Minhas impressões Coleção Somos Arte Renner

A Renner lançou uma coleção com peças de vestuário e produtos de skincare com 5 artistas nacionais, segundo eles “Somos Arte é um projeto que conecta a Renner a artistas para valorizar e democratizar diferentes manifestações de arte e cultura através de coleções criadas de forma colaborativa.”

No site tem um link com a coleção completa e eu adorei a diversidade e a qualidade dessa coleção. Ponto pra Renner desenvolvendo coleções com pessoas fora do eixo famosidades e dando ibope merecido pra artistas com trabalhos autorais, que geram identificação com seus trabalhos. Dá gosto de ver!

Os artistas inclusive estão alinhando seus propósitos aos produtos que desenvolveram, e isso é uma ótima oportunidade de também tornar mais possível a moda autoral para o grande público.

Vamos a análise então, e já adianto que, apesar de não sair mais pra fazer a análise (por conta da pandemia não saio mais de casa), vou receber algumas peças e conto pra vocês o que achei pessoalmente, tá?

Ecran Studios

A Ecran é uma marca carioca de acessórios ultra criativos em acrílico, eu adoro! Os precos médios dos brincos ficam em 70-90 reais, o que considero ok pra uma marca pequena e nessa coleção se mantiveram assim.

A coleção deles está linda, colorida, com variedade em acessórios, como brincos, cintos, sapatos – sandália, papete e tênis–, biquinis e moda praia, além de peças esportivas como shorts, jaquetas e camisas.

Algumas peças são de poliéster, como esse short, o que é ruim, mas no geral considerei tudo muito bonito. Logicamente os brincos não são da mesma qualidade da marca, mas fazem uma vista bacana, e eu cobicei forte os tênis! Têm tamanhos até o extra grande para o masculino (poderiam ter pro feminino também, né?), além de ter video das roupas em movimento nos modelos para avaliarmos o caimento. Achei isso ótimo!

A Cibelle, leitora do blog, comprou a sandália dessa coleção e amou a qualidade, achou confortável!

Priscila Barbosa tem 30 anos e é artista visual, muralista e ilustradora paulistana. Desenvolve um trabalho que investiga diferentes corpos de mulheres, propondo percepções críticas sobre padrões estéticos e comportamentais vigentes como estratégia de enfrentamento e questionamento das relações de poder.

Me emociono sempre com o trabalho da Pri no instagram, assim como me emocionei ao ver que suas peças foram desenvolvidas pela Ashua, a marca plus size da Renner. O vestido (de alças e 100% viscose! Decotado! Lindo!) e a camisa (de algodão) vão do G ao EG (exceto camisetas que vão do P ao GG)! As camisetas custam 79 reais e o vestido, 229 reais.

Uma amiga comprou as t-shirts e mandou a foto para que eu pudesse ver melhor, achei linda e parece ser uma malha de algodão boa!

Karen Hofstetter – é paulistana, mas vive há 10 anos em Berlim. Como diretora de arte e criação, se dedica a projetos liderados por e para mulheres, com propósito e impacto social. Eu acompanho o trabalho dela há anos, e sou fã.

Trouxe pra cá essa blusa é de algodão, custa 79 reais (preço bem ok), e vai do tam PP ao GG. Achei a modelagem MUITO bacana, mesmo, super contemporânea! Diferente do que vemos por aí, fora a estampa da Karen, que achei linda.

Ah, todas as coleções têm peças masculinas e femininas, mas claro que não existe definição de gênero que impeça o uso delas, né? As camisas, por exemplo, são lindas também, essa coleção da Renner deu um show nas estampas. Há muito não vejo algo tão legal.

Quem aí comprou ou viu alguma peça ao vivo, curtiu? Eu confesso que adorei o formato que a Renner escolheu para desenvolver parcerias, coisa que eles nunca fizeram aqui no meu tempo de blog (lembra? Era só C&A e Riachuelo)!

Renner conta com brechó online para vender roupas sem uso

Li essa matéria da Exame, e achei a proposta muito legal: a Renner fez uma parceria com o brechó online Repassa, que eu achei MUITO interessante: os clientes podem retirar gratuitamente em determinadas lojas a Sacola do Bem, projeto do brechó de coleta de peças que não tem mais uso na casa das pessoas, enviadas gratuitamente ao brechó para revenda.

