A história do meu guarda roupa: do foco em trabalho pro foco no lazer

Quem me acompanha aqui há uma década ou mais, vai perceber a mudança do meu estilo ao longo dos anos. Quando comecei a frequentar mais São Paulo a trabalho fui adotando um estilo mais dramático, urbano, achava o máximo usar terceira peça (me julguem, rs), queria um armário lotado de peças de alfaiataria. Tinha raiva no verão do Rio, porque era inviável eu me vestir como gostaria com tanto calor e, pior, eu realmente comprava muita roupa em SP e sendo assim era tudo inviável pro clima carioca!

Que loucura, hahaha, eu queria meter uma terceira peça em tudo para me sentir mais arrumada, queria mil camadas e roupas de frio e taca-lhe pau na cidade que eu vivo e ignorava o fato de que não precisava virar farmete, rs, mas que eu poderia ter coerência com meu estilo no calor e ter também conforto térmico hahah!

Eu mudei, repensei um tanto de coisa, me tornei mãe, essas paradas todas que sabemos e aí vi mais ainda o quanto eu adorava aquelas roupas com muita qualidade que eu havia comprado ao longo dos anos mirando na consultora de estilo descolada porém urbana. Só que eu vivia frustrada por não usa-las aqui, o que me fazia comprar roupas mesmo tendo várias delas, para poder suportar o calor.

Demorei a entender que minhas roupas não condiziam com meu estilo de vida e nem com minhas necessidades. Mas seria apenas alguém tentando ser quem não era pra justificar anos e anos assim?

TRABALHO TEM VALOR, O LAZER, NÃO

Pois segura essa: o estalo veio esses dias, quando minha mãe disse que poderia me ajudar com minha filha nas férias, mas SÓ SE FOSSE PRA EU TRABALHAR. A ênfase reforçava que eu poderia contar com a ajuda dela em algo sério, importante, como o trabalho, mas NUNCA JAMAIS pro lazer, algo frívolo.

Meus pais não eram exatamente pessoas sociáveis, pelo contrário. Evitavam ambientes festivos, não viajavam conosco, não iam a festas, não tinham amigos, não deixavam eu e minha irmã nem socializarmos no play. Sério, uma tristeza sem fim para qualquer criança. Como me divertir quando o clima não era esse? Eu tinha tanta raiva de ser criança e não poder fazer nada, que eu queria virar logo adulta.

Cresci querendo muito começar a trabalhar logo para sair daquele ambiente familiar, adquirir independência e poder fazer todos meus rolês sem nignuém me proibindo. E somente o trabalho me traria essa suposta liberdade, então emburaquei nele. Minha vida era trabalhar, emendar vários freelas, não ter um final de semana e feriado.

Horrível também, eu sei. Mas a minha geração fazia assim. E com isso minhas roupas refletiam essa visão de que a vida se resumia ao trabalho. Que ele seria valorizado pelos meus pais, que me traria autonomia e recursos. Uma grande falácia, rs, o trabalho me aprisionou e me fez gastar muito dinheiro com roupas hahah

Mas se o trabalho era tão valorizado por mim (e referenciei nos meus pais), claro que minhas roupas iriam refletir essa rigidez desejo por algo que representasse no meu vestir esses valores. Eu não sabia descansar, relaxar e nem planejar muita coisa que não fosse evento de trabalho…

Depois que tive nina, minha visão e vontade de mundo mudaram. Na verdade isso começou em 2017, quando me separei do meu primeiro marido, e hoje tá mais latente do que nunca. Gosto do meu trabalho, mas eu gosto mesmo é do meu samba do trabalhador (a ironia hahah), da praia no entardecer, do descanso absoluto. Adoro vadiar, adoro viajar pra passar os dias longe de qualquer possibilidade de trabalho. Amo botequins, encontros, passeios e tento sempre encaixar um pouco dessa beleza nos meus dias, não só nos finais de semana – não à toa vim morar em Santa Teresa, um bairro que mais parece uma cidade do interior, com outro ritmo de vida.

A pessoa que vivia dizendo estar numa correria louca, essa cafonice de workaholic sempre ocupada ficou pra trás. Com isso as roupas mais sisudas, de tecidos encorpados e estruturados deram lugar a fluidez e leveza dos vestidos rodados, das regatas, dos shortinhos. Não uso mais tantas estampas como antes, mas tenho amado cores em tons claros em têxteis frescos e confortáveis, os tops e decotes.

Despretensiosa, leve, gostosa: essa é a minha skin de 2024.

