Ep 21 Podcast Moda pé no Chão: A relação da mulher negra com a moda

A relação da mulher negra com a moda é o tema do ep 21 do podcast Moda pé no chão, e que contou com o protagonismo dessas duas maravilhosas: @josyramos, criadora de conteúdo e produtora de moda que eu admiro demais, e @cristianices, ativista negra que me acompanha aqui e, numa troca de mensagens, convidei com muito prazer para a gravação.

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Em um meio onde a branquitude considera o seu padrão como referencial, ser negra e frequentar esses espaços mostra o racismo latente em nós: o questionamento pela necessidade de estar sempre arrumada, de entrar nas lojas e ser perseguida, da pífia representatividade em rodas de conversa, campanhas de marcas e eventos. Essas questões e muito mais foram debatidas nesse ep, que dá voz e abre o diálogo para que suas palavras ecoem e se multipliquem. É isso: ouçam, mas ouçam com peito e mente abertas para saírem da zona de conforto e promovermos mudanças reais.

Podcasts são conteúdos em áudio, transmitidos pela internet através de apps. Dá pra ouvir na academia, enquanto amamenta, lava a louça, a caminho do trabalho, durante uma viagem. Pausar, ouvir mais tarde, re-ouvir algum trecho. 🙂

Moda pé no chão traz periodicamente temas práticos para quem quer ser feliz com o que tem sem gastar muito, com convidados para discutirmos assuntos pertinentes sobre consumo consciente para todos os tamanhos, bolsos e idades. Para quem quer vestir-se de si mesma sem complicação, com ideias simples, dicas certeiras, críticas e opiniões sempre muito sinceras.

O episódio já está disponível nos aplicativos de podcast pra IOS e Android, como Spotify, Soundcloud, Apple Itunes, Castbox, Overcast, We Cast, Youtube e muito mais! Procure no seu app de Podcasts ou de áudio!

Quem segue e compartilha está sempre sabendo quando sai ep novo e ainda dá força pra blogueira aqui!

Aqui já tem o link direto para ouvir todos os episódios e baixar!

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A inexistente padronização de tamanhos das roupas

Nesse post, a Luciana linkou essa ótima thread do Twitter sobre a falta de padronização das roupas e como isso pode afetar seriamente a nossa saúde mental, principalmente a de mulheres que têm o peso como gatilho para uma série de problemas com suas autoimagens. Achei a discussão super pertinente para trazermos pra cá.

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“Você já se perguntou por que as mulheres ficam tão frustradas com o tamanho das nossas roupas – cada par de jeans retratado é do tamanho 12″

Cada calça jeans dessa moça, Chloe, é da mesma numeração e é CHOCANTE perceber como a variação entre elas é abissal. É inacreditável perceber assim, comparativamente, o descaso das marcas e de toda uma indústria que fomenta o adoecimento das mulheres.

É sabido que, por ex, calças na Zara seguem um padrão de corpo europeu sem muitas curvas, o que as torna quase impossíveis para as brasileiras, mais corpulentas, o mesmo para roupas costuradas em países asiáticos. Ok, existe essa diferença, MAS, vai falar isso para a mulher que está ali no provador se esforçando para entrar numa parte de baixo que exibe na etiqueta a sua numeração, mas não cabe. Por mais que tenhamos a compreensão de que marcas produzem suas peças sem seguir normas técnicas, que cada uma têm sua modelo de prova (ou seja, pessoas com corpos diversos, por mais que tenham um manequim padrão), e que, além disso tudo, o pior é saber que, dessa forma, elas também criam FILTROS de clientes que elas consideram o padrão almejado para desfilarem suas roupas. Isso é muito cruel para quem está brigando  constantemente com o seu corpo, se considerando inadequada ou distante de um modelo de beleza inventado para lucrar em cima do nosso sofrimento.

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“Peças de tamanhos diferentes, 4 e 10, e nenhuma diferença entre elas.”

