Como saber quando vale a pena guardar uma peça por anos?



Alguém fez essa pergunta no post do meu vestido vintage, que passou da minha mãe pra mim, mas não achei no post, acho que foi por email…bom, ela perguntou como identificar quando vale a pena guardar uma roupa por tanto tempo.

Então, fiquei matutando uma resposta, mas é difícil saber ao certo o que pode ocupar um lugar no seu armário (e no seu coração!) para você usar daqui a 20 anos ou as suas gerações futuras. Heranças fashion, sabem?

Na verdade, acho que essa relação afetiva com nossas roupas e o reuso é tipo o futuro do consumo, quando tudo estiver super caro, sem lugar para descarte, sendo produzido loucamente na China ou se tornando cada vez mais efêmero.

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O que é bem diferente de guardar uma calça baggy achando que a moda dos anos 80 pode voltar e você vai conseguir usá-la de novo…vários estilos e décadas voltaram, sim, mas repaginados, com detalhes mais atuais. A indústria não é boba, ela quer gerar novos desejos de consumo.

Se não vai parecer apenas que você é um cabide de roupas de brechó, um túnel do tempo. Nada contra brechós, mas vocês entenderam, né? O lance é não parecer 100% datado (a não ser que seu estilo seja mais retrô!) e sim que você pegou aquele item e soube transportá-lo para um look atual, contemporâneo e não que está pronto para uma festa à fantasia.

Ou perceber se você vai realmente usar aquele item, se ele não é daquelas modas que vão e voltam. Comprei uma gladiadora dourada que ia até o joelho na época que entraram na moda. Só usei uma vez, depois fiquei pensando pra que guardá-la…quando eu finalmente doei, a moda voltou, hahaha. Mas não me arrependo, eu não a usaria, era extravagante demais até pro meu gosto.

No caso do vestido da minha mãe, guardá-lo foi apenas sorte, já que eu era criança quando ela me deu, não tinha noção dessas coisas. Eu apenas me apeguei a ele, era quase um símbolo do que eu queria ser quando crescesse! Eu sempre gostei de itens mais diferentes, adorava brincar com o guarda-roupa da minha mãe e avó. Lembro que minha vó tinha um casaco de pele (não me condenem! Isso tem quase 30 anos, nessa época era tão bacana quanto fumar – um horror!) e eu me sentia uma artista de cinema quando o vestia. Fora os brincos, os colares…

Então muita coisa eu guardei por afeição e digo a vocês que me arrependi de não ter guardado tanto quanto eu gostaria – só comecei a perceber algumas preciosidades ao longo dos anos. Lembro bem, por ex., quando minha vó me mostrou esses óculos escuros – eu já tinha meus vinte e poucos –  e eu pirei quando ela me deu. Os óculos com perfume retrô ficaram na moda, e por coincidência eu tinha os da minha vó, originais da década de 60.

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fotos: RioEtc e GNT

Uma cliente de consultoria de estilo também mostrou um mimo quando fomos montar seus looks: um broche com seu nome gravado de quando nasceu! Esses alfinetes/broches de prender fralda de pano, sabem? Achei isso tão incrível que usei para arrematar um look dela – ele acinturou uma camisa! 🙂

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Como saber o que guardar então? Acho que primeiro eu levo em conta o valor afetivo/emocional daquela peça. Se foi um marco na sua vida comprá-lo, se foi presente de um parente que se foi, se representa uma fase bonita, se você usou no seu jantar de noivado…mas atenção: algo realmente significativo. Senão tudo acaba gerando lembrança e o armário vira um amontoado de roupas guardadas!

Depois você pode escolher se prefere guardar um item atemporal ou um que repesente uma década. No caso do atemporal: as estampas são modismos ou clássicas? O modelo é jovial demais ou serve para várias fases da sua vida?

Mas se você quiser mesmo uma roupa que represente um estilo de uma década – na melhor definição do vintage –  divertido guardar o vestido rodado de cintura marcada da avó, a calça boca de sino da mãe, etc. Aliás, retirei desse post da oficina de estilo a diferença entre o que é vintage e o que é velhinho:

Para uma peça ser Vintage os requisitos são os seguintes: ter pelo menos 20 anos de antiguidade, ser testemunha de um estilo próprio ou de um estilsta, não haver sofrido nenhuma transformação, representar um instante de moda e estar em perfeito estado.

Por último, perceba a qualidade e o acabamento. Claro que itens como pérolas, seda, linho lã, cashmere e couro duram mais e são materiais mais nobres, que valem a pena preservar. Comprei numa liquidação recente esse lenço incrível de seda da Richards: sonho em guardá-lo para meus filhos e netos. 🙂

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No mais, vale a pena ler dicas de conservação/manutenção de cada um deles. Couro, por exemplo, tem que pegar um arzinho depois que usar, evitar deixar no sol e não ser guardado dentro de plástico para evitar mofo, prefira saquinhos de TNT!

Quem quiser pode começar buscando itens de brechó, que escondem de forma fascinante uma história e agora podem pertencer a sua própria história. E também perceber que se desapegar de algo faz bem: ninguém precisa transformar o armário em um brechó porque tem pena de se desfazer das coisas! Se aquilo não te serve mais, se te traz lembranças estranhas, desapegue-se sem dó! Abra caminho também pro novo. 🙂

Mais importante que a peça em si, é a lembrança que ela carrega. E isso ninguém pode te tirar 🙂

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Comentários pelo blog

3 comentários

  1. Juliana comentou:

    Ana, esse seu posto veio numa hora muito boa, sabia? Estou encarando o fato de que terei que fazer mudança semestre que vem, mudança limitada por malas – e que precisa incluir também todos os livros dessa vida de estudante que não abandono. E já estou agora, meses antes, pensando no que vai e no que vai ter que ficar pra trás… Sou muito apegada a tudo, do tipo que guarda camiseta furada porque é tão gostosinha pra usar de pijama… E agora – pum! – bora tentar racionalizar e empacotar tudo que for selecionado? Com certeza, esse seu post estará no primeiríssimo plano mental quando essa empreitada tomar forma!

  2. karen comentou:

    Adorei o post Ana! Amo o jeito sensato/ coerente de como vc trata a moda!

  3. O exercício do desapego é necessário mas como é difícil! adorei as dicas!
    Abraço!
    Sonia