O algodão que não é sustentável

Quando comecei anos atrás a falar do poliéster e priorizar fibras naturais, bati muito na tecla do algodão. Pesquisando, li que existiam diferenças entre os tipos de algodão disponíveis no mercado das fibras têxteis, o que impactava na qualidade da roupa que vestimos. Algumas plantas com fibra mais curta serviam para composição de roupas com um custo menor e, consequentemente, baixa qualidade, enquanto as com fibra longa eram mais macias, duráveis e, logicamente, mais caras.

Mas a pesquisa não parou aí: logo vieram as peças com etiqueta de algodão orgânico, e eu fui entender mais sobre. Conheci o algodão orgânico paraibano, que já nasce colorido, dispensando o tingimento têxtil, consequentemente químicas poluentes de rios, com premiações que ajudam diversos agricultoras de assentamentos familiares no sertão. Nos assentamentos assessorados, os agricultores seguem critérios como: o cuidado com a saúde do produtor e do solo; a proteção da biodiversidade; a valorização das sementes tradicionais; e o respeito aos limites da natureza e as relações humanas. 

Mas como ser brasileira é não ter um minuto de paz nesse país, a bancada ruralista está tentando aprovar o PL 6299/02, o PL do Veneno e, como profissional de moda, precisava trazer esse tema para vocês.

Recebi um email do Rio Ethical Fashion que explica mais a campanha contra a PL do Veneno:

“O algodão é uma das matérias primas mais importantes da moda e o Brasil é o segundo maior exportador de algodão do mundo. Por isso, começamos essa semana falando mais uma vez sobre a importância da nossa indústria lutar por uma agricultura livre de agrotóxicos.

Por ser uma fibra natural, muitas pessoas acreditam que algodão é sinônimo de sustentabilidade, mas isso não é verdade. O algodão é a quarta cultura que mais consome agrotóxicos no Brasil. Destacamos aqui o glifosato, um dos agrotóxicos utilizados nessa cultura, cuja exposição pode causar sérios danos à saúde humana, como câncer e aborto espontâneo.

Por enquanto, os compromissos assumidos pela indústria da moda são de endossar a certificação BCI (Better Cotton Iniciative). Essa certificação preza por melhores práticas, como ausência de trabalho análogo à escravidão e trabalho infantil, e 75% do algodão brasileiro é certificado. Mas infelizmente, isso não impede o uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas.”

Segundo campanha liderada pela Modefica e Fashion Revolution Brasil, “A moda é uma das indústrias mais poluentes do mundo. Segundo o WWF, 2.4% do total de terras férteis em escala global é usado para plantação de algodão e, ainda assim, essa pequena quantidade é responsável por 24% das vendas de inseticidas e 11% das vendas de pesticidas. Aqui no Brasil, ele é a principal fibra utilizada nas confecções e consome dez tipos de agrotóxicos, entre eles: glifosato (ligado a casos de câncer e aborto espontâneo), acefato (efeitos gastrintestinais, neurológicos, respiratórios e dérmicos) e Imidacloprido, considerado fatal para abelhas.”

O PL prevê a mudança do nome “agrotóxico” para versões mais brandas, como “defensivos agrícolas” e “produtos fitossanitários, redução do tempo de aprovação de novos agrotóxicos de 8 anos para 24 meses, além de passar de mão da aprovação na Anvisa, Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura, para apenas este último. Os apoiadores do PL também apoiam a mudança do responsável pela análise de risco, passando essa etapa para as mãos da empresa dona do agroquímico.

Assine aqui a petição para impedir a aprovação do PL!

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