Como vocês viram nesse post, fui pra São Paulo no sábado participar pela primeira vez do Trocaria, um evento de troca de roupas durante a a Virada Sustentável! Na verdade eu já tinha feito um dia de trocas com amigas, foi ótimo, nos divertimos muito, mas eu estava curiosa para saber como seria um de maiores proporções.
Nos idos do blog, lá pra 2009, 2011, eu fiz dois eventos que foram super brechós. Foi ótimo, mas confesso que não faço mais porque é bem tenso lidar com peças de outras pessoas, dinheiro, pagamentos. Não que tenha sido ruim, só é bem mais estressante. Olha, vou dizer pra vocês: não sei se é porque eu não estava diretamente ligada com a organização desse evento de trocas (eu fui convidada para participar) ou se foi por não ter dinheiro envolvido, mas eu achei o astral incrível! Todo mundo amarradão e sorridente!
Funcionou assim: você levava até 15 peças que passavam por uma curadoria na hora. Aprovadas, você recebe uma quantidade de fichas de acordo com o tipo/marca/estado da peça para trocar por outras, cujo valor também era em fichas, de 1 a 5.
Não rolava disputa pelas roupas, mas um bate papo amigável, vi todo mundo escolhendo de boa. Conversei com as organizadoras (beijo, Maitê e Ana!) e na hora sempre pinta um nervosismo de alguém levar peças incríveis e não encontrar nada legal nas araras. Mas, conversando com várias leitoras que encontrei lá, todas estavam bem felizes com a proposta!
Acho que ainda temos toda uma mentalidade a ser trabalhada sobre o que é participar de um evento de trocas: é ter total desapego, pensar que não é só levar roupa simples, mas usar aquelas suas bacanas pra troca também! Quem levava as peças, já saberia que seriam doadas se não saíssem, então acho que só esse sentimento de levar algo de bom pro mundo e, se conseguir uma troca que vai ajudar no seu estilo, ótimo, já tirava o peso de precisar se dar bem. Todo mundo ia sair ganhando, no final das contas!
Imagina você que está sem grana, sem emprego e quer fazer entrevistas mas não tem como investir em roupas novas? Ou não bater aquele arrependimento do tipo “paguei uma grana nessa peça e não consigo usar” – o discurso muda pro “legal, vou testar! Se não rolar, ano que vem volto e troco por outra coisa”. Não precisa coçar o bolso e nem fazer dívidas, só isso já traz uma paz enorme.
Senti a proposta como um fast fashion do bem (nem sei se isso é possível, mas enfim, haha): o giro de itens à disposição foi alto, mal as araras ficavam vazias, chegavam mais roupas para preenchê-las. Você tem que garantir aquele item mesmo na dúvida, provar (incentivei muitas a provarem, pra não levarem também algo que não fosse servir), se não rolar passar pra frente e aguardar uma nova remessa. E o que sobrar, saber que não voltar para entulhar seu armário, mas será doado para ajudar quem realmente precisa.

É uma nova forma de pensar o consumo, não tão simples quanto entrar, pedir seu número e pronto, mas que também não precisa ser assim tão banalizada. Podemos separar uma parte do dia para garimpar, refletir, experimentar o que nunca testamos sem nos colocar em xeque, nos deixando mais atentas às escolhas e com um objetivo.

Eu estava muito apreensiva sobre o feedback das pessoas com o evento, mas todos foram só sorrisos. Fiquei muito animada ao constatar que as pessoas gostam dessas propostas, que querem ver mudanças na relação com o consumo.
Cariocas, já cantei a pedra pro pessoal trazer o evento pra cá, quem topa participar? o/





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