Calma, gente, esse post não é meu, mas da minha convidada especial! A Amanda Moré, que também é consultora de estilo e participou do meu último workshop em São Paulo! 🙂 A Amanda comentou comigo da vez que tentou aprender a costurar suas próprias roupas e o quanto ela aprendeu nesse processo a valorizar quem produz em pequena escala, as costureiras e alfaiates, profissionais de moda que trabalham como modelistas e por aí vai.
Pedi então que ela descrevesse como foi costurar sua própria blusa e saia e o o que essa experiência a influenciou para compras mais conscientes:
“Eu estava muito curiosa sobre como seria se eu fizesse minhas próprias roupas. Queria muito aprender pra saber se seria fácil ou difícil e talvez não precisar mais procurar à exaustão uma peça que eu estivesse querendo muito sem ter que pagar caro por ela. Ou não passar mais pela seguinte situação: “poxa, gostei tanto do modelo dessa blusa, você tem na cor x?” e ouvir como resposta quase sempre um não! Hehe
Costurar minhas próprias roupas poderia ser a solução para tudo isso, então fui atrás então de um curso de corte e costura com uma amiga para iniciarmos a empreitada juntas!
As aulas eram às segundas-feiras à noite, ou seja, depois do expediente. Isso já fazia com que a gente chegasse um pouco cansada lá…Fizemos dois módulos: blusa e saia. Modelos bem básicos, para iniciantes. Tivemos uma boa noção de como funciona o processo. Tirar medidas, riscar no papel, transferir para o tecido, cortar o tecido, alinhavar e só então costurar.
Eu não fazia ideia da quantidade de materiais que são necessários para tudo isso acontecer: fita, tesoura boa para cortar o tecido, papel para molde, lápis para riscar no papel, giz para riscar no tecido, linhas, agulha específica para a máquina, agulha de mão, alfinetes, etc.
Só para aprender a colocar a linha na máquina, foi praticamente uma aula inteira. Pensei que fosse mais fácil! rs. Depois da peça costurada, acontecem os acabamentos. Cortar os pedacinhos de linha, fazer casinhas de botões, pregar os botões, costurar viés, zíper, etc.
Fiquei pensando que como a mão de obra era a minha e eu estaria costurando pra mim, poderia escolher tecidos com melhor qualidade e caimento (que geralmente são mais caros). Foi quando eu descobri que a seda é um dos tecidos mais difíceis de costurar, minha professora costumava brincar que era alérgica à seda! Hehe. A seda escorrega muito, então fica muito difícil fazer a costura bem retinha e é quase impossível mantê-la no lugar quando a costura é na extremidade do tecido.
Como eu mesma ia costurar uma blusa pra mim, escolhi o tecido com bastante carinho. Escolhi um que era uma mistura de seda com algodão, ambos fios naturais, que permitem a pele “respirar”! E de uma estampa bem diferente, que não tinha nada parecido no meu guarda-roupa. Aproveitei para comprar em uma loja de tecidos da Rua Augusta em São Paulo em uma oportunidade que eu estava lá. Amo loja de tecidos! As possibilidades são infinitas!
A primeira grande lição do processo foi aprendida de cara: para costurar precisa ter muita paciência. Minha mãe já tinha adiantado que eu não serviria para o ofício…porque se a costura sai torta, tem que descosturar e fazer de novo! E aqui a gente percebe porque roupas bem acabadas são mais difíceis de encontrar e porque quando encontramos, costumam ser mais caras. Porque dá muito trabalho!

detalhes da costura da blusa do avesso
Uma saia com forro, por exemplo, é praticamente o trabalho de fazer duas saias. O primeiro módulo foi a blusa e o segundo a saia. Acabei desistindo no final do segundo módulo, a professora sofreu um acidente, era final do semestre, e eu não voltei mais. Minha mãe me ajudou a terminar a saia e não ficou da qualidade que ela gostaria (ela entende de costura bem mais que eu! rs). Por exemplo, ela teve que dar um jeito no cós para conseguir finalizá-lo, isso porque não o costurei na saia da maneira que deveria…

detalhe do acabamento mal feito: como o zíper foi costurado e que acaba repuxando um pouco no corpo
Acima de tudo, esse exercício de me propor a fazer roupas me ensinou o quanto é trabalhoso e porque devemos desconfiar de roupas que são vendidas a preços duvidosos…alguém não está sendo remunerado adequadamente na cadeia. E me fez enxergar a importância de movimentos como o Fashion Revolution Day.
É claro que costureiras e alfaiates trabalham de uma forma mais artesanal e há máquinas na indústria que adiantam o trabalho. De qualquer maneira, essas máquinas são desenvolvidas por seres humanos, exigem manutenção, que é feita por seres humanos e também são operadas por eles, ou seja, não há milagres…
Definitivamente, mudou minha perspectiva ao me inscrever em um curso assim, eu recomendo a experiência! E uso sempre a blusa, mais que a saia…
Claro que têm muitas pessoas que não tem essa vontade, ou não têm tempo e dinheiro mas acho bastante válido o exercício de se propor a fazer pelo menos um pouquinho por nossas roupas, nem que seja pregar um botão, repassar uma costurinha que está soltando na mão mesmo! E assim garantir vida longa às peças! Principalmente aquelas que amamos, que nos representam e que foram compradas de forma raciocinada!
E vocês? Já pararam pra pensar em quão trabalhoso deve ser costurar uma peça de roupa?”
Onde encontrar cursos em São Paulo:
Raíssa Palumbo – Curso on line!




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