Que tipo de vida é essa?

Certa vez tomei esporro de uma pessoa que dizia que eu nunca ganharia dinheiro pra comprar uma bolsa Chanel (!!!) com este blog se eu continuasse com minhas atitudes sobre consumo consciente, de comprarmos de quem faz, olhar etiqueta, repensar sobre comprinhas impulsivas, etc.

Argumentei sobre mão de obra em regimes análogos aos escravos, sobre fomento à indústria nacional e o pior de tudo foi ouvir que bolivianos trabalham muito por pouco dinheiro porque são pessoas de hábitos simples, não tem a necessidade de consumir que nem nós, brasileiros (!!!!!!!!!!!!!!111111).

Quando você escuta isso de forma tão convicta, não tem como não ficar em choque ou parar e pensar como está tudo errado. Não sou a pessoa mais correta do mundo, mas cada vez mais tenho repensado sobre o que consumo, como podemos saber mais da origem do que consumimos, tipo de material empregado, entre outros fatores.

Como eu disse outras vezes, não levanto a bandeira de vivermos de subsistência plantando alface e vestindo uma tanguinha, mas quando comento sobre mais consciência nas compras, escuto logo um Mas o que eu vou vestir? Vou andar pelada? E esse seu telefone, fabricado na China?”

Primeiro, não vamos andar peladas porque certamente temos roupa suficiente para nos vestir nos próximos 20 anos. Temos desejos de consumo, vontades desenvolvidas por vaidade/desejo, mas duvido que alguém que esteja me lendo não tenha ao menos meia dúzia de roupas no armário. Ou uma centena delas.

Não falo pra ninguém parar de comprar, mas de repensar suas escolhas na hora de comprar. Eu mostro possibilidades aqui, desde as fast fashions a quem tem uma mini confecção. Como posso diminuir a quantidade de roupas ou produtos de origem desconhecida no meu armário/na minha vida e priorizar mais o produtor local, a amiga que faz tricô e pode criar blusas lindas, um bazar entre amigas para trocarmos o que já foi produzido e não precisa de moeda pra comprar, uma estilista que esteja começando e tem suas próprias criações, emprega três costureiras e uma modelista?

São pequenos gestos do local que podem ajudar a influenciar o que é global. Esse é um dos motivos desse blog não focar em “moda barata” mas em moda possível e consciente, de comprar menos e melhor.

Aí hoje recebi o link que está circulando meia internet de um reality show do Aftenposten, principal jornal da Noruega que enviou três blogueiros do país para um experimento social: trabalhar numa fábrica têxtil no Camboja.  Uma das cenas de destaque do trailer é quando uma das participantes chora e exclama: “Eu não aguento mais”. “Que tipo de vida é essa?”.”

SweatShop1

SweatShop3

“Trabalhei com eles por algumas horas e pensei que ia partir ao meio. Estava muito quente e as tarefas são muito cansativas. Além disso, você tem que trabalhar sob grande pressão e fazer tudo muito rapidamente. Assim que termina uma peça de roupa, você começa a costurar outra, sem descanso. É um círculo vicioso que não acaba nunca”, contou uma das participantes transcrito no link do Update or Die.

Neste link tem todos os episódios do reality que começo a assistir agora. Quero cada vez menos contribuir com dessa engrenagem, e vocês? Como podemos fazer isso juntas, cada vez melhor? Seria impossível vislumbrar uma nova perspectiva para consumir moda?

Ou pior: será que dar de ombros e ter um armário cheio de roupas supera tanto assim esse tipo de história?

Se colocar no lugar do outro, exercer empatia é tão difícil nos dias de hoje. Pior que nem precisa ir pro Camboja, isso está acontecendo aqui, debaixo dos nossos narizes. Cara, vou ser sincera pra vocês: estou meio sem palavras e chorei junto com a menina :,(

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Comentários pelo blog

34 comentários

  1. Quando alguma amiga minha chega para mim toda feliz que comprou algo extremamente barato no aliexpress, eu sempre brinco, mas em tom crítico: oba! Quantas crianças chinesas você explorou? Elas nunca gostam porque a verdade incomoda. Mas, honestamente, quanto vale pegar barato em algo em troco da vida de outra pessoa? Isso não é Moda, isso é exploração!