Looks meia estação

Que título é esse, assim, depois de quase um ano sem postar aqui? Para indexação do Google, gente, hahah! Mas eu voltei! ensaiei o retorno, pensei em desistir de tudo mesmo tendo esse blog há 15 anos, mas agora venho super feliz que estamos de volta! O instagram roubou meu blog de mim e não quero mais deixar isso acontecer!

2023 me engoliu, foi quando minha vida mudou pra valer e passei boa parte do ano pensando em desistir e caçar uma nova profissão. Enquanto isso não acontece, eu quero muito retomar a figura que eu era, sendo que agora eu sei que sou uma nova Ana e que eu gosto infinitamente mais. Estou mais low profile, sem ritmos loucos da vida, até porque minha realidade agora é outra.

Dito isto, nada melhor que voltar à origens e postar algumas fotos de looks, como fazíamos antigamente hahaha! Com os videos em alta nas redes sociais eu quase não tenho feito mais registros em fotos, mas quero me redimir. Essas fotos espetaculares foram pra campanha que fiz com a Shoulder para o Dia das Mães – esse post aqui não é publi, mas é que as fotos ficaram muito lindas!

As fotos foram pro dia das mães, por isso os tricôs! Eu adorei o look todo branco, achei muito a minha cara. O sapato de salto é Luiza Perea e o mocassim tratorado é C&A!

As fotos são do espetacular e querido Lucas de Oliveira.

Preciso dizer que vamos começar o ano com uma nova identidade visual e site. O blog está com vários probleminhas porque o layout e a programação são bem antigos, por isso também os problemas nos comentários onde preciso usar esse plugin péssimo cheio de propaganda esquisita, rs. Mas isso vai mudar em 2024 uhuuuuuuuuu!

Voltei. Que saudade <3

Meu novo estilo: a mulher que se reinventa

Depois de alguns meses, voltei a atualizar o blog. Mudei de casa, mudei de bairro, veio o luto da separação e de tantos sonhos idealizados, Nina mudou de escolinha, adoecemos e passei meses difíceis assumindo tudo sozinha, abrindo mão de muita coisa. Meu blog sempre foi minha paixão e deixá-lo de lado, assim como tantas outras coisas da vida, acendeu o alerta que já estava apitando aqui, mas ficou mais explícito nos últimos tempos: a depressão voltou.

Descobri muito recentemente o nome da doença que me acompanha desde jovem mas que eu achava que era outra coisa, afinal, eu conseguia levantar da cama, trabalhar, ser produtiva. E aí que está: só isso também. Quantas fotos eu vejo aqui nesse blog e lembro que estava em momentos depressivos, mas não sabia. É tão bom ter o nome do que se sente! É tão importante ter auxílio profissional e entender que não é só uma tristeza que dá e passa!

Estou voltando a entender o que gosto, o que me dá prazer, e mesmo ainda no olho do furacão de tantas mudanças profundas e marcantes na minha vida. Fui perdendo o prazer por me vestir, não me importando com minhas roupas, nem comigo. Perdi também a vontade de escrever e me fotografar, logo eu que sempre amei fazer essas duas coisas, vocês sabem.

Só que hoje tive uma longa reunião com uma aluna que vai fazer parte da minha retomada profissional, e conversei com ela da necessidade de construir uma persona para meu novo ano, não fingindo ser quem não sou, mas de criar uma identidade visual da mudança da minha vida, da minha retomada, da reviravolta de quem ainda se vê no fundinho do poço, mas sabe que tem sua luz, seu valor. Estive em São Paulo dando curso há uns dias e foi tão bom receber o carinho e feedback da minha trajetória, da importância que tenho nessa internet e na consultoria de estilo.

A Thais Godinho falou recentemente em uma live que começou a se vestir como uma rockstar. Não que ela criou um personagem, pelo contrário! Ela sempre foi do rock, é filha de roqueiro, e se encontrou agorinha nesse estilo, assumindo quem ela é na sua essência, e como isso tem a ver com estar com a autoestima mais elevada, coisa não muito comum na sua vida. E que pensou na sua importância profissional, em quem ela é “Eu quero me vestir e me apresentar como uma rockstar”. Eu achei essa análise e percepção sensacionais, porque isso traz pra nossa vivência uma outra postura pra vida!

Então, nessa reunIão que acabei de ter há pouco, de voltar a fazer meu planejamento anual, de repensar projetos, cursos, de voltar a sonhar com o que gosto e quero realizar, eu quero me vestir como essa mulher que tem a enorme capacidade de se reinventar, não importa quantas vezes seja necessário. Recebi tantas mensagens falando justamente isso de mim nos últimos tempos!

