Há muito tempo eu era viciada em comprar roupinhas baratinhas. Era uma delícia sair da loja com o sentimento de “me dei bem!” carregando meia dúzia de blusinhas na sacola pagando uma ninharia por elas.
Ter o armário entulhado era uma satisfação. As mulheres da minha família adoravam compras e minha avó tinha o armário cheio. Lotado de bolsas, blusas, vestidos, casacos da época de ouro do Rio. Ela não se desapegava de nadinha e se por acaso quisesse dar algo seria apenas para as filhas e netas.
Cresci vendo aquele recheio farto do guarda-roupa e pegando naquilo como parâmetro. Eu não tinha autonomia nem dinheiro pra gastar com o que queria, mas mal via a hora de trabalhar e comprar mil roupinhas com meu salário.
Eu acreditava que armário cheio era sinônimo de muitas produções. Que quantidade significava variedade e aí finalmente eu poderia me vestir do jeito que eu sempre desejei.
Eu possuía mais de trinta calças, aceitava todas as peças que os familiares desapegavam, comprava muito porque estava barato e não me permitia ir além. Eu tinha um armário de duas portas que vivia com as gavetas quebradas por conta do peso e com o varão sem espaço para mais um cabide de roupas.
Mas estranhamente ainda assim eu convivia com a sensação de não ter roupas suficientes. Via as amigas bem vestidas e me sentia inadequada, incapaz de chegar à altura daquelas produções. Passei a comprar mais e a entulhar mais o armário – não posso doar nada, vai que eu precise daquela roupa algum dia?
O resultado desse processo vocês conhecem: eu percebi ao longo dos anos que eu tinha (e tenho!) muito mais do que dou conta de usar. Que eu investia em peças escalafobeticamente fashionistas mas que eu teria poucas oportunidades para usá-las – enquanto isso eu precisava loucamente de uma camisa bacana pra trabalhar, uma sandália confortável e bonita pro verão e não percebia isso. Eu achava mais vantajoso investir no interessante e nem sempre eu achava uma camisa um item mais legal que um maxi casaco de paetês roxos baphônico.
E, não, eu não revitalizei e nem olhei o guarda-roupa com tanto esmero de uma vez. São anos sacando a importância de ter cada item disposto no seu lugar, de perceber o que eu realmente uso e faz sentido pro meu guarda-roupa, que eu cismava em tratar como um figurino. Ainda gosto do lúdico, mas ele não funciona muito pro dia a dia que precisa ser mais prático.
Eu também não percebia que o dinheiro que eu gastava com muitas roupinhas e sapatos por mês pagariam tanta coisa. É difícil tangibilizar serviços, eu sei. A gente vislumbra que comprando as roupas que vemos nos blogs e editoriais já nos ajudam nessa tarefa mas nem sempre nos ajudam a compreender melhor um novo olhar para o que temos e como multiplicar tantas possibilidades.
Por isso que acredito e mostro o qual acessível é investir em conhecimento que nos ajudem na construção do que somos e como podemos ganhar um novo olhar para o que temos. Sem precisar cair na mania do comprar como solução pronta para as questões. Mas e o depois? E o tanto que o investimento feito para cada ocasião gera de apego e acúmulo na gente – com peças muitas vezes repetidas, que nós não enxergávamos no nosso armário por pura desordem.
Esse não é um texto de convencimento para um curso. É o depoimento de quem sofreu anos com bagunça, falta de planejamento, de ter tempo para novas ideias e que pensava que a solução era gastar por gastar. É de quem sabe que pode contribuir com boas ideias para a vida das pessoas e que isso vai refletir em gastos mais planejados e mais úteis para as suas vidas profissionais e pessoais. De quem acredita que curso bom é assim: quem participa sai com a cabeça fervilhando de ideias para a vida real, uma apostila RHYCA de conhecimento para consultar pra vida e até possibilidades de novos rumos nas carreiras, seja como organizadora profissional, seja como consultora de estilo.
Por isso os workshops estarão aí sempre, para todo mundo: para alcançar mais pessoas, para fazer a diferença no meio. Obrigada, Thais, por ser uma grande parceira nesse projeto <3



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