Feminilidade e libertação

Eu nunca gostei de performar feminilidade, mas a necessidade de aceitação era muito maior. Nunca gostei de perder tempo pintando cabelo, de sentir o couro arder; morria de medo na manicure, suava frio quando precisava depilar, levava o salto alto na bolsa pra poder tirar foto de look e ficar mais elegante, sem contar os quilos de maquiagem que acumulei quando o dólar era aceitável. Eu nunca gostei de perder tempo e dinheiro com nada disso, mas diziam que era assim que funcionava pra mulher. Eu fazia, mas não compreendia e me sentia errada o tempo todo, por não achar nada daquilo bom em mim.

Hoje desci para testar o espelhão e a luz do meu prédio, e me “arrumei” pra foto: vestido com linhas mais retas, cores, sandália rasteira esportiva. Sem batom, sem bolsa, sem brincos. Nossa, que ALEGRIA!

Percebi o quanto eu me sentia desconfortável em mim mesma o tempo todo, mas o fazia para ser amada, fechar clientes, ganhar comentários no blog. Eu sempre preferi sapatos diferentes, roupas versáteis e práticas (como esse vestido que ganhei da @lojaprosa com bolsos, toda roupa deveria ter bolsos pra gente se livrar de carregar bolsa), uma peça que se resolve por si só, não precisa pensar muito, sempre gostei de um visual simplificado, esportivo, tênis, estou achando uma maravilha não poder usar acessórios por causa da neném.

Já ouvi que gostava então de me vestir de homem, mas percebam o equívoco nessa colocação: eu quero me vestir de mim, e eu sou essa pessoa prática e direta, mais ainda agora. E isso não exige uma marcação de gênero. Pode ser um vestido, pode ser um terno. Eu não preciso mais performar para ser o mulherão que eu sou, eu apenas SOU.

(coloquei esse pensamento no instagram e gerou muita discussão boa)

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