Desde meados de outubro estou em um ritmo avassalador de trabalho. Até início de dezembro será assim, sem conseguir um respiro, completamente ocupada com meus jobs de designer, consultoria de estilo, workshops e blog. E em épocas assim eu fico isolada do mundo, completamente emburrada e com a mente atordoada, rs. Sério! Também, quem fica super de boa trabalhando tanto? hehe. Mas to feliz, não posso reclamar, só não estou conseguindo tempo pra fotografar os looks e nem inspiração pra escrever! 🙁 (e nem pra cortar cabelo, fazer as unhas, dormir, ler…abafa, hahahahahaha). Espero acertar isso semana que vem!
Ontem sentei, tentei escrever algo…e a cabeça doía. E ficou tipo redação da quinta série, sabem? Desisti. Melhor não querer filosofar muito nesse período.
Mas a cabecinha aqui não para, mesmo cansada.
Fiquei matutando sobre os preços que discutimos recentemente das últimas coleções da C&A e, em um momento retrô, revi posts de coleções anteriores em que eu elogiava os valores, que estava tudo dentro da proposta de uma fast fashion. Vejam bem, nada contra a rede ter produtos com preços mais elevados, mas entendem que ali sempre foi meu refúgio para encontrar roupas a preços não tão exorbitantes? Uma coisa tipo, todas as lojas cobram 300 reais por blusinhas de poliéster, que bom que na C&A, Renner, Riachuelo e afins tenho a oportunidade de encontrar uma no mesmo estilo por 1/5 do valor!
foto daqui.
Estava vendo o video da Julia Petit pro Enjoei e uma frase dela foi interessante “Acho uma afronta pagar muito caro em roupa”. A Julia resumiu o que eu penso quando vou a uma loja e vejo nitidamente que aquela peça não vale tudo que pedem.
Sei bem que a indústria tem todo um custo de produção, funcionário com carteira assinada vale o dobro pra empresa, tem todo um trabalho de marketing, pesquisa, design, desenvolvimento, distribuição, ponto de venda. Mas o que me deixa completamente desnorteada é perceber um aumento significativo a cada troca de coleção e a qualidade decair! Margem de lucro, compreendo, mas a gente precisa realmente mandar isso pra dentro e pronto? Bastou colocar a etiqueta e ela já vale o que pedem? Ou a gente anda com a etiqueta pendurada por aí?
Quando comecei o post falando do quanto eu tenho trabalhado e dormido pouco, essa introdução foi proposital para ressaltar que esse dinheiro é suado. Dinheiro este que mal dá pra saída: aluguel, plano de saúde, contas básicas, contador, servidor, alimentação, algum lazer…
Por isso tenho ficado cada vez mais chata quando vou ao shopping. Mais criteriosa, olho sem dó as etiquetas, percebo o caimento, viro do avesso e avalio o acabamento. Eu AMO comprar roupa, mas do jeito que os valores e impostos aumentam a cada dia nesse país, comprar roupa virou luxo. Por mais que a gente compre em fast fashion, é um luxo, gente.
Vale comprar mais do mesmo ou investir mais em produtores locais, sabe? Tudo vem da China, mas pensa só que tem uma parcela de marcas querendo fazer diferente. Isso tem que ser valorizado.
O mito das lojas “caras”
Algumas mulheres já me confidenciaram que nunca entram em lojas aparentemente mais caras. E vejam bem, hoje em dia todas as lojas andam caras, hahaha, estou me referindo às mais grifadas. Eu fico feliz da vida quando posso provar que mesmo sem ter muita grana, podemos e devemos entrar nessas lojas sim. Vou listar meus motivos:
– Referência. Normalmente essas lojas têm produtos com bom acabamento, excelentes materiais e, acreditem, oferecem bons atendimentos, sim. Quando a gente perde o receio e entra e experimenta uma roupa mais bem cortada, com bom acabamento e tecido natural, a gente cria uma referência do que é bom. Com isso, a gente pode buscar em outras lojas itens que tenham proximidades com aquele, percebemos melhor o que é um bom caimento, no que devemos prestar atenção ao criarmos nossos critérios. Lembram que encontrei um blazer de linho com forro de algodão na C&A? Pode não ser o melhor linho e algodão do mundo, mas eu sabia que é raro ter blazer com forro de tecido sem ser sintético e que são bons materiais para investir.
Por isso, não se intime ao querer entrar numa loja que pode estar além dos seus poderes aquisitivos. 🙂
Minha jaquetinha jeans de brechó onine 🙂 Desejada, buscada e comprada de forma consciente!
– Todas liquidam. Isso é fato: todas essas lojas precisam escoar estoque para trocar de coleção. Fiquei namorando uma calça de alfaiataria na maria bonita extra por um tempão. Um belo dia a loja já estava finalizando sua liquida com 70% de desconto e comprei a calça por 115 reais. Levando-se em conta que alfaiataria exige qualidade e esse é o preço de muita fast fashion, fiz um bom negócio.
– Pontas de estoque e brechós. Procure as pontas de estoque das marcas. Aqui no blog tem uma listagem com elas. Brechós também são uma excelente opção! Minha jaquetinha jeans da Levi’s estava menos da metade do preço da loja e novinha, novinha!
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Sei que esse post deve estar meio desconexo, haha, mas estou com os pensamentos desorientados, relevem. O que eu quero dizer é que nós temos a faca e o queijo na mão. Somos nós quem podemos acabar com essa barreira de só comprar em determinado lugar. Tudo está caro demais, não existem muros para nos impedir de entrar nas lojas, avaliar com cautela nossos investimentos e nem de exigirmos bom atendimento.
Enquanto jogam tendências e mais tendências para não nos sentirmos “atrasadas” com o que está na moda e consumirmos mais e mais, a gente pode criar o padrão reverso e só comprar o que tem a ver com o nosso estilo. Ninguém aqui é apenas a pessoa que passa o cartão; eu não quero ser mais uma a desfilar as tendências a cada temporada e meu guarda-roupa se tornar uma coleção sazonal. É dinheiro meu ali, é tempo gasto, isso não é brincadeira.
Não seria muito melhor a gente se apropriar das nossas escolhas cada vez mais e tornar o nosso guarda-roupa conciso e inteligente? 🙂 E com a nossa cara, e não a cara das vitrines das lojas?
Update: Complementando com frases de Pepe Mujica, presidente do Uruguai:
“As pessoas não compram com dinheiro, compram com o tempo que tiveram que gastar para ter esse dinheiro. Não se pode desperdiçar esse tempo, é preciso guardar algum tempo para a vida”.
“Pobres são aqueles que precisam de muito”.
E também com comentário da Fernanda aqui abaixo: mesmo com margem de lucro alta, algumas lojas se valem de uso de mão de obra escrava e péssimas condições de trabalho aos seus funcionários. A se pensar, galera.



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