Diário do grisalho: fim da transição

Chegamos ao final da minha transição do cabelo tingido ao cabelo de fios grisalhos! Foram 3 meses mais ou menos, desde que optei parar de pintar os cabelos. Para ser um processo menos agressivo, optamos, eu e minha colorista, por cortar o cabelo – como faço a manutenção do curtinho todo mês, foi tranquilo.

Preciso dizer que estou MUITO satisfeita! O cabelo prateado trouxe uma suavidade para o meu visual, iluminou mais ainda o meu rosto. No início eu comecei a estranhar várias roupas e optei por manter um contraste alto (já que o cabelo estava nesse meio do caminho) com as roupas mais preto e branco, mais em tons escuros. Mas depois que a parte mais escura do cabelo saiu completamente e ele ficou todo com essas nuances claras, quase como um trabalho de luzes, acreditem: estou amando looks mais claros!
Olhaí as fotos de como está hoje e, recapitulando, o antes, início de tudo!

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Quando comecei a transição

Respondendo aqui algumas perguntas que fizeram pelos stories do Instagram:

– Não sinto falta do cabelo tingido. Talvez um dia mas, agora, nenhuma. Significou economia de tempo das idas e vindas do salão, do tempo de espera da tinta; dinheiro na economia de transporte e do serviço em si; e, principalmente, liberdade! Sem contar aquela sensação horrível de tinta intoxicando.

– A textura está diferente, mas sinto que pra melhor, já que é o cabelo virgem! Está mais macio, apesar dos fios brancos serem mais porosos e grossinhos, tá suave.
– Não tenho feito nenhum tratamento para desamarelar (ainda não estamos no verão, né), nem hidratação ou umectação, mas sinto que em breve precisarei. Estou usando meus xampus e cremes de sempre.

– Ninguém questiona meu cabelo. Acho que todo mundo pensa que eu pintei de cinza propositalmente, HAHAHAHAHA!
– Aliás, eu recebo elogios diariamente e deliberadamente! É espontâneo demais, acho muito maneiro.
– Não acho que pareço mais velha com ele, pelo contrário, acho que suavizou meu semblante, logo, rejuvenesceu! Mas sinceramente, acho que devemos parar com esse medo de parecermos mais velhas, isso só contribui para colocarmos as mulheres maduras à margem de tudo, envelhecer é natural, é inexorável. Não acho justo com elas, nem conosco.

Por fim, acho que combinou muito com meu estilo, com a minha nova fase de vida, mais segura, mais dona de mim. Trouxe a leveza necessária também! Que saibamos respeitar as escolhas de todas, seja pintando o cabelo ou não. O importante é se sentir você com suas escolhas, e não refém de um sistema.

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fotos: Lucas Oliveira

O que vestir quando se está pra baixo?

Essa semana era pra eu estar animadíssima, mas uma virose tirou minha alegria na sexta-feira – pelo menos tentou. Perdi a voz durante meu curso, fiquei rouca, com mal estar e até zumbido no ouvido. Continuei as aulas na raça, mas aquela moleza de mal estar deixa qualquer pessoa bem borocoxô.
Escolher roupa assim é um martírio. Fico olhando pro armário desejando apenas de me enfiar de pijama debaixo das cobertas, já que a última coisa que eu quero pensar é em roupas.
Para isso eu tenho algumas fórmulas que costumam funcionar nesses dias quando estamos pra baixo ou passando por algum momento difícil:

– Repita um look que gostou muito

Quando estou em dias assim, recorro aos looks que funcionaram anteriormente, principalmente aqueles que me senti bem ou fui elogiada. Nem sempre me sinto bem neles de novo, depende de como estou, mas pelo menos é um caminho e não exige que eu precise pensar em algo do zero.

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Look antigo, mas é uma fórmula que amo repetir!

– Use alguma peça colorida ou clara

Parece crendice, mas não é: roupa preta ou escura demais fecha mais as nossas energias. É uma maneira de resguardo, mas também dá aquela sensação de mais melancolia e deprê. Prefiro pelo menos escolher algum acessório colorido ou uma peça próxima ao rosto. Ajuda a dar outro astral, te dá até um gás a mais, vai por mim.
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– Peças fáceis e com poucos detalhes

Nesse momento meu estilo minimalista grita, vou pras formas simples e até pro básico! Prefiro algo que é só enfiar a cabeça, como um vestido, do que saia com amarração ou blusa de abotoamento complicado.

– Deixe tudo separado previamente

Se você não está 100% e tem eventos ao longo da semana, tente pegar as dicas acima e já deixar tudo separado de alguma forma, para não ser mais uma carga mental dos seus dias. É só levantar, pegar a roupa, vestir e sair.