E eu sou mesmo essa mulher que não tem medo de reunir os caquinhos e recriar a partir daí, que é corajosa, destemida, tremendamente forte, valente, valorosa, criativa, dinâmica, comunicativa, que chega nos lugares e os preenche com sua presença. Eu sei quem sou e eu quero adaptar meu estilo para essa virada de chave, para a mulher que se reconstrói mais uma vez e finalmente se percebe assim, que reconhece todo seu valor.

E eu acho que muitas de vocês irão se reconhecer e poder também se inspirar nesse meu processo. Quero compartilhar como tem sido, como vamos começar a criar a partir do que já tenho e o que quero trazer de novo. Como todo processo vai demandar tempo e planejamento, então venho aqui falar mais sobre isso em breve <3

Fui conhecer a loja de upcycling que vende farm

Já tinham me falado e fui conhecer finalmente a Oficina Muda, multimarcas de upcycling (que é a ação de transformar, consertar e ressignificar peças de roupa que seriam descartadas, para viabilizar seu uso por mais tempo) criada para ajudar a gerir os resíduos sólidos de forma criativa de marcas parceiras como Farm, Fábula, Cantão, Maria Filó, Ateen, Dress to e Agilitá.

A marca tem 3 lojas no Rio de Janeiro: em Laranjeiras, a loja conceito, Copacabana e Tijuca e também possui e-commerce. Fui na loja tijucana, que fica mais “escondida”, no andar superior de uma galeria que não é notoriamente de marcas de moda. A loja é linda, com uma decoração bacana, em madeira, com os conceitos de reciclar e reuso escritos nas paredes e um mezanino que remete a um ateliê de costura (mas achei que é mais enfeite do que utilizado de verdade). Recebem novidades toda semana.

A Muda recebe peças dessas marcas que seriam facilmente descartadas no crivo de qualidade: são peças piloto, com pequenos defeitos e de coleções passadas que são reformadas, lavadas, tingidas, desfibradas, ressignificadas e colocadas à venda. Além de roupas femininas e infantis, têm acessórios, óculos de sol, bolsas e sapatos, alguns vestidos de festa, jaqueta de couro, mas todos com limitação de grade de tamanhos. Ah, e como essas marcas não tem grade extensa, infelizmente a numeração também restringe corpos maiores.

Pra começar minhas impressões, pelo que vi na Tijuca não consideraria upcycling. As reformas não descaracterizam a peça, como por exemplo era o trabalho da Gabriela Mazepa no Re Roupa, que transformava calças em blusas, os vestidos eram costurados juntos e viravam novos vestidos, camisas que poderiam virar tops e shorts. As roupas são reformadas para viabilizar o comércio, mas não transformadas, porque a maioria estava com etiqueta original das lojas. Não sei se não me apresentaram direito aos produtos, mas não vi nada transformado ou ressignificado ali, talvez tenha mais só no e-commerce ou nas outras lojas, que nem vi aqui no instagram da Muda, uma capa de chuva feita de bolas furadas por 289 reais e poucas peças (adorei).

Li nessa matéria que a Muda têm parceria com a Rede Asta, de artesãs, mas não vi de forma clara na loja as peças da Asta – talvez estejam na loja conceito ou à venda só nas lojas da Rede Asta, o que não vejo sentido.

Algumas pessoas comentaram que acharam os valores ainda um pouco caros, e claro que não é desvalorizando o trabalho das costureiras, mas por serem roupas e peças que continuam com as etiquetas das marcas originais, o branding pesa aí, porque continuam sendo peças com valor de marca. Quando eu ia no bazar dessas marcas, as etiquetas eram cortadas (exceções do bazar da Andrea Marques e Totem, que mantiveram as etiquetas, mas FARM e Animale, por exemplo, sempre cortavam).

Por isso, para peças que mesmo reformadas porque apresentavam defeitos, o valor final ainda continua ou próximo do original ou caro para os padrões do poder de compra reduzido que temos hoje, não são muito acessíveis. Mas aí entra também a questão de que está tudo caro, até fast fashion tá preço de boutique, exorbitante mesmo. E eu acho que garimpando podemos sim encontrar peças com bons preços ou que valem o custo x benefício.

As roupas da Fábula e Bentô custavam acima dos 100 reais. Um vestido Cantão na etiqueta original (achei bacana que mantiveram os valores) custava 350 e estava sendo vendido a 230 reais. Mas também provei um macacão Cantão que era 500 e tantos e estava sendo vendido a 200 e poucos. Se fosse uma peça que eu tivesse amado na loja, seria uma boa oportunidade. Biquinis a 50 reais cada parte das peças. Jaquetas de couro maravilhosas e com assinatura de artista visual, mas por 1.500,00.

