Uma das coisas mais legais que eu já ouvi sobre a minha pessoa foi numa aula de consultoria de estilo. A Fernanda, uma das alunas, em um exercício de sala de aula, disse que eu passava a imagem de uma pessoa que chegava junto com a roupa – a roupa não chegava antes, pelo contrário, parecia que fazia parte da minha personalidade. Fiquei emocionada.
Acho que é exatamente isso que eu quero passar quando me arrumo. Não existe essa de causar pra outras pessoas, de aparecer mais que alguém, de ser um destaque no meio da multidão. Ok, mulher gosta normalmente de se sentir a mais bonita e disputar isso com outras. Mas quando eu me visto, tenho a sensação de ser única, sim, mas única para as pessoas que eu gosto. Para meu marido. Para celebrar com minha família e amigos. Nós somos únicos pelas nossas personalidades, gostos e desejos. Quando eu me visto, eu apenas expresso o que eu sou, apenas passo uma mensagem de que a roupa é a continuação de quem eu sou, tudo sempre de dentro pra fora.
A sensação é que as roupas são apenas a extensão da minha pele. Sou colorida, me divirto com texturas, misturas e estampas. Na verdade, eu sou feliz – eu tenho tudo o que preciso para isso, nem nada mais, nem nada menos.
Não temos como controlar o que vão pensar da gente, transmitimos uma imagem ao nos vestirmos e quem a capta fica responsável pelo apuro e cuidado em suas questões. Mas acredito que carrego comigo uma vontade verdadeira de me comunicar ao mundo, a de dizer “Ei! Eu existo e sou muito feliz, obrigada!”. Uma vontade de repassar essa energia boa. <3
Quando eu era novinha, as roupas eram uma maneira de me destacar, de chamar atenção, sim. Afinal, quem olharia para uma criatura magrela, dentuça e branca pra cacete? Finda essa necessidade juvenil de ser percebida, pratico a serenidade quando notada onde passo. Não, não percebo se me olham torto ou se me olham com admiração. Podem ser olhares espantados, afinal, não é qualquer um que se desafia indo trabalhar de blazer de paetês. Percebo quase nunca esses olhares, somente os gestos de carinho, de quem se importa verdadeiramente comigo!
Eles passarão, eu passarinho, já escreveu Quintana. E assim eu sigo, sabendo que não preciso ganhar coragem para vestir o que quero, certa das minhas escolhas, dos meus erros e acertos – e que é tudo um processo delicioso de auto conhecimento! Que na verdade nem serei assunto na mesa de jantar de quem me viu com batom vermelho em plena luz do dia. Se expomos ao mundo de dentro pra fora o cuidado com nós mesmas, acredite, seremos notados de uma forma positiva e motivadora. Não devemos levar todos os olhares à sério, mas filtrar apenas aqueles que nos fitam com carinho e admiração.
Qual é a sua pequena dose diária de ousadia? Passar um batom vermelho? Amarrar um lenço na cabeça? Misturar duas estampas? Perceba apenas os olhares de admiração e saia por aí como quiser, sem medo de ser feliz com as suas escolhas ♥
Nós podemos mais. Não tenha medo de experimentar algo novo e nem de privar o mundo da sua pequena dose diária de ousadia. 🙂


Deixe um comentário