O projeto da Sacolas do Bem funcionará gratuitamente para clientes da Renner (no Repassa custam R$24,90), e as peças de vestuário de qualquer marca que não são mais usadas, sendo no máximo 35 itens por sacola.

As lojas Renner participantes serão preparadas para ser um ponto de coleta, permitindo que os clientes deixem ali de volta as sacolas com as peças que quiserem revender no brechó online.

As peças passam por curadoria, sendo fotografadas e cadastradas para serem colocadas à venda, e o valor dessa comercialização (que rende 60% do valor da peça pro usuário) no Repassa pode ser usado para comprar dentro do site do próprio brechó online, podem sacar a grana ou doar para uma lista de ONGS disponível no site.

As Sacolas do Bem estão disponíveis para retirada em quatro unidades da marca em São Paulo: na loja da rua Oscar Freire e nos shoppings Pátio Paulista, Eldorado e Metrô Itaquera. A intenção é ampliar a iniciativa para outras cidades nos próximos meses.

Postei aqui no blog sobre o programa de logística reversa que existe desde 2011 na Renner, o EcoEstilo, que coleta embalagens e frascos de itens de perfumaria e beleza para dar a eles uma destinação ambientalmente correta e que, em 2017, passou a receber também peças de roupa.

De acordo com a matéria “De lá para cá, o EcoEstilo já coletou 145 toneladas, somando os resíduos de perfumaria e beleza e as peças em desuso.”

Também mostrei aqui as mudanças nos tecidos, com etiquetas falando da composição das fibras, e tecidos com fibras recicladas.

“A marca também contabiliza, nos últimos anos, a comercialização de 90 milhões de peças responsáveis, confeccionadas com matérias-primas como o fio reciclado, o algodão certificado, a poliamida biodegradável e a viscose certificada, além de processos que garantem, por exemplo, o menor uso de água na produção.”

O que vocês acharam dessa iniciativa?

Eu acredito que terá uma boa repercussão, porque não é só sobre descartar as peças, as pessoas gostam de fazer uma graninha com brechós, ter algum retorno do investimento – ai, de quebra, passam em alguma loja da varejista, estratégia bem esperta para levar o cliente até uma unidade.

Mas eu já usei muito os dois programas de logística reversa da Renner e digo que pouquíssimas vezes os funcionários sabiam do que eu estava falando, não faziam nem ideia desse projeto – sem contar que, da última vez, retiraram a caixa de roupas da loja. Vamos ver se eles terão treinamento e informações sobre essa parceria para evitarem informações desencontradas.

O desapego do scarpin bronze

Quem me acompanha aqui há alguns anos viu muitos looks meus com esse scarpin bronze da Santa Lolla, que paguei 99 reais na liquidação. Sem querer ele se tornou um pesonagem marcante das minhas produções, porque simplesmente combinava com tudo!

Jeans, vestidos, saias, macacões, não tem pra ninguém, ele foi um marco.

Até hoje tem leitora que tenta achar um scarpin bronze pra chamar de seu, e acho que a Santa Lolla deu muito mole de não ter me chamado pra uma parceria, tamanha a procura que rolou por um modelito assim.

Aí veio a pandemia, eu tive minha filha, e precisaremos nos mudar para um apartamento menor. Esse capítulo ainda vou contar com detalhes, mas mesmo falando por tantos anos sobre não comprarmos tanto, de termos só o que funciona pro nosso estilo de vida, etc, eu ainda era apegada a muitos sapatos e roupas, acessórios também, com a justificativa que usava essa variedade de acervo para ter ideia de conteúdo para a internet.

Mas aqui estou eu, com uma neném de quase 7 meses, trancafiada em casa por causa do coronga vírus, saíndo quase nada e MUITA coisa mudou. Sem previsão de voltar a dar cursos fora, de sair pra trabalhar, com um corpo diferente, e de ter entendido o que realmente importa de fato, eu decidi abrir mão mesmo das memórias. Eu achava que precisava arrastá-las fisicamente, mas não precisa: tenho foto, tenho lembranças. Eu não sou meus sapatos e roupas, eu sou muito mais. Não preciso de tanto para ser criativa.

Caiu a ficha que nunca havia caído antes, e eu resolvi que não quero voltar ao corpo de antes da Nina, não quero voltar àquelas roupas e que não preciso carregar tanto por aí. Tirei 50% das minhas roupas e 70% dos meus sapatos. De onde tirei esse percentual? Não sei, hahaha, mas é por aí!

