Qual é a imagem de uma mulher poderosa?

Hoje, em uma postagem minha no instagram, uma leitora antiga falou da identificação com meus looks atuais ser maior, mais estilo “carioca”: despojados, coloridos, com sandálias baixas e confortáveis, sem terceiras peças e saltos altos inconcebíveis para as calçadas daqui. E acrescentou que temos que desfazer no nosso imaginário que mulher poderosa é aquela que se veste de executiva ou com roupas de inspiração no guarda roupa masculino.

Durante muitos anos eu aderi a alguns aspectos dessa indumentária que me relacionava a poder e elegância. Depois, numa avaliação do meu estilo, percebi que eu amo peças com cores lisas, sem tantas estampas (estampas mais pra geométricas), com cortes e modelagens arquitetônicas, camadas e volumes. Eu brincava que gostava de me vestir à paulistana, haha, aquela coisa de roupa preta, tanto que comecei a comprar roupa mais em SP por me identificar mais com as marcas de lá do que as daqui, que copiavam demais as estampas florais coloridonas da FARM e vestidos esvoaçantes. Aff, era cansativo tanta cópia desse estilo garota carioca zona sul.

Ironicamente a blusa desse look, de 2014, é da FARM, hahahaha! Mas olha aí o que eu fazia, já mandava um blazer, uma calça escura, um sapato fechado. Aí você me pergunta, como carioca dava conta de um look quente assim? Pois é, não dava. Eu passava era raiva quando o calor chegava, odiava me vestir no verão, e culpava a estação, não o meu guarda roupa cheio de roupas de um estilo de vida que não era o meu.

Fora essa associação classista e preconceituosa que a moda colorida e despojada não pode ser elegante. Em cidades mais quentes, como no norte e nordeste, em que é impossível se vestir com tantas camadas, não são elegantes então? Não são poderosas?

Com a maternidade e a pandemia, o choque de realidade de entender, de uma vez por todas, que meu guarda roupa não estava mesmo alinhado à minha vida. Hoje, querendo conforto e praticidade pra ficar com minha neném, com os pés sem machucados e sem chulé, hahaha, eu continuo amando peças impactantes, mas elas podem ser mais adequadas ao clima e ao meu bem estar.

Mas, voltando à pergunta desse post, qual é a imagem de mulher poderosa que vem à sua cabeça?

É a executiva com terninho, andando de salto agulha fechando mil contratos? É uma mulher amamentando? É a sua avó? É a erveira que faz um trabalho de saúde pública para mulheres desassistidas? É a Beyoncé? É você mesma?

E sendo a imagem da mulher de terninho, por que terninho? Por que não fechando contratos de vestido colorido? Ou de tênis e camiseta? Por que signos masculinos (formalidade de terno, roupas escuras e sóbrias, calças alfaiataria) é que normalmente estão associados ao poder?

Um exemplo de mulher poderosa que conheci em Belém, no mercado Ver-o-peso: Tia Coló, a erveira e seus feitiços. Que energia que ela passa, nossa. Olha esse look, que maravilhosa <3 O quanto a imposição de um estilo padronizado, enlatado, superestimado por ser sudestino ou da branquitude, está arraigado na nossa mente. Uma descolonização das nossas referências é urgente para abrangermos um repertório maior de mulheres que são símbolos e referências na nossa cultura.

Compartilhe nas redes sociais
pinterest: pinterest
tumblr:
google plus: