo!
Estou nesse movimento cada vez maior de olhar mais pra mim, entender mais como me sinto, do que essa busca que eu fazia há alguns anos atrás, pela roupa da marca tal, achados assim assado, tudo porque eu não estava NUNCA satisfeita comigo mesma. Tão mais fácil me entreter com isso do que me observar melhor – eu pensava.
Acho que quanto mais eu me conheço e me respeito e me acolho, menos vontade de consumir eu sinto. Que loucura! Só que boa, hahaha!
E vocês, acham que roupa é investimento?

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17 comentários

  1. Mel comentou:

    Ana, que forma boa de começar meu dia… Refletindo e recolocando ideias… Já tive minha fase de comprar MUITO, sem necessidade, para preencher vazios emocionais. Daí, através de um processo de autoconhecimento, fui buscando outras formas de preencher estes vazios, e passei a comprar beeeeemmmm menos. Mas sempre comprei roupas boas, bons cortes e marcas, ptecidos, atemporais, enxergando-as como “investimento”, pois uso peças compradas há 10 anos atrás. Ocorre que ao ler que “roupas rasgam ” e perceber a superlatividade das aspas quando vc escreveu das bolsas, levei um tapa na cara, no melhor dos sentidos. Foi uma espécie de “ACORDA, MEL! “! Isso me fez parar para pensar. No meu caso, o “investimento” ainda funciona como um pequeno resquício do vazio. Somos seres em construção, e hoje, ao fazer essa reflexão, também percebi que já deixei de comprar muito e tenho descoberto combinações muito bacanas no meu guarda roupas. Me senti bem. Obrigada, Ana! Super beijo!

  2. Mel comentou:

    Ana, que forma boa de começar meu dia… Refletindo e recolocando ideias… Já tive minha fase de comprar MUITO, sem necessidade, para preencher vazios emocionais. Daí, através de um processo de autoconhecimento, fui buscando outras formas de preencher estes vazios, e passei a comprar beeeeemmmm menos. Mas sempre comprei roupas boas, bons cortes e marcas, ptecidos, atemporais, enxergando-as como “investimento”, pois uso peças compradas há 10 anos atrás. Ocorre que ao ler que “roupas rasgam ” e perceber a superlatividade das aspas quando vc escreveu das bolsas, levei um tapa na cara, no melhor dos sentidos. Foi uma espécie de “ACORDA, MEL! “! Isso me fez parar para pensar. No meu caso, o “investimento” ainda funciona como um pequeno resquício do vazio. Somos seres em construção, e hoje, ao fazer essa reflexão, também percebi que já deixei de comprar muito e tenho descoberto combinações muito bacanas no meu guarda roupas. Me senti bem. Obrigada, Ana! Super beijo!

  3. Eliana comentou:

    Tambem adorei começar o dia assim, obrigada!
    Já melhorei muito com relação a esse consumismo por roupas, consigo refletir e identificar as necessidades que não tenho, impostas pela mídia, mas nem sempre…
    Penso que mudança exige exercício permanente, importante é identificar que tem alguma coisa errada nessa ideia de que temos que seguir alguma tendência, aderir à algum movimento, ter uma só escolha.
    A busca pela liberdade de ser quem somos passa pela coragem de nos conhecermos e, mais do que nos aceitar, nos amarmos.
    O que contribui pra essa reflexão é a escolha de blogs como este pra alimentar nossas ideias. Obrigada mais uma vez.

  4. Eliana comentou:

    Tambem adorei começar o dia assim, obrigada!
    Já melhorei muito com relação a esse consumismo por roupas, consigo refletir e identificar as necessidades que não tenho, impostas pela mídia, mas nem sempre…
    Penso que mudança exige exercício permanente, importante é identificar que tem alguma coisa errada nessa ideia de que temos que seguir alguma tendência, aderir à algum movimento, ter uma só escolha.
    A busca pela liberdade de ser quem somos passa pela coragem de nos conhecermos e, mais do que nos aceitar, nos amarmos.
    O que contribui pra essa reflexão é a escolha de blogs como este pra alimentar nossas ideias. Obrigada mais uma vez.

  5. Marcia comentou:

    Uma vez eu li em algum lugar: investimento é o que te traz retorno intelectual ou financeiro. Tudo com o que você gasta e não te devolve não é investimento. Simples assim. Depois disso passei a ver carros, roupas, joias e até imóveis com outros olhos!

  6. Marcia comentou:

    Uma vez eu li em algum lugar: investimento é o que te traz retorno intelectual ou financeiro. Tudo com o que você gasta e não te devolve não é investimento. Simples assim. Depois disso passei a ver carros, roupas, joias e até imóveis com outros olhos!

  7. E isso só me faz lembrar o clássico do seu post da desvalorização dos 100,00! Eu parei de seguir MUITA gente também, aquelas blogueiras que de uma forma ou de outra me deixava com certos impulsos, onde o foco nao era a ideia do look, o processo de construcao criativo e sim a exposição de marcas. e isso vai mexendo com a gente ne?!
    esse negocio de investimento é engraçado, porque eu volta e meia dizia pro meu namorado “mas isso é investimento!” e ele respondia: vai conseguir valorizar isso pra vender pelo mesmo preço ou a mais pelo que pagou? se nao, nao é investimento hahaahah dai algumas coisas foram mudando na minha mente.
    acho que comprar boas roupas (sem necessariamente ser de marca), é muito além de investimento, acho que o termo é autocuidado. pois nada melhor do que se sentir confortavel com aquilo que usamos por horas seguidas!
    adorei a reflexão.

  8. E isso só me faz lembrar o clássico do seu post da desvalorização dos 100,00! Eu parei de seguir MUITA gente também, aquelas blogueiras que de uma forma ou de outra me deixava com certos impulsos, onde o foco nao era a ideia do look, o processo de construcao criativo e sim a exposição de marcas. e isso vai mexendo com a gente ne?!
    esse negocio de investimento é engraçado, porque eu volta e meia dizia pro meu namorado “mas isso é investimento!” e ele respondia: vai conseguir valorizar isso pra vender pelo mesmo preço ou a mais pelo que pagou? se nao, nao é investimento hahaahah dai algumas coisas foram mudando na minha mente.
    acho que comprar boas roupas (sem necessariamente ser de marca), é muito além de investimento, acho que o termo é autocuidado. pois nada melhor do que se sentir confortavel com aquilo que usamos por horas seguidas!
    adorei a reflexão.

  9. Olá td bem? Amei seu post,seu conteúdo esta muito bom. Vou acompanhar o blog ,Sucesso 🙂

  10. Olá td bem? Amei seu post,seu conteúdo esta muito bom. Vou acompanhar o blog ,Sucesso 🙂

  11. Alessandra comentou:

    Ana, amo roupas mas também tenho passado por um processo de repensar meu consumo ultimamente… Do tanto de roupas que tenho, acho que as únicas que vejo como investimento são três casacos pesadões e a roupa térmica (com luvas e meias inclusas) que tenho usado há mais de 20 anos em viagens para países frios, em cores básicas e combinando com tudo. Elas fazem com que eu me sinta confortável, aquecida e bem vestida praticamente o tempo todo nessas viagens e ainda economizo trabalho de carregar um guarda-roupa inteiro na mala.

  12. Alessandra comentou:

    Ana, amo roupas mas também tenho passado por um processo de repensar meu consumo ultimamente… Do tanto de roupas que tenho, acho que as únicas que vejo como investimento são três casacos pesadões e a roupa térmica (com luvas e meias inclusas) que tenho usado há mais de 20 anos em viagens para países frios, em cores básicas e combinando com tudo. Elas fazem com que eu me sinta confortável, aquecida e bem vestida praticamente o tempo todo nessas viagens e ainda economizo trabalho de carregar um guarda-roupa inteiro na mala.

  13. Letícia comentou:

    As mulheres precisam urgentemente aprender a lidar com o dinheiro (e investir), pois são as que mais sofrem em situações de vulnerabilidade e ao mesmo tempo as que mais ajudam financeiramente outros membros da família, mesmo na velhice. Esse aprendizado passa necessariamente pelo entendimento sobre indústria da moda e da beleza, pois nós somos as principais “vítimas” desses setores. Leiam sobre “pink tax”, expressão que remete ao sobrepreço que é cobrado em alguns produtos simplesmente por serem vinculados ao gênero feminino.

    1. Ana Carolina respondeu Letícia

      É isso, Letícia! Vou ler sobre, obrigada!

  14. Letícia comentou:

    As mulheres precisam urgentemente aprender a lidar com o dinheiro (e investir), pois são as que mais sofrem em situações de vulnerabilidade e ao mesmo tempo as que mais ajudam financeiramente outros membros da família, mesmo na velhice. Esse aprendizado passa necessariamente pelo entendimento sobre indústria da moda e da beleza, pois nós somos as principais “vítimas” desses setores. Leiam sobre “pink tax”, expressão que remete ao sobrepreço que é cobrado em alguns produtos simplesmente por serem vinculados ao gênero feminino.

    1. Ana Carolina respondeu Letícia

      É isso, Letícia! Vou ler sobre, obrigada!

  15. Renata comentou:

    Nossa! Excelente reflexão. Parece que foi escrito para mim.