E, com isso, decidi desapegar do scarpin. Muuuuuuuuuuitas leitoras no instagram lamentaram, se assustaram, disseram que era a minha cara, era um ícone do blog, mas eu discordo. Parece anacrônico, mas esse sapato nunca foi a minha cara – é bonito, ok, mas ele era a minha bengala para eu me sentir poderosa e elegante nos looks, tanto que eu sempre disse que colocava ele só para as fotos. Sinceramente, não sinto afeto.

Salto muito alto, mal dava pra andar direito, deixava meus pés doloridos, mas, ok, os looks ficavam maravilhosos. Só que não faz mais sentido performar esse estilo, nem pra mim, nem pra vocês. Não é o sapato que faz quem eu sou; eu entendo que hoje eu posso ser uma mulher incrível até descalça. Eu não preciso mais desse recurso, não preciso guardá-lo para simbolizar nada (já tenho as fotos!) e nem pensar em algum evento.

Foi, deu, meu caminho pode brilhar ser ele, hoje em dia eu ando melhor consciente do que realmente importa pra mim. <3

Obrigada por tudo, scarpin bronze. Foi divertido!

Roupas para amamentar

Sei que vão pensar que é um assunto restrito às mães que amamentam no peito, mas, acreditem, diz respeito a todas – invariavelmente você vai ter alguma amiga ou pessoa próxima passando por essa situação. Parece que ficamos presas às camisas de botão e peças transpassadas, e eu posso dizer que, passando pela experiência, percebi o quão cruel é o sistema em que estamos inseridas, que nos priva da nossa própria identidade e limita nossas escolhas, desencorajando a própria amamentação.

Amamentar é a experiência mais avassaladora da minha vida. Agora entendo vocês batendo tanto nessa tecla quando eu falava de roupas. Não existe um look fácil quando se amamenta: ou ele não permite por as tetas pra fora, ou não é compatível com o sling, ou o tecido amassa todo, ou você morre de frio, ou usa o que for mais fácil e repete as mesmas roupas sempre, deixando parado 80% do guarda roupa por tempo indeterminado.

Passei esse tempo todo praticamente pelada, com o leite jorrando, sentindo uma dor absurda ao encosta-los em qualquer tecido, por isso estar em um look estampado e colorido, me sentindo eu mesma depois de meses, é algo a ser exaltado.

A dificuldade de achar roupas para amamentar

A moda por si já nos desmotiva ao não considerar que mulheres amamentam, ignorando completamente essa função no desenvolvimento das coleções. Peitos de fora são repudiados, escondidos, desmerecidos, inviabilizados – isso porque estamos falando de algo fisiológico, que é nutrir a cria.

Desmotiva pra você voltar logo a querer usar os vestidinhos deles, a querer de ter o corpo de antes, da saudade de não poder usar mais as suas roupas de antes ou da raiva de ter que levantar uma blusa e se sentir despida demais. Desmotiva porque limita nossos movimentos, não nos oferece autonomia sobre nossos corpos, a liberdade de nos sentirmos confortáveis na nossa identidade.

Truques para transformar o look pró-mamá

Tenho reparado mais no que eu já tenho e se dá certo usá-las de trás pra frente! Esse macacão, por exemplo, tinha esse decote nas costas com um botão, e testei usá-lo invertido, com um top para amamentar. Deu super certo e eu adorei porque nem precisar desabotoar, como ele é de malha é só puxar mais dos lados!

Um outro truque que estou amando – viciadísisma nele! – é o de usar kimonos transpassados por dentro da parte de baixo. Eles viram blusas mais amplas, deixando o decote livre. Uma ideia é costurar um botão e uma casinha para prender bem e ele funcionar como uma blusa mesmo.

O bom dessa dica é não ficar restrita às peças de malha, podendo usar tecido plano

Tenho abusado das estampas e cores para deixar os looks mais animados e criativos, fugindo um pouco da camiseta básica com calça jeans. Zero problema nisso, mas eu estava sentindo falta dos meus visuais mais coloridos!

À medida que eu for me empolgando com mais looks, venho aqui para atualizar, mas espero que essas ideias já ajudem as mães de plantão a terem mais ideias pro vestir, além de inspirarem as marcas a investirem mais em peças que contemplem a amamentação.