    1. Ana respondeu Maria Fernanda

      Aí vc em vez de comprar direto da fábrica exploradora chinesa, vc compra nos revendedores, aqui no Brasil, de peças das fábricas exploradoras chinesas, só que 5 vezes mais caro. Boa.

      Não apoio trabalho escravo e me sinto mal em saber que compro coisas que foram feitas por pessoas nessas condições, mas o consumidor desse tipo de produto tá LONGE de ser só quem compra no ebay e ali.

    2. Alexandra respondeu Maria Fernanda

      Acho uma ótima não comprar nos Alis. Podemos também deixar de comprar certas marcas e/ou em certas revendas, já que sabemos como suas peças foram produzidas. Por algum lugar é preciso começar.

  2. Re comentou:

    Parabéns pelos caminhos que vem escolhendo, Ana! Eles mostram a pessoa que vc é. E um trabalho consciente como o seu vale mais do que 1000 bolsas Chanel. Não precisamos mais do mesmo, mais da mesma alienação… Tenho fé que com tantas crises o caminho da consciência, da empatia, da colaboração será o caminho do futuro!

  3. Ana comentou:

    Tem gente que prefere nunca ter dinheiro pra comprar uma bolsa Chanel do que compactuar com essa indústria do consumo desenfreado, né? É questão de VALORES. Tem gente que tem, tem gente que não.

  4. Tatiana comentou:

    Nos blogs que acompanho, tenho visto a preocupação com por que consumimos tanto, queremos sempre mais, como consumir melhor. Para mim, são questões que se confundem com o modo como queremos viver, o mundo que desejamos. Alegra-me vê-las sendo feitas por quem, mesmo trabalhando no setor, é capaz de questionar aspectos que parecem ser da própria natureza da moda.
    Preocupa-me, no entanto, ver que uma das soluções comumente apresentadas é o consumir localmente, conhecer quem faz o seu produto, etc. Não tenho tanta certeza se o caminho é por aí. Tanto a teoria de economia internacional quanto os estudos empíricos apontam que o crescimento do comércio internacional é benéfico. Vemos isso no Brasil. Ainda que continuemos muito fechados, com a abertura comercial dos anos 90, tivemos acesso a produtos melhores e mais baratos, produtores nacionais foram obrigados a repensarem seus modelos de negócio ou criando diferenciais que justifiquem preços mais altos ou tornando mais eficiente a produção. E, na Ásia, é difícil dizer que a indústria de vestuário tornou os pobres mais pobres ou piorou a vida de toda a população. Um contingente enorme vive da indústria têxtil em países daquele continente e seria enormemente prejudicado se simplesmente os bens produzidos não fossem mais exportados por questões humanitárias.
    Penso que devemos, sim, nos preocupar em conhecer a cadeia de valor dos produtos que compramos e forçar, como possível, para que os elos mais fracos dela se apropriem mais dos ganhos gerados, sejam os bolivianos no Brasil, sejam cambojanos no Camboja. Exigir de quem nos cobra caro que respeite direitos trabalhistas no Brasil ou repasse ganhos para que trabalhadores vivam uma vida digna ainda que não haja lei a exigir em outros países pode ajudar a construir um mundo melhor. Isso, todavia, é diferente da defesa de medidas protecionistas, que, via de regra, só melhoram o bem-estar dos capitalistas favorecidos e das pessoas por eles empregadas.
    Sobre a indústria têxtil em países da Ásia e a globalização da produção de roupas vale a pena ouvir este podcast, sobre a chegada da indústria têxtil em Bangladesh:http://www.npr.org/blogs/money/2013/12/05/247360903/nixon-and-kimchee-how-the-garment-industry-came-to-bangladesh
    E os vídeos sobre a produção global de camisetas, em especial o que trata das pessoas.

    1. Alexandra respondeu Tatiana

      Com todo respeito, a sua retórica é admirável, mas de um ponto de vista prático (ali, no dia a dia), o que você sugere que façamos? Como um mero consumidor pode “Exigir de quem nos cobra caro que respeite direitos trabalhistas no Brasil ou repasse ganhos para que trabalhadores vivam uma vida digna”? Ali, no dia a dia, como fica isso? A consciência e/ou o conhecimento acerca de certas dinâmicas precisa se traduzir em ações concretas.