A padronização tem um projeto de Lei

De acordo com essa matéria da Audaces, de 27/06/2017, “A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pelas normas de padronização no Brasil, está em processo final de elaboração da norma que vai fornecer a tabela de medidas do corpo feminino. De acordo com a engenheira Maria Adelina Pereira, superintendente do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário (CB-017), responsável pela padronização das medidas para os diferentes perfis de consumidores da moda no país, o projeto de norma para as medidas do corpo feminino pode ir para consulta nacional em julho de 2017.”

A matéria traz também as medidas que seriam as vigentes para serem seguidas e que as empresas deveriam cumprir. Não encontrei, contudo, nenhuma mais recente falando da implementação dessas normas e nem de um prazo atualizado.

A partir desse estudo do SENAI-CETIQT, também divulgado em 2017, a mesma promessa de que os dias da despadronização das etiquetas de numeração estariam contados.

Também nessa matéria da Câmara dos Deputados “A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço da Câmara dos Deputados aprovou proposta da deputada Soraya Santos (PMDB-RJ) que padroniza os tamanhos de peças de roupa produzidas no País. O objetivo, segundo a autora, é evitar que cada fabricante defina as medidas correspondentes a um determinado tamanho de roupa, deixando o consumidor confuso na hora da compra.

Pelo Projeto de Lei 2902/15, caberá ao Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro) – órgão a ser criado – elaborar e expedir regulamento técnico sobre padronização do tamanho das peças de vestuário adulto e infantil, discriminado por sexo, quando for o caso.”

A proposta foi aprovada, mas nada caminhou desde então.

A medida facilitaria o trabalho de modelistas, mas principalmente traria punição às marcas que valessem de outras medidas, tornando o tam 40 de uma determinada marca o mesmo para outra. Rolariam umas variações da modelagem, acho, mas o 40 seria do tamanho de uma mulher tam 40, e não uma simulação que na verdade só comporta a bunda de uma mulher tam 36.

Particularmente eu fico puta da vida quando alguém me empurra o tam G de uma peça afirmando que me serviria tranquilamente. A mim não afeta, mas fico pensando na humilhação de uma mulher que é realmente tam G, sofreria.

Fim das numerações

Alguém me contou (agora não me recordo), de uma marca que tinha como proposta peças sem etiquetas de numeração. A vendedora conversa com a cliente, e, em conjunto, traria opções que funcionariam pra ela, todas sem etiquetas de tamanho, apenas com características para a diversidade de corpos. Achei a ideia muito interessante, mas em escala maior, de grandes varejistas, acredito que seja um empecilho.

Trazendo para vocês a discussão, e quem quiser pontuar mais alguma coisa sobre o assunto, seria maravilhoso. E, principalmente, seria mais maravilhoso ainda não alimentarmos marcas que não têm o mínimo respeito pelos nossos tamanhos e corpos reais.

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Novas datas do Curso de formação em Consultoria de Estilo!

Atenção! Após pedidos, as aulas mudaram de data para serem mais intensivas e quem é de fora da cidade poder participar!

NOVAS DATAS: 23, 24 e 25 de agosto e 30, 31/08 e 01/09!

Curso de 48h para formar profissionais incríveis, cheias de interesse e com as ferramentas necessárias para começarem logo seus projetos e trabalhos, entendendo os processos, conhecendo as possibilidades adaptadas às características de cada uma e fortalecendo o mercado de forma bem pé no chão!

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Depois de 7 anos de experiência na área de consultoria de imagem e estilo, com várias especializações, há 11 anos escrevendo sobre moda acessível na internet, desde 2013 criando projetos de workshops – projetando a carreira do online pro offline -, e dando aulas como docente do SENAC RJ para seus cursos de formação e oficinas no Veste Rio, quero espalhar pro mundo que, mais uma vez, com toda a coragem do mundo e a certeza de que vamos transformar mais e mais o mercado de moda.

Não é necessária formação anterior em moda, nem experiência profissional na área.