Acho que também esperamos que peças descartadas tenham um valor muito simbólico, quase de brechó. Mas tem todo um operacional a ser mantido nesse conceito, por isso a Oficina Muda se apresenta como uma multimarcas: tem aluguel, luz, funcionárias, transporte, costureiras, designer de moda, etc.

Eu gostei de uma sandália que tava de olho há tempos e saía a 200 e poucos. Achei uma boa compra, porque não era uma sandália simples e eu estou realmente com quase nenhuma sandália depois da pandemia. Então se considerarmos nossas necessidades, custo x benefício, valor de marca (eu não teria como pagar o preço cheio dela) e o quanto gostamos de uma marca, pode ser uma boa, sim. Se você quer pagar preços melhores, sugiro brechós físicos e online, que terão custo bem menor.

Como é se vestir sendo mãe solo

Dei uma sumida daqui e diminui consideravelmente as postagens nas redes porque me separei do pai da minha filha e a vida deu um nó, como era de se esperar. Estamos nos adaptando, eu e ela, a uma nova rotina sendo só nós duas com a presença esporádica do pai. Esse ano que eu tinha tantos projetos para colocar em prática, em janeiro estava fazendo planejamento empolgadíssima, mas para não me sentir ainda mais sobrecarregada, em sua maioria foram todos engavetados.

Já sofri, já me chateei, mas hoje estou vivendo um momento de cada vez e entendendo que não estou deixando nada pra trás, só aguardando o melhor momento para retomá-los. Ter essa clareza me deixa menos estressada e mais segura do que preciso fazer hoje para ficarmos bem, que é o mais importante. Claro que ter dinheiro faz parte desse estar bem, por isso fiz as pazes com meu trabalho, adaptei algumas coisas e voltei aos atendimentos presenciais, o que têm ajudado muito! Isso tem me trazido alguma segurança e também ajudado com minha autoestima.

(O look acima eu repeti inúmeras vezes esse ano, viajei com ele pra SP e funcionou demais)

Estou dizendo tudo isso porque é claro que ter ficado solo com ela, sem uma rede de apoio fixa (tentamos escolinha mas não deu certo, estou vendo uma mudança pro meu bairro antigo pra inscrevê-la por lá), sobrecarregada nível máximo, trouxe consequências para como me visto e como tenho percebido meu estilo pessoal, pro meu consumo e o que é vendido pra gente como prioridade.

Quando se é mãe solo (mãe solo aqui não é sobre não ter pai presente ou que não assumiu o filho, mas a mãe que fica responsável pela criação e bem estar da criança a maior parte do tempo), é fato que você vai se sentir insuficiente em muitos momentos, porque é humanamente impossível suprir tantas necessidades sem uma aldeia. E como consequência da exaustão, eu diminuí consideravelmente meu acesso às lojas e às compras virtuais, porque simplesmente não cabem mais no meu diminuto tempo livre nem no meu orcamento.

Escolher roupas na presença de uma bebê de dois anos e meio é uma tarefa impossível quase. Primeiro porque a maternidade trouxe muitas mudanças no meu estilo e meu closet ainda tem peças que não fazem mais sentido, mas mantenho porque roupa (assim como tudo), está caro demais. Eu fico mais incomodada com o que aperta, com o que dificulta dar mamá, com o que não faz sentido (roupas de tecidos delicados, por ex.) ao sair com uma bebê. E é MUITO dificil se arrumar com calma com ela mexendo em tudo, jogando no chão.

Em outros momentos bate a angústia que adoraria usar várias peças para tirar o atraso de tanto tempo sem usá-las, aí fico meio barata tonta pensando qual quero vestir. Têm acontecido frequentemente um tira-e-bota-sem-fim de looks, no final dá tudo certo, porque acho que não sobra nem tempo pra autocrítica, hahaha!

Sei que o que me ajuda é ter um acervo de ótimas peças, ser consultora de moda com um olhar já treinado, entender meu estilo, mas quero compartilhar aqui também essa nova realidade, que traz muitas camadas ao que parece ser fácil, mas na hora do perrengue, não é. Eu sou uma pessoa que precisa de silêncio, que gosta de ter tempo para executar as ideias, não funciono bem com caos e bagunça. Não é simples não ter mais seu tempo para você.

