Você se olha no espelho todo dia antes de sair. Vê, acha bacana, sai.
Ao atravessar a porta de casa, a dúvida: será que isso realmente ficou bom? Será que vão me julgar? Será que estou adequada?
Chegando no local, você agora tem a certeza de que está tudo errado. Se vê numa foto e confirma, aquela roupa te deixou enorme.
Você imediatamente se sente mal e deslocada de todos, chegando em casa jura que nunca mais vai tentar algo diferente.
Abre o instagram, vê a blogueira que você segue usando aquele mesmo look e pensa “Puxa! Nela ficou tão bom, achei que eu poderia usar também. Pena que não é pra mim”.
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Soou familiar? Eu leio e ouço esse tipo de relato quase sempre. As nossas tentativas são sempre as piores, nunca o que vestimos estará bom o suficiente. Parece que precisamos que a revista diga o óbvio, que é importante ver o look de outra pessoa para saber se podemos também usar aquilo ou não. Como se fosse necessário apenas o aval alheio para nos sentirmos bem conosco.
Ontem eu dei uma oficina num evento de moda carioca e ouvi muito isso também “Cheguei aqui e me senti mal. Eu, tão simples, e os outros tão estilosos”. Olhei em volta: uma onda de minimalismo quase como um uniforme, um exército de blusa com listras, calça molenga e oxford prateado plataforma. Não enxerguei identidade, mas uma repetição de tendências para gerar aceitação à primeira vista.
Como se o olhar do outro fosse mais importante que o nosso. Ele oprime e silencia. Ele nos cerceia do desejo de sermos nós mesmos.

“Eu tenho 62 anos, posso usar tênis com saia, que nem você usou?”. Entendo o questionamento de quem sofre com uma pressão social de estar sempre jovem mas tendo que se manter adequada, sub judice o tempo todo. Aí chega minha mãe, mostrando sua nova aquisição, um tênis dourado furadinho, fiel ao seu estilo e necessidade por conforto, e percebo que ela pode ser exceção.
Penso que gastamos muito tempo preocupados com o outro e com referências externas e pouco, ou quase nenhum, olhando pra gente. Perdemos o mesmo tempo depreciando quem não quer seguir o fluxo e quem sequer pediu a sua opinião.
Essa eterna insatisfação nos torna consumistas, escravos de novidades. É tão fácil desistir de si mesmo, porque nunca achamos que seremos bons o suficiente. Não existe certo ou errado em moda, só se erra quando usamos algo que não tem a ver com a gente.
O que te amedronta não pode ser maior que as suas motivações. Treine esse novo e amoroso olhar hoje <3

Aninha, eu penso como você. E no entanto não consigo usar essas calças molengas, calçados com plataforma desses da moda nada disso… Eu me sinto bem com peças mais básicas nem de estampas eu gosto muito. Já me chamaram de careta, séria, mas eu sou assim. Eu me visto olho no espelho e gosto, nem me incomodo muito com opinião alheia, porque já comprei roupas da moda e depois não usei. As vezes ficava pensando se estava certa minha atitude, mas agora lendo seu texto, sim acho que estou certa sim. Uso o que me agrada e me faz sentir bem, ainda não que não esteja dentro dos “padrões”.
Beijo!
<3
q calças molengas são essas q vcs falam?
Vou confessar aqui, tb achei a saia te aumentou mas não escrevi nada pq. vc se achou maravilhosa, tava feliz com ela e eu acho q é isso q importa. Parecer enorme pode ser um problema pra mim (e pra outras mulheres, sim) q sofro com peso mas sei q não é pra vc, q, pelo contrário, sempre foi super magrinha. Bjs, vc arrasa!
Então, Ana, acabei de voltar no insta para ler os comentários dessa foto e achei q…. tb temos q saber desprezar/ignorar essas opiniões que cerceiam a gente. Pq num exército de mulheres te elogiando ou respondendo o seu questionamento, vc escolheu aquela desagradável? Coloco isso não só por vc, mas pq todas nós, em algum momento, preferimos focar na opinião de quem não gostou, de quem quer atrasar mesmo quando 99% gostou e foi gentil. 🙂
Eu concordo com você, vejo algumas coisas que estão na moda, como vestido e tênis, que eu usava a alguns anos atrás e as pessoas me olhavam de olho torto, e agora todo mundo usa, acha fashion. O que eu vejo também, são praticamente TODAS as blogueiras (estou excluindo você disso), usando roupas muita parecidas, maquiagens parecidas, cabelos parecidos. Como se cabelo long bob, listras e tênis formasse alguém única e original, perde-se a essência do eu quando se transforma tudo em uniforme e julga quem não se veste da mesma forma. O consumismo é MUITO estimulado, quando sempre lhe é dito que você não é ideal, sempre existe aquela coisinha faltando, em uma lista interminável de exigências. Difícil isso.
