Eu AMO jeans. Sempre gostei da versatilidade, atemporalidade e despojamento da peça, e por isso estava animada para conhecer de pertinho as idealizadoras da MIG Jeans, um projeto inovador das amigas Isa, Luana e Mayra que surgiu na sala de aula do curso técnico de Produção de Moda (e depois eu soube que foram alunas da Simone, minha ex-professora também!).
O lance é o seguinte: somos iludidas pela indústria e pelo sistema que precisamos ter todas as calças jeans do mundo. E todas as jaquetas. E as camisas. E os shorts. E as saias. Nessa onda, sem perceber, ficamos com dezenas de peças bem parecidas no armário e que consomem, cada uma, mais de 11 mil litros de água para serem produzidas. Se você tem 20 calças jeans, faça as contas da quantidade de água dispensada para tudo que está ali dentro do seu armário. :/
A MIG surgiu como uma proposta de reaproveitamento das peças em jeans que são descartadas ou dispensadas pela gente, uma maneira de nos botar para pensar sobre ciclo de produção, consumo consciente e upcycling. Mas engana-se que só vai encontrar um monte de coisa estranha ou feiosa: as minas mandam muito bem na customização e o resultado é incrível!
Posando com as minas da MIG Jeans na montanha de jeans do seu contêiner e que ilustra bem a necessidade de repensarmos a quantidade de roupa que compramos.
Elas garimpam em brechós ou recebem doações de peças no final da vida útil e fazem o re-design delas: dão novos tingimentos, recortes, rasgos, desenhos; jovializam e mostram o valor de termos um novo olhar e sermos mais responsáveis sobre o que consumimos.
Chegando na Malha, onde as três estão incubadas num dos conteiners do espaço, fui direto conversar com elas. Eu estava num dia daqueles bem cansativos, sem muita energia. Nem 5 minutos de conversa e eu já fiquei mais animada e sorridente! Que astral, que energia boa a dessa moçada, que sabe ser articulada, inteligente e demonstra muita consciência no trabalho que faz.
As amigas são moradoras da zona Norte do Rio e só nessa me ganharam, hahah! Tão bom mostrar que o Rio de Janeiro não se resume a núcleos da zona Sul; que o subúrbio carrega uma história e lições importantes consigo, que mostram outras vertentes e formas criativas de se trabalhar com moda.
“A realidade de quem cresceu na zona norte é bem diferente. Estamos acostumadas a nos vestirmos com as peças de roupa doadas pelas primas mais velhas; o que não cabia mais nelas, vinha pra gente. Com isso, a gente só está mostrando uma prática que é costumeira, o de aproveitarmos o que já existe, de não gerar desperdício, que com pouco dá pra se inventar novas formas de uso” – a realidade contada pela Mayra é minha também, e acredito que de mais gente que está lendo esse post.
A Mayra mostrou inclusive como se faz um TURBANTE com CALÇA JEANS. Genial, apenas. Sabe aquela calça que não entra há anos? Amarra ela na cabeça e vai divar por aí, hahaha!
Gravamos todo o passo a passo no meu snapgram (o snap do instagram) e eu pedi licença a ela para botar na cabeça só para testar se era pesado e tals. E, ó: tranquilo, viu? Só não usaria no verão, hahaha!
Jeans são tão clássicos que ultrapassam idade, classe social, estilos e até gênero, contam histórias e duram uma eternidade, o que os tornam peças fáceis de enjoar e até datadas (se tiver muitos detalhes de moda da época). Por isso a proposta da marca não é apenas vender o estoque, mas aceitar encomendas de customizações e doações para garantir descontos dos bons na compra de uma peça repaginada. Sabe aquele monte de calça que não serve mais ou que está com manchinha, escondida no fundo do armário? Olha aí a oportunidade!
Os preços são super mega hiper possíveis – minha amiga levou uma saia jeans a 69 reais e a minha custou 80 reais, e na tag vem a assinatura e o nome de quem fez aquela peça. 🙂 Aliás, o processo todo é feito pelas três, o que facilita o controle pelos métodos produtivos. Elas reaproveitam cabides, embalagens e até a água das lavagens para a limpeza do atelier (que fica em Vaz Lobo e sugiro que todo mundo vá conhecer – para conhecer mais a nossa cidade, inclusive), numa política impressionante de descarte zero.

fotos na Malha: Jota
Elas também contaram que, no início, inscreveram a MIG em tudo que foi projeto e concurso, o que contribuiu para começarem a desenhar o que queriam pra marca. Com isso, foram percebendo o potencial da ideia e ganharam até prêmios de inovação, vencendo projetos de químicos e físicos. E assim, metendo as caras, esbanjando amor pelo que fazem e muita dedicação, estão conquistando voos altos e destaque na mídia.
Para quem quer comprar melhor e diretamente de quem faz, a preços justos, financiar pequenos empreendedores e, o mais importante, garantir peças únicas, estilosas e diferentes, se liga então na dica e vá atrás da moda transformadora dessas meninas. 🙂
A MIG fica com outras marcas muito bacanas na Malha: Rua General Bruce, 247, São Cristóvão, RJ.








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