Você tem cara de menina

Voltando às postagens em 2020 com um tema que adorei escrever sobre, o tal ter cara de menina.

“Sempre falam que tenho cara de menina, preciso passar uma imagem mais séria”. Ouvi esse relato muitas vezes no curso de sábado, assim como ouço sempre de clientes e amigas. E cada vez que ouço fico encafifada, porque são sempre mulherões da porra, mas se colocando menos do que são ou buscando uma forma de contornarem essa grande questão que jogaram pra elas: só serão percebidas se adotarem vestimentas condizentes com a imagem criada de mulheres no mercado de trabalho. Eu olhava pra elas e não entendia de onde as pessoas estavam tirando esse julgamento.

Aliás, eu entendo sim. Vem de um mercado com referências e cargos elevados muitas vezes ocupados por, vejam vocês, homens ou então de mulheres que infelizmente ainda reproduzem machismo. Se elas vestem tênis e camiseta, se possuem franja, se não estão usando maquiagem, se de alguma maneira o rosto não apresenta as marcas de quem supostamente se mata de trabalhar, pronto; na primeira impressão, alguém com quem nunca se trocou uma palavrinha sequer, já busca a validação de outra pessoa que aparente mais experiência, seja mais vivido, que fale mais grosso (quase sempre pedem pra falar com um homem).

Parece que para sermos profissionais ou levadas a sério, é necessário não falarmos fino, nem suave, não ter gestos delicados, nem usarmos estampas de flores. O signo da representação feminina colocada no papel da subserviência, pior, a criação de uma imagem que julgue mesmo que você siga todas as regras e códigos de vestir. Se está mais velha, a luta vem para não aparentar a idade e não ser colocada de lado, com a estúpida desculpa de “renovação” na empresa.

Eu trabalho com o vestir, entendo a necessidade de adequação, mas não corroboro com construções patriarcais. Se eu acredito na liberdade do vestir, eu preciso falar que não existe coerência em contratar alguém e repetir essa frase – sempre no sentido depreciativo do feminino. Isso parece mais uma estratégia de controle e desmerecimento propositais.

Se você quer trazer mais identidade e posicionamento no seu estilo, acho lindo. Mas saiba que meninas são tão fortes e potentes quanto mulheres adultas. A sociedade que aprenda a respeitar e reconhecer toda essa diversidade de mulherões que existem no mundo.

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Comentários pelo blog

1 comentário

  1. Luciana Silva comentou:

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