Homens que acompanham as mulheres em lojas: medo ou apoio?

Mulheres que se sentem intimidadas/constrangidas ao levarem seus maridos/noivos/namorados nas lojas: venham aqui, vamos bater um papo.

Estava eu certa vez no aeroporto, fazendo hora numa loja de maquiagem, quando uma moça me reconheceu e veio falar comigo, toda feliz. Ela vira pro companheiro e pede permissão “Olha, eu amo o trabalho dessa blogueira, vou falar rapidinho, tá, é que ela é diferente, ela não é fútil”. Fiz questão de avançar e cumprimentar o moço “Certeza que ela pode falar com quem quiser, né? Até porque, não é você quem determina o que é fútil ou não”. O cara ficou pálido com minha fala hahahah, mas infelizmente senti o olhar tenso dela pra não contrariar ele. Num canto, confidenciou pra mim “Ele acha que todas as mulheres que sigo são fúteis. Quando está comigo, não consigo parar um minuto sequer pra entrar e ver uma loja”.

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Aval de homem pra entrar na loja que você quer, pra comprar a roupa que você deseja, pra experimentar a loja inteira porque você gosta desse processo – você não precisa disso. Ouvir piadinha idiota sobre sua aparência vestindo algo no provador, ver cara emburrada porque “você está demorando muito, mulher é fogo”, ficar com medo de aborrecer o cara – você não tem que passar por isso. É abusivo.

Sei que tem buraco mais fundo aí pra muita mulher por uma série de questões que bravamente estamos tentando mudar, como, por ex, muitas mulheres ainda serem dependentes financeiramente de seus companheiros e eles usarem isso de alguma maneira como forma de controle. Sim, eu sei que não é simples. Mas eu preciso alertar que não é normal agirem assim conosco. Não devemos naturalizar a forma como somos tratadas num momento em que enfrentamos nossos fantasmas para a autoaceitação, que podemos nos sentir lindas, de compreendermos mais nosso estilo e ideias, de buscarmos algo pra gente, porque simplesmente temos esse direito. Não é fútil e não é coisa de mulherzinha. Ele não tem que controlar seus impulsos, mas conversar e ajudar. Você não tem que ter medo de mostrar suas compras pro seu companheiro e, se for o caso, conversar e pedir ajuda a ele sobre o que está te levando a consumir demais.

O cara tem que falar que você tá uma deusa naquela roupa e nada menos do que isso; tem que te apoiar se você se sentir frustrada ao sair da loja; tem que ser companheiro ao observar seus looks e ajudar, porque roupa não é coisa de mulher. Sorrir e te esperar com todo carinho do mundo, ou então compreender que é um momento SEU, te deixar tranquila com isso e dar um rolé por aí se ele não estiver afim – e tudo bem quanto a isso, ele realmente não precisa gostar de toda a sua programação. Seria muito bom também ver mais mulheres seguras em irem sozinhas às lojas.

Não é sobre obrigar ninguém a fazer algo que não queira, nem achar que os caras tem que elogiar e tem que aceitar fazer algo contrariados. Mas estamos falando de companheirismo e de como a sociedade ainda coloca como se homens fossem mais práticos que mulheres, por isso a impaciência. Não, isso não tem relação, não é algo nosso só porque somos mulheres.

Vamos rever isso. Vamos lá. 🙌🏻

 

(texto originalmente postado no meu instagram e que repercutiu muito, com alguns acréscimos em cima das conversas)

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Comentários pelo blog

10 comentários

  1. Alice comentou:

    Meu deus! É isso!!

  2. Elisa Favero comentou:

    S2

  3. Thais comentou:

    Eita que eu sabia que já tinha lido em algum lugar, hehehe, no final entendi!

    Jamais tinha visto as coisas por esse prisma, não gosto nunca de ir acompanhada porque acho sempre que estou “incomodando”, exigindo demais do tempo do outro, e nunca tinha pensado que não há nada de mau em escolher algo pra mim na companhia dele. Sempre prefiro ir sozinha e no meu tempo, mas hoje refleti que também me sinto meio culpada de “roubar tempo nosso” pra olhar algo meu (não é comum frequentarmos comércio, geralmente aproveitamos para olhar lojas em dias que vamos no cinema por exemplo).