O que tem me ajudado:

Replica Nautilus 5711G-001 Patek Philippe

– Ter tirado muita coisa que não fazia mais sentido ou não cabia, para diminuir a confusão na hora de me vestir
– Ter em mente que um dia isso vai passar, que faz parte do momento de vida e não posso me massacrar com isso
– Ter feito o exercício de experimentar looks antigos, de fotos daqui; com isso, pude ver o que ainda funciona e o que gosto e vale a pena reprisar!
– Quando estou animada, aproveito e separo algumas ideias e inspirações na minha arara para colocar em prática quando pintar a oportunidade. Aí na hora de me vestir com Nina junto, fica mais fácil, ou menos difícil, rs.
– Repito um look quando gosto dele e me sinto bonita, quantas vezes forem necessárias

Por exemplo, este look é a junção de duas peças da mesma marca, que usei agora em Brasília, final da época da seca, maior calor. De algodão, funcionou pro conforto térmico e ainda ficou bacana pra trabalhar. Vou repetir no verão carioca, sem dúvida. Pensei nele alguns dias antes da minha viagem.

Essa foto é o print de um Reels que fiz pro instagram, de um look que repeti algumas vezes que saí sozinha e adorei, recebi muitos elogios! Comprei a blusa recentemente em um brechó em SP e quis usar logo para aproveitar o frio incomum em terras cariocas. Não pensei nela com mais nenhuma outra parte de baixo por pura falta de tempo, e já que deu super certo com a calça, repito sem dó. Quando a inspiração vier, testo ela com outras peças.

Esse look foi a repetição de um que usei em Portugal em 2019. aliás, o vestido foi comprado em um brechó de Lisboa. Tava frio semana passada, queria me vestir rápido para sair sem a cria, aproveitei ele com essa legging. Fiz o link de cor roxa da estampa com a do tênis. Nesse dia eu queria muito ter elaborado melhor o look, vestido outras peças, mas estava cansada e sem paciência.

Mas é isso, eu não saio de casa todos os dias para trabalhar, o que reduz meu estresse com isso consideravelmente. Mas também é difícil quando preciso sair e Nina percebe que estou arrumada – ela me vê com uma roupa diferente das roupas de ficar em casa e já rola um choro.

Mas olha gente, esses foram os meus dias de vitória. Tenho inúmeros looks não registrados em que saí com a roupa do corpo porque senão não ia dar tempo, de sair com a mesma blusa todos os dias, de não lembrar nem com que roupa eu tava, isso já na fila do supermercado. A exaustão é real, e não podemos nos cobrar de estarmos incríveis sempre. Bate uma tristezinha? Sim, não vou mentir. Mas também não quero jogar mais uma cobrança no meu colo, seria desleal comigo.

Vestir estratégico é o cacete!

Tenho ajudado muitas mães atendendo na consultoria de estilo, e ter esse olhar empático tem feito toda a diferença, porque eu vivo isso na pele. Tem me dado um ranço absurdo de profissionais de moda que mandam essa de vestir como estratégia, de não sair de casa desarrumada para causar uma boa impressão. Ou de ficarem nessa baboseira de looks elegantes, condenando peças super práticas para mães de crianças e bebês, como a bermuda biker.

Ou de considerarem desleixo quem simplesmente nao liga a minima por lookinhos, que ama ser básica.

Eu to cansada até pra pensar em jeans e camiseta, sabe? E amo não me importar mais com isso. Não quero mais imposições, quero um abraço.

Quase sempre são mulheres que não fazem ideia do que é a vida das mães. Acho importante olharmos mais pro lado e ouvirmos as mulheres: se estamos tão exaustas, faz sentido ainda adicionar equações que nos excluem?

A dificuldade de comprar blusas é real

Voltei depois de um hiato, mas cheia de assunto, vamos lá: voltei a fazer atendimentos de consultoria de estilo, tanto online quanto presenciais, e uma queixa frequente entre as clientes é a dificuldade de encontrar blusas que gostem. Mas, vejam, elas não acham que o problema é da industria, mas DELAS! Que ELAS não sabem escolher blusa, que ELAS não encontram porque não conhecem marcas ou não tem grana para investir em alguma peça melhor.

Bom, volta e meia apareço no instagram contando que tenho tal roupa há mil anos. Reparei recentemente que tenho peças de mais de dez anos atrás – sou bem apegada no geral a coisas que funcionem e estendo a vida útil delas. Por mim não trocaria nunca de notebook e celular, meu tripé comprei em Londres em 2009, rs, e uso até hoje…tá funcionando? Eu uso. Sou contra obsolescência programada por achar um desperdício de recursos e de tempo investido, fora a grana.

Sofri mas desapeguei de muita coisa desde o início da pandemia, que coincidiu com meu puerpério. Muitas foram blusas de poliéster, mas ficaram várias ainda, que não me identifico mais tanto, mas também fico muito na dúvida de desapegar, porque eu sei que encontrar coisas de qualidade maior, como era um pouco mais fácil anos atrás, tem ficado cada vez mais escasso.