Perfeito, parabéns por ser vc mesma e nos transmitir isso. Bjs!
Oi Ana, tenho dificuldade em fugir do padrão porque é só o que tem à venda.
Faz uns cinco verões que preciso de um short jeans folgadinho e mais comprido, mas as lojas só tem popô de fora. Claro que quem quiser, pode e deve usar. Mas se eu não quero, sou obrigada a ficar sem nenhum? Gosto muito de cintura baixa e passei um bom tempo sem encontrar uma calça pra chamar de minha. Agora está saindo a cintura alta e voltando a baixa. Eu serei atendida, mas as migs que preferem cintura alta vão ficar sem novidades? Até sei que se procurar, acha… mas e o tempo de ir procurar ou custo de algo que não está na produção em série?
Acho isso tão ruim porque torna a tarefa de ser a gente mesma mais difícil do que já é…
Nossa Ana amei tudo o que você escreveu, já estou tão cansada de tudo o que tem imposto a sociedade esse minimalismo chato, querendo que acreditemos que minimalismo quer dizer menos se na verdade é tudo um absurdo nesse estilo, todo mundo igual que chato isso… eu quero cor adoro tudo colorido é assim que eu gosto… tudo mais feliz!
Beijo sua linda.
Que bárbaro, Ana! Em tempos de “tendências em série”, é um bálsamo ouvir isso de alguém que construiu (como podemos perceber ao longo do tempo do blog, que acompanho há anos!) um estilo fiel à sua vida e suas convicções, belo e único. Eu não usaria vários dos seus looks, porque tenho outro estilo, na verdade, mas acho todos LINDOS, porque fica muito claro que você está feliz vestido aquela roupa. A roupa não veste você, VOCÊ faz com que ela se torne viva. Essa saia tem uma cor e um tecido muito legais, e achei a combinação com a blusa fora do óbvio. Ficou elegante e com personalidade. Mas gostei ainda mais dessa reflexão que tira a gente do lugar e alivia o “peso” de estar sempre se achando “inadequada”. Um beijo!
ótimo texto, gostei muito e confesso que já me senti assim algumas vezes. os dois looks ficaram bons, mas eu amei o com a camisa branca. um comentário me fez refletir : pque, no meio de tantos elogios você pinçou o único comentário desfavorável ? Pque nós, mulhere, somos tão negativas e tão críticas com nós mesmas ?
Adorei. Tenho quadril largo mas gosto de usar saias amplas, sinto-me feminina. Mas experimento isso que você escreveu. Obrigada por nos inCentivar a usar a criatividade!
Ana, eu sempre tive essa visão, de me vestir de um jeito que as outras pessoas achariam bonito, mesmo que tivesse que sair de casa usando algo que seria desconfortável pra mim, acabava me sentindo mal sempre que achava que não estava vestida como as outras pessoas do local. Seu blog me ajudou muito a mudar essa visão. Vejo você misturando roupas coloridas, prezando o conforto na escolha das peças, realmente se preocupando com a sua opinião. Agora eu já consigo ser assim também, me vestir do jeito que ME agrada, e é muito bom andar na rua sem ficar encanada com o que os outros estão pensando (mas ainda não tô 100% rs). É muito bacana ler um blog que ajuda as pessoas a criarem seu próprio estilo e se sentirem bem com suas escolhas, porque vejo muitas inspirações em outros blogs, mas que acabam ficando inviáveis para uma vida corrida, pra quem precisa usar transporte público rs. Ah, fui na sua oficina ontem e achei super bacana, você é muito simpática 🙂
Fabuloso este conceito de estilo próprio. Usar aquilo que nos faz bem com uma pitada de estilo e muito amor próprio. Ser bonita e se sentir bonita. Eis a questão primordial. Adorei a escolha do tema. Com certeza ajudará a muitas. Parabéns.
Quando mais eu penso, mas eu vejo que, mesmo o mundo parecendo tão egoísta, ainda falta muito amor, muito auto-amor. Falta a gente se permitir ser mais a gente, e menos os outros, mais feliz e menos normal, mais contente e menos igual, ter mais looks e menos items no armário!
Enorme? Para mim, você está maravilhosa neste look! Aliás, eu super usaria! Amo como você veste as roupas que gosta! Passei anos me preocupando com que os outros pensavam, hoje não mais! Uso o que gosto, o que me deixa confortável e ponto final! A única pessoa que tenho que agradar é a mim mesma! Beijos e parabéns pelo trabalho!
Amei esse texto!!! Pq sempre tem que usar algo que ~alonga a silhueta e sempre tem parecer mais alta e mais magra!? Um saco isso! –Alguém me achou “enorme” neste look. E desde quando isso é pejorativo? Temos que estar magras e altas pra comunicar algo bom? — Parabéns pelo texto!