      1. Tatiana respondeu Alexandra

        Escolha as lojas em que compra usando esse critério – tem várias -de nicho, é verdade – cuja propaganda se baseia em toda a cadeia ser bem remunerada e sustentável, não comprar em lojas que já foram pegas usando mão de obra escrava – tem listas na internet, perguntar sempre para a vendedora de onde venho a roupa, se ela sabe como foi feita. Só essa demonstração de interesse já e uma sinalização para o comerciante. . Essas são ações concretas. Há inúmeros meios, você tem o que eles querem, que é o dinheiro

    2. Simone Tressi respondeu Tatiana

      Concordo contigo, Tati! Ouvi recentemente de uma amiga desse meio (dona de loja de confecção própria) que cada vez mais as marcas brasileiras estão comprando seus tecidos na China. Ou seja, a execução da peça pode ser feita aqui e de forma que respeite os direitos trabalhistas, mas a origem do tecido é duvidosa.

      Creio que essa corrente é muito difícil de se quebrar, assim como tantas outras – a maioria das pessoas não se preocupa com as condições dos cortadores de cana brasileiros (só pra dar um exemplo). Não estou dizendo com isso que devemos cruzar os braços e nos contentar. Acho muito válido o exemplo que os noruegueses deram ao colocar-se EFETIVAMENTE no lugar do outro. Mas as ações cotidianas pensadas para romper com essa cadeia de exploração precisam realmente de muita reflexão, ou estaremos apenas deixando de financiar o problema em uma esfera e transferindo para outra etapa da produção.

      Pra mim, o consumo consciente começa na NECESSIDADE do consumo. Comprar só por comprar, para seguir tendência ou para ter um armário abarrotado, é o primeiro fomento para esse tipo de indústria que não queremos. Então comprar somente o necessário, identificando da melhor forma que pudermos os produtores locais, é um começo. Tímido, mas um bom começo. Também acho super importante avaliar por que tantas empresas, que possuem produção própria e realizada de modo digno e humano, estão falindo no Brasil. Que legislação é essa que impede o empreendedorismo e a produção cem por cento nacional?

      Ana, como sempre você levanta a bola das questões realmente importantes. Parabéns por tentar sempre despertar essa consciência em suas leitoras e discutir junto.

      1. Ana Carolina respondeu Simone Tressi

        concordo com seu comentário, Si!

  5. Tatiana comentou:

    Nos blogs que acompanho, tenho visto a preocupação com por que consumimos tanto, queremos sempre mais, como consumir melhor. Para mim, são questões que se confundem com o modo como queremos viver, o mundo que desejamos. Alegra-me vê-las sendo feitas por quem, mesmo trabalhando no setor, é capaz de questionar aspectos que parecem ser da própria natureza da moda.
    Preocupa-me, no entanto, ver que uma das soluções comumente apresentadas é o consumir localmente, conhecer quem faz o seu produto, etc. Não tenho tanta certeza se o caminho é por aí. Tanto a teoria de economia internacional quanto os estudos empíricos apontam que o crescimento do comércio internacional é benéfico. Vemos isso no Brasil. Ainda que continuemos muito fechados, com a abertura comercial dos anos 90, tivemos acesso a produtos melhores e mais baratos, produtores nacionais foram obrigados a repensarem seus modelos de negócio ou criando diferenciais que justifiquem preços mais altos ou tornando mais eficiente a produção. E, na Ásia, é difícil dizer que a indústria de vestuário tornou os pobres mais pobres ou piorou a vida de toda a população. Um contingente enorme vive da indústria têxtil em países daquele continente e seria enormemente prejudicado se simplesmente os bens produzidos não fossem mais exportados por questões humanitárias.
    Penso que devemos, sim, nos preocupar em conhecer a cadeia de valor dos produtos que compramos e forçar, como possível, para que os elos mais fracos dela se apropriem mais dos ganhos gerados, sejam os bolivianos no Brasil, sejam cambojanos no Camboja. Exigir de quem nos cobra caro que respeite direitos trabalhistas no Brasil ou repasse ganhos para que trabalhadores vivam uma vida digna ainda que não haja lei a exigir em outros países pode ajudar a construir um mundo melhor. Isso, todavia, é diferente da defesa de medidas protecionistas, que, via de regra, só melhoram o bem-estar dos capitalistas favorecidos e das pessoas por eles empregadas.
    Sobre a indústria têxtil em países da Ásia e a globalização da produção de roupas vale a pena ouvir este podcast, sobre a chegada da indústria têxtil em Bangladesh:http://www.npr.org/blogs/money/2013/12/05/247360903/nixon-and-kimchee-how-the-garment-industry-came-to-bangladesh
    E os vídeos sobre a produção global de camisetas, em especial o que trata das pessoas.
    Enfim, nada é muito simples, mas ainda bem que tem quem viva de moda e não tenha como objetivo de vida ter uma Chanel.