Confeccionar blusas dá mais trabalho, portanto, é mais caro.

A criação de uma parte de cima é um trabalho com muito mais etapas: enquanto uma saia é basicamente medidas de cintura e quadril, por exemplo, uma blusa e camisa exigem uma modelagem que considere medidas de busto, costas, cava das axilas, medidas de ombros, gola, comprimento, punho se for camisa de manga; além de precisarem de mais etapas e detalhes, se tiver drapeado, botões, colarinho, entre outros que também oneram mais o serviço, e claro, uma grade de tamanhos reduzida. Ou seja, além de custarem mais, são mais difíceis de serem feitas, portanto, de vestirem bem, ainda mais se os serviços acima não forem bem executados.

Soma-se ao fato de termos tido desde o ano passado uma crise no setor têxtil, que provocou escassez de matéria-prima, elevou os preços e custos dos manufaturados, além de aumento da energia elétrica, combustível, entre tantas outras que fazem os empresários, que querem lucrar né, reverem os custos e optarem (ou não terem opção) por tecidos e aviamentos de baixa qualidade. Com isso, dá-lhe poliéster!

Entre pagar mais caro numa blusa ou numa saia, vamos sempre considerar comprar a parte de baixo.

Percebam também que tops, terceiras peças, blusas e camisas são peças que ficam mais próximas do rosto, por isso é comum serem peças mais fáceis de enjoarmos, mais difíceis de escolhermos. Saias e calças parecem mais atraentes e fáceis, assim, de termos mais opções, seja por serem mais fáceis de vestir melhor, seja por considerarmos que valem mais o custo x benefício.

E lembremos também da tiktokização na moda, que abrevia o tempo de uso das roupas, que traz imediatismo e aceleração, corroborando as ultra fast fashions, com suas peças descartáveis e da tendência. Chega a dar nervoso entrar nas lojas e só ter blusa cropped como opção.

Assim, a conta não fecha, porque achamos que temos um armário descoordenado, mas fica mais complicado encontrar e acrescentar o que realmente se gosta.

E qual a solução?

Vale reformar a blusa? Sim. Vale mandar fazer na costureira? Sim. Vale usar as mesmas peças de mil anos atrás, mas que continuam funcionando e você atualiza o look de outra forma, com complementos? Claro!

Também vale olhar o armário da mãe, da tia, brechós em busca de peças boas de alguns anos atrás, garimpar marcas legais, que tem esses cuidados em bazares, sites de como enjoei e repassa, pegar emprestado, mas claro que nem todo mundo tem essas alternativas. Sei que nem todo mundo pode pagar os preços de peças autorais, por mais que saibamos do valor da criação delas.

Cada vez mais as marcas tem simplificado as peças para tops, e isso tem sido incorporado nos looks, mas nem sempre é assim que a gente precisa ou tem que se vestir. Então infelizmente as alternativas são reduzidas, mas a mensagem está clara: não é você que não sabe escolher blusa, a única que não gosta de comprar camisas, a que não dá sorte.

O que daria pra comprar de roupa com 100 reais?

Foi-se o tempo que eu achava que pra gerar conteúdo eu tinha que comprar roupa nova toda semana. Mesmo que eu quisesse hoje repetir esse esquema, tudo, absolutamente TUDO está caro, absurdamente caro e por isso consideraria esse tipo de conteúdo até ofensivo.

Eu penso mil vezes antes de desejar algo. Sequer tenho passeado por lojas, nem acompanho novidades nas redes, preciso economizar e não está sobrando dinheiro. Acredito que muitas também estejam passando por essa triste situação chamada Brasil 2022.

Lembrei do meu post da banalização dos 100 reais, de dez anos atrás, e que atualizei para os mil reais. Mas aí veio uma dúvida genuína: o que será que dá pra comprar de roupas com 100 reais agora?

Fui atrás de um brechó e de uma fast fashion para descobrir.

No caso do brechó eu já esperava encontrar mais itens possíveis, mesmo sabendo que nem sempre a grade de tamanhos é abrangente, mas foi animador ver que pelo menos em brechós dá pra fazer a notinha azul render um pouco mais.

Selecionei algumas peças que gostei, mas a maioria das roupas estavam com os mesmos preços dessas das fotos, são tabeladas.

Nesse frio encontrar casacos bem bonitos por 54 reais eu acho um valor legal. Blazer de tweed e outro de padronagem clássica, ambos em bom estado e lindos!

Depois encontrei esse mantô pelo mesmo valor, com detalhes com brilhos, de uma marca que não existe mais, mas a qualidade era muito boa, a Rudge.