Uma vez fui procurar inspirações de saia longa pra meninas pequenas e baixas (tenho 1,48m e peso por volta de 50kg) e o que achei foram dicas de saia para parecer mais alta e magra. Em meninas norte-americanas/europeias com corpo de modelo. Eu não queria isso, eu só queria ideias de saias longas pensadas para mulheres pequenas que cabem em roupas de adolescentes mas não querem ficar com cara de adolescente. E lógico, que valorizassem este tipo de silhueta, mas não dessem a impressão que o seu corpo é outro.
Ah Ana, mas não vale, você segura super bem o look que for! rsrsrs
Bjs
não é? vc só queria usar a saia, PONTO!
Amei o texto!!! Vivi dos 23 aos 30 anos (tempo em que morei sozinha) sem NENHUM espelho em que aparecesse o corpo inteiro em casa. Eu adorava! Vestia o que queria sem nenhuma checagem antes de sair, só colocava as roupas me olhava de cima pra baixo mesmo e se achava que estava bom e confortável, usava. Minhas amigas não se conformam. Hoje tenho 31 anos e um espelho grande no guarda-roupas e ele mais me atrapalha do que ajuda, pq antes eu não perdia tempo olhando a roupa antes de sair.
Antes que perguntem, eu adoro comprar roupas e adoro ter roupas bonitas, mas tento perder o mínimo de tempo “checando” se está bom antes de sair. Não ter o espelho me ajudou muito neste quesito.
Acho que a grande sacada na moda é olhar cada vez mais para dentro, e se deixar levar menos por apelos. Uma grande busca pelo que nós somos e o que gostamos de verdade é que deve definir como a gente se expressa nas roupas. Claro que ninguém é de ferro e temos “paixonites” de moda, mas se a gente não faz esse mergulho interior ficamos reféns – e dá-lhe dinheiro pra alimentar esse sentimento de adequação. É bem na linha das meninas da Oficina de Estilo: temos que substituir consumo por autoestima. beijos!
Parece você escreveu esse post para mim. Arrumando o armário encontrei um vestido que ganhei há uns três anos e nunca havia usado. Como era tomara que caia e o trabalho mesmo com seu dress code informal não aceita esse tipo de decote. Para usá-lo coloquei uma camisa sem mangas por cima e nos pés tênis preto. Fui toda me achando a moderna e logo uma colega ao ver-me comentou: “Você tá muito moderninha, acha não?” Num tom de crítica. Fui desmontada aí é como a sua proposição passei a questionar-me se não havia exagerado, se o tênis não era muito esportivo para o vestido. Trabalhei com a cabeça cheia de neuras mesmo tendo curtido o que vi no espelho.
Ana, apesar de pensar como você às vezes me pego querendo agradar as pessoas, e o PIOR quero a aprovação delas. Obrigada por abordar esse assunto, estamos vivendo numa vida tão frenética que por alguns momentos deixamos nossa essência de lado, por isso devemos sempre refletir e tentar estar conectada ao nosso “eu” interior. Beijos querida !
Eu gosto é de causar estranheza com as roupas que visto. Adoro receber esse tipo de olhar!
Afinal, não tenho necessidade de seguir a moda, sigo a MINHA moda <3.
Texto maravilhoso!
Beijos
isso tb acontece comigo, Ana. Por isso é bom parar, respirar e pensar: mas peraí, a vida é minha! 😉
eu também <3
Fernanda, eu chamo de calça molenga um modelo que chamam de “Pantacourt”. Não sei se foram essas calças que a Ana quis dizer no post. Beijos
Ana, maravilhoso post!!! Tenho tentado achar meu estilo e muita coisa que é tendência acho horrível e não combina comigo. Agora, listras e tênis são coisas que amo e sempre usei, independente de estar na moda ou não. O que fazer pra não parecer como todo mundo? kkkkkk Um abraço!!!
Ótimo texto e válida a reflexão. Ainda bem que não tenho problemas com auto estima e aceitação. Uso o que quero e o que tenho vontade, e tenho noção do que combina ou não comigo. Mas vejo mitas amigas sofrendo com isso, pensando se tal roupa tá boa o suficiente, que as outras pessoas estão mais arrumadas do que elas, e é meio triste isso, pois a pessoa se cobra demais e sofre com isso. Precisamos nos libertar dessas amarras, e usar o que quiser, e trabalhar a nossa criatividade, sem pensar no que vão achar!!
amei!
Lindaaaa! Obrigada pela libertação (exercício diário!). >:*
Girls, acho um saco essa coisa de ter que ficar magra ou gostosa nas roupas. Eu super curto usar roupas man repeller! Algumas amigas acham que para estar bonita precisa estar gostosa, super discordo! Adorei o look! E a moda é comunicação, usar uma peça que disseram que não ficou tão boa pra vc requer personalidade, e é isso que está faltando! 😉