– Não se cobre: vista o que te traz conforto

Tente não se cobrar para montar uma produção bacana. Pegue inspiração de algum lugar, copie a ideia, vista aquilo que vai fazer você se sentir confortável nesse momento. Não pense que está todo mundo reparando, às vezes ninguém está, nem que está tudo péssimo! Nesses dias ruins achamos tudo também meio cinza e estranho, mas às vezes o look tá legal pra caramba e nem notamos por conta disso. Todo mundo têm seus dias ruins, ou já passou por momentos não muito bacanas, por isso procure ficar bem o máximo que conseguir, sem forçar a barra. O importante é você se sentir pelo menos reconfortada na roupa, propósito maior quando nos vestimos para viver.

Diferença nas makes peles quentes X peles frias

Estou naquela semana já de início do meu curso de formação em consultoria de estilo, então o meu tempo está bem curto para me dedicar a ele, mas, em contrapartida, pesquisar e ler mais alguns assuntos têm me dado boas ideias para escrever outras coisas aqui. Aguardem 🙂
Enquanto isso, quero compartilhar um video para o IGTV, no instagram, que gravei com a Manuella Antunes, minha assistente de cores, sobre a diferença básica de maquiagem para peles quentes, que são mais amareladas, bronzeadas, e para as peles frias, mais rosadas. A minha é fria e a da Manu é quente!
O video ficou bem leve e divertido, mas principalmente, informativo, cheio de dicas bacanas principalmente para quem não sabe a sua cartela de cores! Espero que ajude vocês. 🙂

As mudanças dos tecidos da C&A e Renner

Estava zanzando pelo site da Renner para uma pesquisa, quando me deparo com um guia de tecidos feito pela marca, esmiuçando tudo sobre os diversos tipos de fibras têxteis que são encontrados nas suas roupas, com os prós e também os contras!
Eu fiquei tipo QUE? A Ana de 2012, que começou lááá atrás a falar abertamente sobre tipos de fibras, ficaria impactada demais! hahaha!

Retirei do site da Renner esse trecho em que eles ressaltam a importância de ler a etiqueta:

“Antes de mergulhar no nosso pequeno dicionário de tecidos (escolhemos aqui os mais comuns no armário), vale lembrar que as fibras podem ser naturais ou sintéticas. Outro lembrete importante é que a composição das roupas nem sempre é apenas de um material. Assim, podem haver misturas (o elastano, que aumenta a flexibilidade, é um mix frequente). Tudo isso consta nos descritivos das peças da Renner ou no link dos produtos. Depois da leitura, checar a etiqueta vai, sim, virar hábito!

Depois eu entendi que essas explicações vinham acompanhadas da descrição do Re Malha para promover essa política de economia circular da loja, que eles têm adotado inclusive na Ashua, marca plus size da rede. A Re Malha é o tecido feito com reaproveitamento de resíduos gerados pela cadeia de fornecimento da Renner. Eles usam as sobras doadas na sua caixa de descarte de roupas (que falei dela aqui). Com as sobras, eles reaproveitam algumas para desfibrar as selecionadas e processar para se tornarem fibras novamente, onde serão mescladas com algodão virgem, para virarem roupa e serem comercializadas nas suas lojas.
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Achei MUITO bacana a iniciativa, assim como da C&A, que têm também projetos importantes de sustentabilidade: além da sua política de descarte têxtil (também falei sobre aqui), estão com o objetivo de ampliar a oferta de produtos feitos com matérias-primas mais sustentáveis de, até 2020, 100% dos produtos de algodão serem feitos com algodão mais sustentável e 67% de todas as matérias-primas que utilizam em todos os produtos serão de origem mais sustentável.
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Claro que tudo isso faz parte de estratégias alinhadas com os novos desejos dos consumidores, da mudança que observamos nas próximas gerações em relação a práticas mais sustentáveis, origem dos produtos, descarte, economia circular.
As marcas de fast fashion têm investido pesado nessa mudança, além de se associarem a influenciadores que abordam o tema. E que ótimo isso! Principalmente se levarmos em conta que os produtos têm preços acessíveis (lembrando que eles trabalham com escala industrial, por isso conseguem ter preços menores) e que esse pensamento e atitudes podem chegar, através dessas lojas, em locais que não têm fácil acesso a marcas de slow fashion.

Mas economia circular não é só sobre reciclagem

Economia circular é menos sobre reciclar e mais sobre reduzir resíduos e prolongar o uso dos materiais, tornando eles mais duráveis, não gerando necessidade de compra o tempo todo. De acordo com o site Modefica, isso se refere a prolongar também o uso desses produtos (ou seja, não lançar tanta novidade o tempo todo e tanto desejo de compra), a melhorar o design deles para reduzir o impacto alto da sua produção, com itens não só bonitos, mas duráveis, como desenvolvimento de tecidos de poliéster que soltem menos microplásticos, e a regenerar os sistemas naturais.
O selo que eu ainda gostaria de ver nessas lojas seria o de Fair Trade, que é o comércio justo, prática de uma política de remuneração na cadeia de fornecimento e de desenvolvimento desses produtos mais justa para todos os lados.
Você comprou ou teve acesso alguma roupa dessas linhas? O que achou? Quero dar uma passada nessas lojas para ver de perto!