  6. Muito fácil ver esse tipo de coisa acontecendo bem embaixo do nosso nariz, só dar uma volta pelo Brás. Quem compra mercadoria de procedência duvidosa também está ajudando esse mecanismo a crescer cada vez mais. A grande questão, como você mesma disse, não é parar de consumir mas aprender a pensar antes de consumir tanto! Adorei descobrir esses vídeos, com certeza assistirei todos =D
    Obrigada por ter um blog tão interessante e cheio de coisas boas para compartilhar, ainda que o assunto em questão seja preocupante demais.
    Beijos.

  7. Oi Flor, quando eu vi está reportagem eu cai no choro, pois em 2008 eu fui morar em Santa Catarina em uma cidade chamada Indaial e me deparei com vários barracões de costura chamados de (facções), para min aquilo foi um choque, ver crianças de 12 anos encima de máquinas costurando roupas para Pernambucanas, Leader, Renner, Riachuelo, Mormaii e outras fast fashions, eu não queria acreditar naquilo que eu estava vendo, só que um professor me fez enxerga falando que aquilo era normal e cultural da região, no momento eu pensei calada para não mandar ele ir trabalhar naquelas fabricas sujas de empregadores como ele. Fiquei revoltada e no outro dia mandei um e-mail para OIT que até hoje não tive resposta. Só que o pior de tudo foi que eu passei um ano vendo tudo aquilo acontecer e quando eu criticava este tipo de trabalho os meus colegas de trabalho e de faculdade me criticava falando que a região que eu morava só tinha preguiçoso e que o povo não gostava de trabalhar. Ai você para e pensa este sofrimento se torna tão natural que para eles é questão de cultura, depois de 6 anos eu estou entrando em um curso tec. de vestuário e sei que os 2 anos que vou estudar vou me deparar com estas situações. Há um mês estou vivendo encima de livros escrevendo um artigo sobre trabalho escravo em facções e gostaria de pedi autorização para cita seu blog no meu artigo para mostra que não precisamos consumir loucamente nem explorar ninguém para esta bem vestida.

  8. Adriana (Flórida) comentou:

    Acho que a essência do que temos q ter em mente aqui é: Precisamos consumir tanto e de um modo tão desenfreado? Compramos para aliviar um sentimento de angústia, porque estamos na TPM ou porque estamos muito felizes. Que tal comprarmos porque estamos realmente precisando?

  9. Florinda comentou:

    A questão vai muito além do mundo da moda, basta ver os casos de suicídio na fábrica da Foxcomm(empresa que produz iphone e se localizada na China) e o uso de cádmio e metais pesados em bijuterias e até em tintas usada em utensílios domésticos. Ou seja, ao comprar esses produtos você contribui não apenas para manter o trabalho escravo, como para destruir sua saúde. O pior é que tem muitas marcas brasileiras produzindo lá…

  10. luciana comentou:

    Ana, admiro sua postura de colocar minhocas na cabeça das leitoras. Li tudo e concordo que é urgente frear o consumismo. Dá pra viver com bem menos roupas, bolsas, sapatos e celulares… Vc dá exemplos diários aqui para investirmos nas combinações.
    A exploração/discriminação que está bem ao nosso lado e não sensibiliza é algo que me assombra e entristece. Vejo pessoas muito egoístas que não enxergam que vivemos num país imensamente desigual e, portanto, não aceitam mudanças que impliquem em redução da pobreza.
    Beijo, querida.

  11. grazie comentou:

    Que linda reflexão Ana, por isso seu espaço é tão bacana, tão real e tão necessário.

