Ano passado iniciou-se uma movimentação na internet protagonizada pela Gabi e pela Thais em torno do conceito do armário-cápsula, que se trata basicamente de separar um número X de peças e viver por um período fazendo combinações entre elas, sem precisar recorrer às compras.
Não sou adepta de radicalismos, vocês sabem. Prefiro mostrar como comprar melhor do que privar a pessoa de compras, mostrar bons acabamentos, lojas com boas práticas e comércio justo, ler etiquetas, desapegar e avaliar o que realmente precisa. Só esse ensinamento nos torna mais seletivas, mais conscientes das nossas escolhas.
Em consultoria de estilo já aplicamos também essa ideia de cápsula. No treinamento de looks separamos 10% do que a pessoa tem para montar em média 40 produções para várias ocasiões, e na preparação das malas de viagem mostramos pra cliente que uma mala pequena e previamente pensada facilita demais a vida.
Mas ano passado, ao comentar sobre o assunto num post, eu prometi montar como seria meu cápsula colorido – vi muitos básicos por aí, por isso imaginei como seria se alguém com estilo mais criativo montasse o seu. Ficou na promessa porque eu me desdobrei em 500 para dar conta das demandas e não consegui colocar nada em prática.
E aí que eu começo essa conversa. Em 2015 eu fiz muita coisa de diversas áreas, tudo ao mesmo tempo: diagramei revistas como designer, dei palestras e workshops como consultora, fiz trabalhos como blogueira, atendi clientes como consultora, dei aula no Senac Rio e Niterói, UFA. Eu estava feliz, mas exaurida e com pouco tempo e concentração para coisas triviais do meu dia e uma delas, adivinhem vocês a ironia: escolher a roupa do dia.
Eu, que trabalho com isso, me vi enrolada com meus próprios looks. Várias vezes me senti aquém de como eu poderia ter me apresentado, uma vontade louca de simplificar, sem essa necessidade forçada de montação para me sentir em destaque. Cansada pra pensar até no básico do dia a dia, com um armário ainda cheio mesmo após várias revitalizações, cheguei a pedir ajuda a uma colega de profissão para desapegar de mais coisas.
Vejam bem, eu não me considero minimalista. Não mesmo, gosto de cores, estampas, gosto de entrar numa loja que eu me identifique. Mas entramos há um tempo numa era de consciência que não tem mais volta, em que precisamos pensar antes de gastar, de pesquisar quem tem os ideais parecidos com os nossos, adquirimos conhecimento para questionar e exigir soluções. E eu não quero mais ter muito, apenas o suficiente pra continuar sendo eu.
E tendo um blog que fala de moda, acho importante não ignorar um assunto que tem ganhado destaque, adeptas e gerado um debate tão enriquecedor nas redes.
Muita coisa eu ainda mantinha porque não estava com tempo (eu estava mesmo atolada) para separar tudo com afinco e desapegar. E 2016 chegou chegando pra mim: eu abracei com força a organização (obrigada, Thais) e tratei antes de promover uma limpeza geral (também lembram desse meu post?) na casa e no meu armário. Meu computador fez a limpeza por conta própria…o HD queimou e foi-se tudo (menos o que eu fiz backup, claro), provando que não tem essa de não ter tempo não. As coisas estragam, quebram, mancham, ou você faz agora ou já era.
E como acumulamos, minha gente. Anos e anos de faculdade que mandei pra reciclagem, livros encostados, bijuterias guardadas que eu nem sabia que ainda tinha, eletrônicos aos montes. Quantos anos acumulando com certa facilidade e quanto tempo perdido agora, me livrando de cada coisa.
Não vou há muito tempo passear com o objetivo específico de comprar – o que é um super avanço, limei da minha vida o cacoete de passear até a esquina e ter que voltar com alguma coisinha. Trabalhar com consultoria foi importante para essa mudança e também ao ver tanta roupa e armário lotado das clientes. Eu enjoei vendo tanta roupa, HAHAHA
Com essa nova e necessária postura perante o que eu acredito e minhas atuais premissas de vida, quero realmente facilitar minha rotina enxugando mais e mais o que tenho. Por isso relembrei de quando prometi a proposta de armário-cápsula numa versão mais colorida pra vocês: por que não colocar em prática agora? 🙂
Como eu já tinha feito um super desapego anteriormente, foi mais fácil, e ainda assim encontrei mais algumas coisas para dizer adeus. Tirei quase tudo de dentro e separei num quarto à parte.
A seleção foi simples, peguei as peças que eu mais amo e que mais gosto de usar, pensei em algumas para trabalhar, palestras e até um vestido caso surja uma festa. Foi fácil também porque no verão eu não consigo usar muita coisa, para ser sincera estava até me dando desespero olhar tanta roupa com 56 graus rachando lá fora, hahaha! Carioca já pratica esse conceito há tempos, gente, rs.
A ideia é mostrar aqui no blog como foi esse processo e como podemos ser mais criativas nas escolhas, por isso vou fotografar uma série para um post sobre variedade com menos peças. Não sei ainda o período, mas penso que dois meses, até para evitar novas compras.
Tenho algumas roupas para receber para fazer publieditoriais que eu já tinha fechado, mas são compromissos profissionais e que cumprem a proposta do blog de mostrar achados, falar de compras melhores, indicar marcas que gerem identificação com o que conversamos aqui.
Preciso também confidenciar: eu gosto de novidades. Gosto das minhas peças de paetês (hahaha). Não virei a militante da bandeira ecoverde, não sou a pessoa mais consciente do planeta, MAS não tem como não se impactar com algumas questões que nos deparamos ao trabalhar com isso. Não é modismo, é necessidade. Pra mim, pra você, pra costureira do Vale do Jequitinhonha. Quando penso no impacto de uma cadeia de produção, vem a percepção de que, do lado de cá, eu posso fazer, sim, a minha parte.
Outro dia encontrei um pessoal de blogs e um deles me confidenciou: “Esse negócio de ler etiqueta é caminho sem volta, né? Eu não sei se quero saber disso não”. Não o julgo. Estamos presos a um cultura do excesso que, como disse uma leitora, quando percebemos, estamos vivendo em função das coisas e não da gente mesmo. Mas a pergunta é: você não pode ser muito além do que é sentenciado a cada temporada nas vitrines?
Vamos pelo menos tentar. 🙂 Aguardem mais posts com as peças, o processo e os looks!


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