 INSCRIÇÕES ATÉ 30/07!

Um curso sobre o vestir-se da vida real, com didática e abordagem de temas atuais, para pensarmos além de regras, dessa moda que ainda permanece classista e excludente, o que conhecemos por tantos anos na consultoria de estilo. É para quem quer ir além de só entender sobre roupa, mas compreender como o trabalho envolve muito mais uma escuta ativa, sensibilidade, empatia, jogo de cintura, adaptação livre de etapas e processos para adequação dos trabalhos.

Muito conteúdo, abordagem sem caô dos temas e do mercado, e assuntos que são pouco abordados aqui no Rio, como a etapa de cores, história da moda e moda masculina, com professor convidado, que em breve divulgarei.

Alguns dos temas que serão abordados:

– História da moda (com professor convidado!)

– Diversidade e representatividade

– O mundo pede uma moda autoral, sustentável, com cadeia de produção justa e disruptiva

– Análise cromática sazonal expandida – o teste de cores!

– Estilos e tipos físicos fora da caixinha: sem delimitações, com percepções

– Tudo o que envolve as etapas de um trabalho de consultoria de estilo, esmiuçado e com muitos exemplos

– Precificação, mercado de trabalho, contratos: é possível mesmo viver de consultoria?

– Meios de divulgação criativa e ideias para prospectar, além de frentes de trabalho

O curso será presencial, no Rio de Janeiro, com um total de 48h e acompanhamento do projeto de graduação, uma consultoria com cliente, bem mão na massa, bem prática mesmo!

As aulas acontecerão à noite, às sextas, sábados e domingos, das 9h às 18h, no Centro do RJ.

Estou MUITO animada e feliz! Aqui nesse link temos mais informações sobre o conteúdo, valores, forma de pagamento e bolsa de estudos!

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Mais sobre a adequação do meu estilo

O combo cabelos grisalhos em transição + ter engordado, tem dificultado mais as escolhas do meu vestir. Como enordei, muitas peças que gosto não estão cabendo, então minhas escolhas se reduziram às que me sufocam menos. Com os branquinhos aparentes, tenho sentido essa necessidade natural de usar mais peças poderosas, apesar disso não ser regra, é só como tenho me sentido mesmo à adaptação.

Essa semana estive em Fortaleza a trabalho e, por conta do calor, levei peças frescas e que me permitissem até um mergulhinho no mar, haha! Usei body e um maiô, o que conferiram elasticidade, ou seja, conforto, além de saias com elástico que estão me servindo bem. Prestei atenção no que gostei de cada look, e, sem dúvida foi a geometria do decote, aliados às saias estruturadas ou com estampas destacadas.

O que chamei de limitação algum dia, tem se mostrado na verdade um importante filtro do meu estilo. O indicador do que eu estou gostando REAL de vestir, de como me sinto nas roupas.

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Antes ainda tinha uma variedade boa de peças, nada muito discrepante do que já sigo de estilo pessoal definido hoje, mas ainda tinha algum apego a certos formatos que não são quem eu sou hoje, na essência. Estou muito mais minimalista, principalmente nas estampas, preferindo as mais abstratas ou geométricas, gostando bem mais de peças de cores lisas e com poucos detalhes.

Esse look abaixo, por ex., foi fotografado há um mês, quando eu estava já me preparando pra transição pro grisalho. Adorei ele no dia, adoro todas as peças separadamente, mas confesso que hoje, com os brancos aparentes, não sei se amaria tanto ele. Quer dizer, usaria, ainda acho bonito, mas realmente entrei no modo mais dramático do vestir e menos fofo. Que doido isso!

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Minha cartela de cores não muda com os cabelos, mas sabendo que repetição = harmonia, repetir o estilo modernete do cabelo e seu contraste de cores têm me deixado mais confortável e feliz. Na verdade, todas essas mudanças que poderiam me deixar insegura, estão me dando mais confiança e certeza do caminho que estou percorrendo pelo autoconhecimento! 🙂

 

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