    Não poderia esperar outra postura sua que não essa, denunciar o abuso cometido em nome da nossa vaidade e se colocar na posição do outro, ter empatia, algo tão raro nos dias de hoje, se é que um dia existiu.

    Beijos e continues este belo trabalho.

  12. Denise comentou:

    Ao ler seu post, me passou tanta coisa na cabeça que nem sei direito por onde começar. Certamente, o que me incomoda muito é pensar que uma bolsa Chanel deve ser prioridade em vez de seus valores, de seu caráter, da sua formação.
    Acredito que o brasileiro perdeu totalmente a noção do que é importante na vida. Tudo gira em torno da imagem vazia e indiferente às dores do outro.
    Adoro comprinhas, lojas e tais, mas é importante balancear a vida. Nem tudo é consumismo e ostentação.
    Parabéns por pensar diferente da maioria.
    bjs

  13. Rose comentou:

    Muito boa a reflexão, Ana.

  14. Jéssica comentou:

    Eu concordo com tudo que foi dito, acho que seria muito legal uma série de posts falando sobre marcas socialmente responsáveis porque as vezes é bem complicado escolher quais marcas consumir, infelizmente pagar mais caro não nos traz garantia nenhuma de que o produto tem qualidade ou foi produzido sem exploração (na verdade na maioria dos casos a exploração é dupla, exploram quem trabalha na fabricação e nos exploram cobrando muito mais do que o produto vale)

  15. Gi comentou:

    Ana. Fico muito feliz com sua crescente preocupação com o tema. Tenho notado em posts seus ha algum tempo e hoje, enfim, um relato direto. Cerca de 2 anos atrás (acho) comentei aqui em um post de coleção capsula que não comprava porque me sentia mal em, como você disse, contribuir para essa engrenagem… fui apedrejada por uma série de meninas (e mulheres?) me questionando que isso era impossível, que eu não sabia do que estava falando, que não fazia diferença porque eu era uma só (!!!). De lá pra cá acho que nunca mais comentei. Sinceramente, me senti agredida e até hoje não entendo o porquê da agressão. Acredito que pequenos gestos fazem sim toda a diferença e que podemos comprar em feirinhas de confecções independente (alô passado da Farm!), olhar as solas dos sapatos antes de levar e cortar Zaras e Le Lis Blanks da vida de nosso armário. Passei alguns anos sem qualquer enfeite de natal em casa até, para minha grande alegria, achar um loja no centro que faz guirlandas artesanais. Não pago R$2.000,00 na saia Cris Barros que tanto desejo, mas também não vejo porque me “vingar” comprando uma chinesa.
    Bjin.

  16. paula comentou:

    Ana, realmente vc ainda não venceu na vida, não tem uma bolsa Chanel até hoje! haahhaha! Minha ambição é ter dinheiro pra viajar bastante e ver pela vitrine as bolsas Chanel vendidas no exterior… Fico feliz com uma Adô!

    Quanto ao tema do post, é uma coisa que penso muito também… Quando vc vai numa Primark da vida e vê uma calça jeans por 5 libras, sendo que por este valor ainda estão tendo lucro, vc pode imaginar o quanto foi gasto com quem a produziu (por mais que seja uma roupa péssima, ainda assim é barato demais). Imagino que a solução seja mesmo consumir menos esses produtos de fast fashion, especialmente no mercado europeu e norte-americano, onde é tudo ainda muito mais frenético do que aqui.

  17. Andreia comentou:

    Parabéns Ana!Fico feliz em ver que existem pessoas que realmente se importam com o rumo que nosso consumismo desenfreado tem seguido!
    O que podemos fazer? O que meros cidadãos podem fazer numa situação desta? Como podemos cobrar que as insdústria sigam os direitos trabalhistas?
    simples! com nosso poder de compra!
    Não comprar de lojas e marcas que sabemos que não cumprem estas leis ou que já foram flagradas com trabalho analógo ao escravo.Exemplo disto: Renner, Lelis Blanc, Luigi bertoli, Eme, M officer, Cori, Zara.
    Não podemos fechar os olhos e fingir que nada está aconetceendo! Enquanto estamos alimentando nosso consumismo, existem pessoas sofrendo e pagando com a vida!