    Mas vou meditar a respeito!

    Beijos Ana!

  4. Eliana comentou:

    Não precisamos passar por isso! E por muitas outras situações de necessidade de aprovação.
    Eh uma cultura de anos que ensina que precisamos da aprovação de um marido, de preferência, pra tudo.
    O outro vai dar valor se eu valorizar primeiro.
    Textos como este inspiram e fortalecem, aos poucos estamos despertando e nos libertando, com o apoio umas das outras.
    Obrigada
    Beijos

  5. Monica Bramorski comentou:

    Falou e tá falado! Assino o texto também 😀

  6. Anne comentou:

    Perfeito!
    Eu estou passando por uma fase de consumir menos, então, tenho ido a menos lojas. Mas eu sei que meu marido não curte muito esse rolê, ele compra bem pouca roupa pra ele também. Então, como sei disso, quando vou comprar algo e sei que vou demorar, prefiro ir sozinha mesmo. Geralmente, eu pesquiso muito na internet também, e quando vou comprar alguma coisa, sou bem específica, não fico vendo tudo que tem nas lojas aleatoriamente. E ó, tudo certo! Não preciso obrigar ele a ficar me esperando, impaciente, nem eu preciso ficar preocupada com tempo. Cada um na sua, e assim dá certo!

    1. fernanda respondeu Anne

      Perfeito, Anne. Penso e faço igual a você.
      Meu marido não se importa de ir a lojas comigo, pois ele sempre acha um banco ou poltrona e… dorme. kkkk. Mas raramente peço para ele às compras comigo, como você disse, para que obrigar alguém a ficar te esperando ? Cada um na sua e tudo certo.

  7. Valéria Vieira comentou:

    Adorei o post!! Me fez pensar em um monte de coisas, e de ver como meu marido é fofo ^^.
    Nós dois somos bastante exigentes com roupas. Ele sempre foi. Eu, em partes, aprendi com ele e com vcs, lindas da internet, que nos ajudam a ver que roupas são muito mais do que moda e tecidos. No fim das contas, qdo vamos às compras vamos só os dois, normalmente para comprar algo específico, e ficamos hooooras vendo, experimentando, analisando, e um ajuda o outro nos questionamentos: “vai usar? Tecido bom? Combina comigo? Combina com o que já tenho? Valoriza silhueta? Bom corte?”. Enfim. Fico feliz por mim, por ter meu companheiro igual a mim nesse ponto, ao mesmo tempo em que fico triste em saber que ainda existem ogros por aí. Ah, esqueci de dizer que aprendemos a fazer compras de roupas e sapatos pela internet, nas lojas e marcas nas quais confiamos, e temos adorado a experiência de não precisar ir ao shopping ou bater perna. E isso nos permite gastar um pouco menos, e nos permite ver outras possibilidades e estilos que não somos acostumados. Essa parte, de se abrir para o novo, aprendemos com vc, tb!!! Obrigada por tudo, Ana. Desculpa o textão…

  8. Lia comentou:

    Sou casada com o homem mais machista do mundo!
    Um bolsominion autoritário, preconceituoso e dono da razão.
    Pode parecer estranho … mas sou filha de um democrata e fui criada para lidar com as diferenças e adoro esse tipo de desafio.
    Ele pode odiar moda, achar as coisas que gosto bobas, mas me respeita e vai nas lojas comigo sem dar um pio!
    Não espero solidariedade ou cumplicidade, mas ele é super de boa … kkkk
    Tenho muito mais problemas com meu filho, que tem zero paciência.
    Mas tenho certeza que isso é por que não espero nem validação, nem que pague (apesar de muitas vezes ele pagar, por que se livra de comprar algum presente ) e nem que entenda meus gostos.

  9. Laura comentou:

    Realmente não tem nada a ver com gênero! Na minha casa é ao contrário, meu marido é que fica horas experimentando roupa nas lojas e eu que fico sem paciência – mas mesmo assim acompanho, espero e dou minha opinião quando ele pede.