Hoje tentei postar foto mas não gostei do look, estava calor, fui arriscar uma combinação que na foto não ficou boa e achei melhor deixar pra lá.
Fui fuçar o hd externo em busca de alguma ideia pro blog e reencontrei o retrato de um menininho perdido no meio de um mar de looks.
Lembrei dessa tarde ainda amena há pouco mais de um mês, em que dava pra encarar uma calça e uma blusa de manga: estava fotografando com o coração na mão e tendo passado por uma série de problemas. Muito angustiada e triste, sem esperanças, mas continuando meus trabalhos sem permitir esmorecer.
Estava acertando luz e foco com a minha prima numa esquina do aprazível bairro do Grajaú, quando um menininho passa com a sua mãe pela gente. Ao ver minha câmera fotográfica, esticou os olhinhos, parou na nossa frente e pediu: “Tia, me fotografa?”.
Eu estava extremamente mal humorada e por isso achei que ele estava só implicando conosco – quando se tira foto na rua, muita gente é carinhosa, paciente, educada, mas tem também um povo muito sem noção – não dei muita trela e continuei mexendo nos mil botões.
“Tia. Tira minha foto?” – pediu novamente.
“Vem, meu filho, elas estão trabalhando”. Mesmo com o pedido da mãe, ele continuou irredutível, mãozinhas aflitas, olhar esperançoso.
Virei novamente pra ele e me toquei que ele não tinha nada a ver com tudo que estava acontecendo. Que enquanto eu me esforçava pra mostrar os dentes e continuar com as poses, ele só queria uma foto. Vou tirar logo essa foto pra ele – na verdade parece que ele só quer isso.
Mirei a lente em direção ao seu rostinho e gritei: “Faz pose!”
Ele imitou seus ídolos posicionando o braço e levantando o dedão num joinha embalado por um largo sorriso. Mostrei no visor – Olha só a sua foto! Ele sorriu mais ainda, animadíssimo, deu um “tchau!” e saiu correndo para dar a mão à mãe.
E eu fiquei lá, com sua imagem congelada na câmera.
Sorri.
Que tenhamos sempre a leveza e a simplicidade cruzando as esquinas dos nossos dias. <3


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