  18. Denise comentou:

    Realmente tem muita informação aqui.
    Mão de obra escarava, ou semi escrava, não é previlegio da China. Como alguém disse antes, aqui mesmo, no Brasil, é possível encontrar esse tipo de exploração em vários estados e não só no que diz respeito à moda.
    Há uma confusão também em relação a artigos de alta moda: marcas como Hermés e Chanel fazem seus produtos com grande controle contra a pirataria, o que significa dizer que não há fabricas dessas marcas em países que não respeitam propriedade intelectual(marca registrada). Quanto ao direito de comprar um desses artigos, é uma decisão individual.
    Quanto ao consumo exagerado, esse sim é um grande problema.
    Compramos o que não precisamos e, por consequencia usamos pouco, e acabamos descartando. Com isso gastamos muito e geramos um sério problema do qual nem sequer nos damos conta: onde vai parar a roupa que descartamos?
    O consumo consciente é a resposta.

  19. Flavinha Nobre comentou:

    Eu havia recebido o artigo de uma amiga que é estilista e, assim como vocês, fiquei perplexa. A vontade foi de cancelar as contas do Ebay e do AliExpress imediatamente. Quebrar o cartão da C&A, Renner e afins. Esquecer a Zara (que já estava esquecida há tempos). Ainda bem que aqui não tem H&M e Mango, senão iam pra conta também.

    Mas, pensando bem, mesmo acreditando que, sim “uma andorinha realmente FAZ verão” não vejo esta como a solução para o problema do Camboja, dos Bolivianos, Chineses, etc…

    Pois, numa situação hipotética, se todos parassem de consumir os produtos, as fábricas fecham e nem os (Graças a Deus, antigos) 3 dólares por dia eles não teriam. Sim, numa situação de extrema pobreza como a que eles têm, 3 dolares é muito melhor do que um prato vazio…

    Mas, CLARO, que 3 dólares não chega nem perto do JUSTO, nem no cheiro, nem nada. Eles pedem 160 por mês, o que daria em torno de 8 dólares por dia, como salário mínimo. Mas eu já acho que deveria ser pelo menos 800…. Para comer, morar, cuidar da saúde, se divertir, rezar, e cuidar dos filhos é o MINIMO que eles merecem ter.

    O que eu vejo como ajuda a eles (de nós, pobres mortais) é exatamente o que estamos fazendo: Falando sobre isso! Compartilhando links, debatendo, chamando a atenção das autoridades. A força das “pessoas comuns” é realmente muito maior do que se pensa. A voz de um monte de gente vai longe. Hoje, falamos mais, chamamos a atenção da Comunidade Internacional. Haja visto que estamos conversando sobre o tema a partir de uma série norueguesa que foi filmada no Camboja. E, se isso chegou até nós, podemos multiplicar esse poder, pois uma hora vai chamar a atenção do Poder!

    Se forem no blog da Anikken (http://annijor.blogg.no/) verão que até o Ashton Kutcher compartilhou seu vídeo. É disto que estou falando. Colocar a boca no trombone, pois de boca em boca, vai chegar a pessoas importantes que chamarão outras pessoas, criando uma grande corrente para pressionar as autoridades.

    Não sou contra à tática de parar de comprar, muito pelo contrário, o que digo é que a pulverização da informação pode surtir efeito também.

    De fato já surtiu. Não sei se motivado pela repercussão da série norueguesa, mas os trabalhadores do Camboja já têm um salário mínimo textil um pouco menos indigno: Desde o início do ano ele é de 128 dólares, conforme a matéria no site da ONU: http://nacoesunidas.org/camboja-com-reajuste-salarial-onu-pede-apoio-das-marcas-globais-para-a-industria-da-moda/

    Segundo a reportagem, este aumento para os trabalhadores gerará a produção em torno de 3% mais caras para serem vendidas. O que para as grandes redes de Fast Fashion não é nada. O medo é que a ganância fale mais alto e assim passem a comprar no vizinho, que manteve os preços…

    O que eu espero também é que essa discussão não se acabe. Que mantenham-na viva daqui a meses. Temos o costume de esquecer causas importantes quando elas não sob os holofotes, então espero que olhemos sempre por esses trabalhadores, que não são somente os do Camboja, mas de todo o mundo!

