Como foi deixar de fazer as unhas

EU JÁ FUI NO SALÃO DEPOIS DE TER SIDO ATROPELADA> SIM, você leu isso; muuuuuuitos anos atrás um carro bateu em outro carro, que me pegou de raspão na calçada. Levantei e fui pegar meu ônibus porque eu tinha marcado de fazer as unhas e não poderia desmarcar (?!??!!?!?!?!?).

Só para começar esse papo mostrando o quão fudidas ficamos na socialização feminina que molda nossos “desejos”.

Em 2019 eu dei um pulinho na manicure para fazer mão e pé, minha rotina era de uma a duas vezes por mês bater ponto no salão para dar uma guaribada nas cutículas e formato das unhas. Só que saí mega nervosa pois a moça cortou as unhas dos meus pés todas redondinhas, formato que as deixou cotoquinhos! Não sei por que ela fez isso mas ela também ficou chateada quando me viu quase chorando, me senti péssima.

Eu já tive carne esponjosa (pesquisa aí se quiser e se prepara para o show de horrores, rs) no dedão por causa de uma ida a pedicure para dar um jeito nas peles dos meus pés. O resultado da moça arrancando toda a pele por baixo da unha foi o dedão infeccionar, ter que ir ao médico e tomar antibiótico, tenho trauma. Fiquei apavorada de rolar isso de novo quando vi as unhas dos pés completamente lisas de cutícula e cotocos.

Desde esse dia eu nunca mais pisei em um salão para fazer manicure e pedicure. Aproveitei para relembrar todas as vezes que fui e deu merda, que saí ferida, sem um pedaço, com os dedos ardendo, rezando pra não infeccionar, ou sentir medinho na hora que metiam o alicate. Pensei também que ficava revoltada pela exploração de muitos salões com as funcionárias, que várias tinham que correr pra cumprir uma agenda apertada, comprar seu próprio material e muitas nem conseguiam parar para almoçar. Cheguei à conclusão que eu não sentia prazer nem vontade de continuar – apesar de adorar ver minhas unhas feitinhas, coloridas.

Lembrei de todas as vezes que minha mãe disse que meus pés eram feiosos, o que me fez usar muito sapato fechado. Eu ficava com os cantos das unhas doloridos de tanta pele, e quando comecei a ir a pedicure foi um alívio. Também me recordei de achar minhas mãos magrelas estranhas, com os ossinhos aparentes, assim como as veias, fora o formato das unhas, meio curtinhas, então eu tentava ao máximo deixá-las maiores, apesar de nunca ter sentido desejo de fazer nada artificial de alongamento nelas.

Seguia um padrão do que se espera de uma mulher, eu não queria fugir muito disso. Depois comecei a associar unhas feitas a me sentir mais bonita e arrumada.

Eu trabalhava fora e sacrificava uma vez na semana a minha hora de almoço para deixar as unhas bonitinhas no salão, do dinheiro que gastei comprando vidros e mais vidros que eu joquei no lixo por estarem vencidos, anos depois. Fora a angústia em dias anteriores a eventos, de não encontrar horário, de me sentir envergonhada com o esmalte descascando e ter que apelar pra gambiarra.

Não, nunca consegui ser habilidosa para fazer em casa, sim, eu tentava e só perdia tempo. Assim como também perdia horas da vida no salão numa frequência maior do que gostaria.

Como comecei e hoje, como me sinto

Quando engravidei, em 2019, não fiz mais as unhas, abandonei aquele cheiro irritante e tóxico de esmalte e acetona que eu detestava. E, vejam vocês, eu ADOREI o formato das unhas mais curtinho, rente mesmo! Só as lixo e pronto!

Achei minhas mãos e meus pés mais bonitos naturais, e as unhas estão bem mais saudáveis, sem manchinhas, não quebram com tanta facilidade. Cuido dos pés com hidratante Skin Food, da Weleda, mas como não tenho usado sapato fechado e fiquei em isolamento por mais de um ano com a pandemia, eles estão lisinhos! As cutículas também estão ok, mas como eu cutuco muito os cantinhos (de nervoso) às vezes ficam mais grossinhas. E beleza, não ligo mais, só tento não cutucar tanto.

Fora o ganho de tempo e dinheiro, além do psicológico não ser afetado. Às vezes sinto saudade de ter unhas vermelhas ou pretas, mas sinceramente? Não penso em pintar tão cedo, nem para festas, eventos, nada. Não devo essa satisfação a ninguém, não sou pior profissional por conta disso, muito menos “desleixada”.

Fora aquela coisa IRRITANTE de homem opinando que prefere mulher de unhas clarinhas, bla bla, MELHOREM macholândia que reproduz falas misóginas.

E para vocês? Alguém também deixou de pintar as unhas ou adoraria, mas tem medo dos julgamentos?

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