Na parte de calças, muitas com o mesmo valor, 44 reais. Adorei essa de bolinhas.

O vestido de festa custava ótimos 54 reais, achei bem digno. A chemise custava 74 reais.

Achei o saldo final positivo, porque com esse valor a gente pensa que só dá pra calça jeans, ou pra uma blusinha. Mas no brechó dá pra garimpar até vestido de festa com menos de 100 reais! Casaco, gente, casaco que é uma peça mais cara mesmo, ainda mais nesse frio. O dinheiro renderia bem!

O brechó que fui é o 21Brechó Arte, R. Gen. Roca, 514 – Tijuca, no Rio de Janeiro.

NA C&A

Depois eu fui na C&A conferir o que eu poderia comprar com 100 pilas:

Assim, gente…deu pra achar bastante opção a menos de cenzinho, MAS acho um absurdo short jeans custar 89,90. Confesso que me surpreendi sabe. Vejam, não estou achando nada em conta, mas eu estava com uma sensação de que sairia de mãos abanando e até que tinham algo mais promocional na loja, ó:

Camiseta de algodão 25,99, blusa de gola alta que tá na moda, de malha muito fininha e várias cores a 69,99 e short jeans 89,90.

Peças bem basiquinhas e normaizinhas, né? Até esperava isso. Mas aí fui na parte dos moletons e me surpreendi porque achei tudo muito bonito e as partes de cima cabiam no meu orçamento: 99,99 o de caju e 89,99 os coloridos!

Têm uma super qualidade? Não, apesar de ter achado bem ok esse azul, tentei não mostrar tanto poliéster 100%, por isso achei razoável. Mas fiquei feliz? Não. Saudade de quando esse valor daria pra comprar uma camisa de botão também, algo pra trabalhar fora.

E aí, o que vocês acharam? Difícil é ter 100 reais sobrando que não seja pra pagar o básico pra viver, né?

Se vocês curtirem, eu vou fazer esse experimento em outras lojas e bazares.

Looks de festa com tênis

Eu fui de tênis na minha formatura, em 2002, um belíssimo superstar da adidas branco e rosado, bem subversiva. Vinte anos depois, venho aqui sacramentar que nunca mais colocarei meus pezinhos em saltos desconfortáveis para festas. 

Já usei salto em festas e foi péssimo, muita dor nas costas, pés e pernas, porque eu me recuso a ficar descalça ou usar chinelo, desculpa haha, mas gosto dos pés protegidos. Porque não ir de tênis, como eu fiz lá atrás? Com tantos modelos belíssimos, estilosos, coloridos, confortáveis e mais duráveis e usáveis que sandália de festa que se calça uma vez em nunca. Pq é tão normal associarmos festejos a gastos desnecessários e sofrimento para as mulheres?


As pessoas avançam nas mesas de doces, enchem a mão e os bolsos, com que moral vão falar dos seus tênis, gente, pelamor!? Hahahaha! Separei alguns looks meus que eu acho que super usaria com esse meu tênis, colocaria até uma meia de paetês que eu tenho aqui, heim? Ou então uma meia-calça!

Todos, exceto esse primeiro branco, são peças que tenho há anos no meu closet, e o tênis foi comprado no brechó de tênis que mostrei aqui. Ou seja, a prova cabal que ninguém precisa comprar roupa nova pra ir em festas, casamentos, formaturas, bodas, o que for!

Se não combina ou acha q não orna, vale sapato de salto de marca confortável, vale bota, sandália rasteira, vale levar seu tênis e calçar na festa e vale ficar descalça e ser feliz. Só não vale sentir dor e se machucar porque o olhar alheio questionando algo que nem é da conta da pessoa, está atravessando você.

O desencontro e reencontro do meu estilo como mãe

Quando eu preciso me arrumar, muitas vezes a vontade é ficar sentada ou deitada no chão para aproveitar aqueles segundos de silêncio comigo. Em outros momentos vou ter uma neném agarrada a mim pedindo para tirar o brinco, puxando minha roupa e falando freneticamente – aí é uma dificuldade raciocinar uma roupa, fico atordoada.

Em vários momentos eu olhava para outras mães na rua, nas redes sociais e pensava “como elas conseguem estar arrumadas?”. Esse pensamento não é saudável: eu ficava me comparando com vidas diversas, onde não cabe uma régua. Tem mãe que tem rede de apoio, tem mãe que precisa se vestir das estampas mais coloridas para se sentir viva e não sucumbir. Tem quem já não curtia se arrumar e assumiu com muito gosto o básico.

