Estamos quase na virada do ano e além de propor uma limpeza no guarda-roupa para tirar tudo aquilo que não te traz alegria ou não tem a ver com você, quero falar sobre uma revitalização também nas ideias. =)
Vale a pena repensar algumas questões que nos impedem de ter um guarda-roupa que seja mais coerente com quem nós somos e com a vida que levamos. Que suas roupas podem e devem dizer mais sobre você. Vale desconstruir desde conceitos defasados do tipo “baixinha não pode usar saia longa” até refletir do por quê de você só vestir preto e branco no trabalho.
Eu separei cinco situações relacionadas ao vestir e comprar que já vivi e presenciei para cutucar vocês e instigar uma atualização quando nos referimos ao que consumimos para comunicar quem somos. Minha proposta é que cada um reflita por alguns instantes em frente ao armário e ao espelho e se proponha um novo olhar sobre o seus trajes diários e o que possui.
A cada ano eu quero me vestir cada vez mais de mim, das minhas ideias, dos meus valores, me reconhecer por completo no espelho. Mais do que a estampa da temporada, tem sido um super exercício desapegar cada vez mais e quebrar as estruturas do que eu considero nas minhas escolhas.
#1 Ter roupa pra uma vida que você não vive
Essa eu aprendi na minha formação e se encaixou como uma luva no meu guarda-roupa e no das clientes de consultoria: pra que comprar o quarto blazer de paetês mesmo achando lindo blazers de paetês, se eu não tenho uma blusa bonita e fresca para trabalhar no verão carioca (artigo de primeira necessidade)? Já até escrevi sobre isso, mas eu interiorizei finalmente que não levo uma vida tão notívaga e festiva assim para colecionar tanto brilho, mesmo usando de dia sem problema. Bora focar no que fazia falta no meu armário e eu nunca tinha dinheiro para comprar porque – adivinhem? – ele estava todo aplicado em lantejoulas.
#2 Comprar roupa que não tem a ver com você para se adequar ao ambiente profissional
Algumas vezes eu termino de analisar a cartela de cores das clientes e várias se desesperam: “putz, não tem branco na minha cartela e eu acabei de comprar várias camisas brancas para trabalhar…”. Aí eu falo que dá pra usar um lenço ou colar com suas cores para compensar, mas esse fato é o que acontece com 99% das pessoas que leem algum artigo sobre os essenciais do guarda-roupa e acreditam que aquela lista é default para elas.
Se o seu estilo não comporta usar blazer, porque não sair desse tem-que-ter corporativo e olhar mais para casaquetos, coletes, quimonos? Blazer e a camisa branca, quando aplicados fora do contexto do estilo de alguém, não passam a mensagem adequada, acreditem. Perceba mais o que combina com você, com a sua essência, e não se guie por dicas de revistas de moda ou só para seguir um padrão.
#3 Comprar roupa que não condiz com o clima da sua cidade
Essa é para mim também. Dá-lhe Ana há alguns anos comprando calça de lã, tricô, blazers variados, camisas de poliéster. E o que eu consegui com isso? Um guarda-roupa abarrotado de peças sem uso, que esquentam loucamente nesse Rio que não tem inverno, e quase nenhuma blusa de tecido fresco, nem vestido soltinho de algodão, uma sandália arrumada.
Não tem jeito, eu sou calorenta ao extremo e só de abrir o armário com 40 graus e um sol a pino já me desanima para escolher roupa. Reverti a situação vendendo as peças mais quentes e repetidas e reinvestindo em outras de corte e tecidos mais apropriados. Hoje está mais equilibrado e eu reduzi demais a quantidade de roupa que eu compro só de ler na etiqueta a composição do tecido.
#4 Querer ser quem você não é (no vestir!)
Eu sei que essa é especialmente difícil para quem não foi de encontro ao seu estilo ainda, mas procure olhar com mais carinho para si mesma: do que você gosta? Quais cores você usa e recebe elogios? Quem você admira? Como é sua rotina, você trabalha fora, anda de ônibus, gosta de priorizar conforto quando se arruma? Monte esse mural de referências e avalie se suas compras são mais impulsivas ou mais planejadas.
Adapte algumas ideias à sua vivência para ficar em paz com seu espelho. Dá pra ser lúdica e pé no chão, dá pra colorir a roupa de sempre com um detalhe ou outro. Do que você gosta? Quem é você na essência? =)
#5 Usar branco e preto achando que vai com tudo
Um clássico repetido à exaustão: branco e preto são cores que dão com tudo e todo mundo tem que ter. PÉN: não é bem assim. Sim, eu sei, essa revelação é dolorosa, mas necessária para te salvar de uma possível combinação preguiçosa e mecânica, só para não ter que pensar mais uma coisa no começo do dia.
Tem quem carregue no visual black total e aí fica pesado demais. Preto e branco são cores que não permeiam todas as cartelas – ou seja, podem sim te deixar com uma aparência mais cansada – e, acredite, tem variações de neutros que funcionam até melhor que o feijão com arroz das muódas.
Tem branco puríssimo, mas tem o branco com um sujinho de amarelo; tem o cinza grafite com um fundo mais azulado e que atenua mais o contraste das combinações com outras cores em relação ao preto; tem o borgonha, o verde escuro, o caramelo, o marfim, e o maravilhoso e versátil azul marinho, essa sim uma cor que vai com muitas outras e que transita soberano entre todas as cartelas.
Que tal nesse ano propor uma revolução particular no seu armário? =)



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