Este não é um post-clipping mostrando apenas que palestrei em dois eventos distintos no final de semana, nem uma autopromoção do meu trabalho. Discursar para várias pessoas nesses dias me faz pensar e repensar sempre sobre o que conversamos quase que diariamente nesse espaço virtual.
Não vou especificamente falar da minha participação no domingo, a convite da querida Simone Aline, para ser a parte vida real do mega evento Blogueiras SA. Ela pediu que eu contasse como encaro esse mundo de blogs de uma forma muito tranquila, sem forçar a barra de ser uma blogger em tempo integral, sem pedir para ir em todos os eventos, falando o que penso sem medo, empreendendo em uma profissão como a consultoria de estilo e tornar o blog uma vitrine para mostrar o lado bom do meu trabalho.
Calhou de semana passada ter lido um comentário num post meu que eu não lembro qual agora, em que eu falava justamente sobre nadar contra a maré mantendo meu espírito opinativo, do meu objetivo com o HVAOFF ser o de escrever para as pessoas e não focando em marcas, e alguém comentou: “Tudo bem que você quer permanecer na parte semi profissional dos blogs com a sua postura, mas eu entendo que cada blog tem um objetivo (…)”.

foto gentilmente cedida por Thamara Laila
Foi um comentário educado discordando e que nem me afetaria até eu ficar encucada com esse semi profissional. Vejam bem: eu não sou semi profissional em nada do que me proponho fazer na vida, rola entrega e pesquisa, virada de noite, faço o meu melhor. Entendi a colocação, mas pensei sobre essa divisão necessária e que parece ter virado exigência, de você viver de blogs ou não, de blogs serem espontâneos ou não e principalmente sobre esse conceito de estar bem-sucedido.
É sabido que fomos treinados desde moleques a pensar que ser bem sucedido é o cara que tem um carrão, viaja direto pra fora do país, consegue comer nos melhores restaurantes e por aí vai. Estudar era pra passar no vestibular e não para ter um pensamento crítico. Eu entrei nessa paranoia em um determinado momento: 36 anos, sem casa própria, sem grana, sem nenhum bem físico. O que seria do meu futuro? Como sobreviver sem ter uma poupança gorda, sem um emprego fixo, sem exatamente o padrão de vida esperado para alguém da minha idade?
Aí, depois de uma noite tendo muitos pesadelos, acordei e fui pra minha janela. Um dia lindo, um sol bonito batendo no morro verdinho, meu marido sorridente me chamando pra descer e tomar uma cervejinha aqui perto de casa, os gatinhos miando querendo carinho. Uma sensação boa de que a vida tem muito a mais a me oferecer que apenas objetos. Ombros mais leves, caminhada mais vagarosa saboreando cada detalhe oferecido.
Não sou a blogueira que vai a viagens internacionais, a que aparece na Caras ou que está marcando presença em todos os eventos devidamente registrados com selfies. Não sou o padrão esperado de menina da internet que passeia em shoppings alto luxo ou passa horas do dia no salão (aliás, não tenho a menor paciência pra salão). Não tenho deslumbres porque não tem motivo para tê-los.
Quem me contrata pra um post publicitário tem datas cumpridas e um texto bem redigido. Sabe que é alguém que chega de viagem e corre pra fazer impressões de coleção (vocês lembram dessas vezes? hahaha). Quem vai a uma palestra ou workshop meu, feito por conta própria, sai assimilando conteúdo de verdade, bem além do clichê “ah, ser blogueira dá trabalho, faço com amor”. Respirar dá trabalho, se a gente for pensar: o que eu faço aqui é para mim, antes de tudo. É para expressar o que muitas vezes fica entalado, é disseminar o que eu acredito, é buscar coro onde às vezes não vejo solução.
Eu não sei ser além do que isso. Não acredito no hype. Não faço networkings vazios. Não troco meu netflix por cupcake. Gosto de eventos com cerveja e também de coxinha. Gosto de abraçar, de trocar impressões, de aprender, de ser honesta comigo e com quem me acompanha, de topar dar palestra até de graça para poder levar mais boas ideias a quem me acompanha.
Nesse evento foram mais de 1 mil pessoas, mas a maioria era de fã-clube de blogueiras, exasperadas pela chegada das suas ídolas. Palestrei sob o olhar atento de 50 pessoas que se esforçavam em me ouvir e isso fez valer o meu dia. Isso é ser bem-sucedida, isso é acreditar no que faz. Ter tido a oportunidade de pegar na mão de uma menina com distúrbios alimentares e falar olhando no olho dela “você é linda, se ame agora”. Tomara que eu tenha conseguido tocá-la com as minhas palavras…
A ideia não é mostrar aqui como eu sou e necessariamente os outros precisam fazer igual. Quero levar boas atitudes para inspirar mais pessoas a serem quem elas realmente são; a repensarem constantemente sobre o que vemos na internet; que podemos, sim, trazer o novo mesmo quando tudo parece repetição e, em pequenas ações, contribuir com novos rumos aos projetos de alguém.
Ser quem a gente é e falar sobre isso verdadeiramente é um ato de coragem diário. E, parafraseando Leminski, só de sermos assim nos faz merecedoras de ir muito além.

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