  20. Mariana Oliveira comentou:

    Ana, tenho pensado muito esses dias que quero construir para mim uma vida menos hipócrita. Daí, as pessoas questionam se vou me tornar a pessoa do seu post, nem aí para essas questões que considero tão caras. Penso que é justamente o contrário, vou alinhar a minha prática às minhas preocupações. Não adianta mesmo eu dizer que estou preocupada, mas todos os dias dizer: “ah, mas não tem jeito, sinto muito mas vou continuar fazendo isso, fazendo aquilo”. Não é que vamos nos tornar as mais politicamente corretas do mundo ou militantes incessantes. Não precisa. Mas uma vez que essa preocupação se faz presente na nossa vida, porquê não buscar escolhas que sejam mais alinhadas com as nossa ideias? Eu acho que isso só pode me trazer benefícios, como me tornar mais sincera comigo mesma e com o mundo que me rodeia. É que sinceridade tá longe de ser “dizer tudo que penso na cara de quem quer que seja”. É um processo bem mais pessoal.
    Beijo, Ana. Adoro seu blog e suas ideias.

    1. Ana Carolina respondeu Mariana Oliveira

      que bacana sua análise, Mariana. É esse o pensamento 🙂

  21. paula comentou:

    Parabens Ana! Vc e a blogueira q fala de moda, menos alienada q conheço. Ainda não tinha visto textos como o seu., muitas blogueiras se exibem e nunca se expõe dessa forma questionadora. Se limitam a fazer posturinhas padrões. Excelente sua postura.

  22. Flavia Muniz comentou:

    Fantástico!

  23. Rubia comentou:

    Ana ando assistindo muitos documentários sobre os atos inconsequentes do homem na natureza, e cheguei a conclusão que criamos um sistema insustentável, um grande paradoxo, precisamos de empregos, mais esses empregos destroem recursos e vidas, e sem empregos também não vivemos, entende? Nós compramos sem necessidade pra mostrar pra quem? Pra pensarmos que somos melhores por ter mais?Mas isso não traz felicidade nenhuma, não é a toa que a sociedade está cada vez mais com casos de depressão e apatia. Fico triste com isso. E sem qrer eu estou no meio dessa hipocrisia (sendo hipócrita tbm, em algumas coisas mais, outras menos), pq crescemos nesse meio e é dificil se libertar dos sonhos vendidos, que se não tivermos coisas X não seremos felizes. É triste ver a indiferença de tantas corporações.

  24. Ariana comentou:

    Comecei a ler seu post e já ia comentar indicando o link dessa série, quando vi, era justamente sobre ela que vc estava argumentando. Ainda não vi, mas parece muito boa mesmo pra abrir os olhos das pessoas. Não sou corretinha, faço minhas compras da China sim, mas concordo que temos de repensar isso aí!!

  25. Maristela Lorensi comentou:

    Ana! As reflexões que você propõe no seu blog são muito interessantes e necessárias. Realmente, praticar o consumo consciente é bem complicado, basta ver os interessantes aspectos que as demais leitoras levantam nos comentários que me antecederam. Na intenção e contribuir com a discussão e com as mudanças graduais em nossas atitudes, sugiro uma consulta ao site da ONG Repórter Brasil, referência nacional no combate ao trabalho escravo. Em 2013, essa ONG criou o aplicativo Moda Livre que apresenta as medidas que as principais marcas e varejistas de roupa do país vêm tomando para evitar que suas peças sejam produzidas por trabalho escravo. Espero que seja útil. Bjus e sucesso!!!

  26. Flávia comentou:

    Mais um exemplo do que esperar das grandes corporações que não se preocupam efetivamente com sua responsabilidade social…Como deletar a morte de 1127 pessoas? Perguntem a sua consciência se ao não fazer nada não temos nenhuma ligação com esse tipo de coisa.Não agir é deixar que isso continue acontecendo, fingir que não temos que nos preocupar pois é problemas de terceiros é uma saída fácil, que não responde um problema difícil.Ouviram falar do Rana Plaza? Nesse desastre morreram 1127 trabalhadores, a ONU gerenciou uma forma inédita de indenização as vítimas, apenas a Benetton se recusou a pagar, então Benetton, em que canto do Rana Plaza vc esqueceu o “United colors”? Eu assinei a petição, assinem tbm!http://www.cleanclothes.org/news/press-releases/2014/12/10/benetton-targeted-over-rana-plaza-compensation-on-international-human-rights-day