Eu estou numa necessidade louca por roupas novas, o que acho bom e ruim: bom porque eu estou com muita clareza do que quero. É ruim porque não dá pra ficar gastando dinheiro né, gente. Tá tudo absurdamente caro, tudo, não tenho mais o tempo de fuçar lojas, nem mesmo online. Tem dias que a frustração bate pesado, tem outros que eu faço novas coordenações com as roupas que já tinha e me acho o máximo, tem as vezes que eu queria zerar meu closet e comprar tudo novo de uma vez só.

Tem vezes que amo o look e repito três vezes na semana, como foi o caso desse. No primeiro dia eu amei, no terceiro dia eu tava detestando, hahaha. Mas pensar em outro look, do zero, estava fora de cogitação com a correria da rotina e ele ainda tava cheirosinho pq usei pra saídas rápidas, hahaha.

Tem vezes q eu sei que essa fase vai passar, mas também agradeço porque eu realmente parei de insistir em ter muita coisa, em me apegar a roupas que não servem nem no meu corpo mais, nem na minha vida. E eu acho um alívio ser mais prática ainda, além de ter essa sensação paupável que a vida mudou de etapa e é assim é. Não me arrependo de muita coisa, apesar de me chatear ao relembrar gastos desnecessários.

Ser mãe é esse corte seco sem anestesia, em que tudo muda de uma hora pra outra e não tem como mais voltar. Eu tinha muito medo disso. Agora eu estou bem empolgada – apesar de um pouco perdida, tem sido importante esse exercício mais cauteloso e acolhedor de olhar pra mim e me entender.

Conheça um brechó que só vende tênis!

Subi Santa Teresa, bucólico bairro que fica no Rio de Janeiro, para conhecer um brechó que tem um nicho muito interessante. O Santa Tênis é um brechó especializado em tênis que começou em 2021, durante a pandemia, mas o sucesso da seleção de calçados e a especificidade mantiveram o negócio em alta.

Na porta avisa que você pode precisar tocar um sino para e fui recepcionada por um dos irmãos que comenda o brechó, o Aruanã. Fui muitíssimo bem atendida (lembrando que nunca me identifico como “blogueira” para poder ter um atendimento imparcial e avaliar), ele explicou como funcionavam, o que eu estava procurando, quanto eu calçava e me indicou, sem empurrar nada, os pares para eu experimentar.

Além de uma variedade muito boa de tênis para diversas atividades, seja acabemia, corrida, passeio, também vendem sandálias estilo papete, botas, chinelos, todos em ótimos estado – não vi nada com muitas marcas de uso, muito menos sujos ou em péssimo estado, pelo contrário: solas e palmilhas quase sem marcas, muitos ainda com etiquetas, novinhos em folha. Para sapatos isso é super importante, para evitarmos usar algo que já esteja moldado ao pé de outra pessoa e evitarmos problemas ortopédicos e até dores na coluna.

Marcas como Nike, Adidas, Puma, Vans, New Balance, Redley, Osklen, Fila, Converse, Farm, Asics, Birkenstock, entre outras, são figurinhas fáceis nas prateleiras do estebelecimento.

Além de uma variedade muito boa de tênis para diversas atividades como academia, corrida, rolezinho, também vendem sandálias estilo papete, botas, chinelos, todos em ótimo estado – eles são rigorosos na seleção do acervo. Não vi nada com muitas marcas de uso, muito menos sujos ou em péssimo estado, pelo contrário: solas e palmilhas quase sem marcas, muitos ainda com etiquetas, novinhos em folha. Para sapatos isso é importante, para evitarmos problemas ortopédicos e até dores na coluna.

Tênis que custam R$700, 800, estavam por R$250 e até aceitam se vc preferir levar o seu e pegar outro. Marcas como Nike, Adidas, Puma, Vans, New Balance, Redley, Osklen, Fila, Converse, Farm, Asics, Birkenstock, entre outras, são figurinhas fáceis nas prateleiras do estebelecimento. Fui bem atendida, os irmãos donos do negócio são muito gente boa, ninguém tentou me empurrar nada, ótima experiência, loja limpa e eles te ajudam a achar sua numeração. 
Não vendem nada online, tem que ir lá conhecer! 

Ah, também têm opções infantis e roupas como jaquetas esportivas, camisetas e bermudas, mas o forte mesmo são os calçados.

Endereço e horário:

O @santatenisoficial fica na Rua Felício dos Santos, 9 (na rua quase em frente ao Bar do Mineiro, perto do Largo do Guimarães) e funciona de 11h às 20h, todos os dias – mas antes de ir só confirma no Instagram, vale a pena mandar uma mensagem antes pra avisar, tá?