Como eu tenho lavado minhas roupas

Não lembro se trouxe esse tema aqui pro blog, mas quero contar como tenho lavado minhas roupas. Mas antes preciso dizer que parei de lavar roupa com a frequência que eu fazia antes: primeiro, porque percebi que não havia necessidade mesmo, segundo, ao saber que lavar tanto assim estraga as fibras mais rapidamente.

Eu faço assim: se a roupa não estiver mesmo em um estado deplorável (manchada de suor, suja demais, nem com o odor muito forte), eu a deixo pendurada numa arara que tenho, pegando um arzinho, secando. Tem quem use sprays com álcool e amaciante, uma misturinha mesmo, para borrifar e prolongar o cheirinho na roupa, quase um shampoo a seco. Aí eu guardo de volta no armário ou deixo ali, para repeti-la ao longo da semana e, só assim, colocar pra lavar.

Lavar roupa a cada uso causa um desgaste por fricção no tecido, aumentando as bolhinhas (que são as fibras se rompendo por desgaste) e, pior, com o suo de produtos químicos fortes, desbota a cor, abre as fibras e as torna mais suscetíveis, esgarçando as peças e fragilizando a trama. Parei com sabão em pó e amaciante.

Há uns 2 anos eu parei de usar sabão em pó convencional e comecei a usar sabão biodegradável da Biowash, que tem também tira manchas biodegradável (o kit no site custa pouco menos de 50 reais). Não é publi, hahah, até porque é uma alternativa mais cara, mas a ideia de sustentabilidade começou a pegar mais forte aí também. Toda a química desses produtos vai pro ralo, poluindo mais ainda os rios.

Lavar a mão e usar vinagre

Tento usar o sabão de coco mais natural possível, sem tantos aditivos (uma leitora ficou de enviar o sabão artesanal que ela faz em casa, quando chegar eu aviso vocês!). Esse Só Sabão é da Amor Luso, eu comprei em Lisboa, que não usa aditivos químicos, é artesanal e tem processo de saponificação a frio, sem corantes. É um sabão específico pra lavar roupas a mão!

Gostei também do manifesto que veio nele, falando do ritmo de vida acelerado e o acesso facilitado aos bens de consumo que nos tornam reféns de de uma lógica industrial globalizada. De onde vocês acham que saiu esse conceito de roupa cheirosa, perfumada, macia? Tudo produto de uma indústria, que enfiou essa impecabilidade e excesso de limpeza na nossa cabeça pra comprarmos e usarmos esses produtos loucamente –  e dá-lhe alergia!

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Tenho lavado muitas peças à mão. Leio a etiqueta interna, observo as recomendações e muitas vezes prefiro lavar assim. Sei que parece discurso de quem tem tempo e privilégios, mas, acreditem, são apenas 5min de molho, enxagua e esfrego as partes mais sujinhas e pronto! Mudou minha relação com minhas roupas. Eu lavo as peças separadamente, só espremo mesmo, sem torcer, e estendo de uma forma que nem precisa passar depois: ou penduradas no cabide ou sacudo e deixo com o tantinho de água ainda, mais pesadinhas, para esticar o tecido.

Isso nos faz repensar também a quantidade de roupa que temos e da demanda delas por cuidados.

Também substituí o amaciante pelo vinagre branco (uso o de maçã orgânico), que deixa a roupa macia e nenhum cheiro de salada! Uso meio copo americano pra um tanque meio cheio da máquina de lavar. Ah, outro obs: não misturo materiais diferentes na máquina (tipo blusa delicada com calça jeans) e nem loto a máquina de roupa.

Depois começamos a fazer a receita de sabão líquido da Cristal Muniz (autora do livro Uma vida sem lixo) e foi MUITO maravilhoso fazer nosso próprio sabão! Parece que é chato e trabalhoso, mas estamos tão acostumados a perder tempo em shoppings e redes sociais que, na moral, compreender o processo de feitura dos produtos e entender seu papel na sociedade ao fazer essas escolhas é algo gratificante demais, é como se separássemos um tempo para cozinhar nossa comida, por exemplo. Sai muito mais barato, é acessível e biodegradável, sem cheiros fortes de perfume.

As fotos abaixo foram retiradas do site da Cristal Muniz, que fotografou o processo; separamos um momento do dia para isso e rende demais, além de ser multiuso: também usamos o mesmo sabão para lavar louça e lavar o banheiro. Aqui tem a receita completa e como fazer, além de outras dicas, como aromas e óleos essenciais. 

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Como parecer mais profissional com pouca grana: versão calor

Repostei no instagram esse post do blog, em que mostro como podemos adaptar os looks muito básicos para uma versão profissional com pouca grana. Quem nunca passou por isso recém saído da faculdade, ou de um tempo afastado do mercado, ou de passar a considerar novos olhares sobre si mesmo como algo importante no momento?

Dá pra fazer isso com o que se tem e sem dispender muito dinheiro, mas os looks dessa postagem foram questionados pela galera das cidades quentes, com toda a razão: todos tinham a proposta de uma terceira peça, o que dificulta no calor.

Bom, mesmo o Rio sendo ultra quente, aqui ainda temos períodos de respiro e que possibilitam brincar com uma jaqueta ou um blazer. Mas e no Norte-Nordeste, que é calor o ano todo?

A ideia aqui foi apontar algumas dicas para tirar o básico do simples, para que a caminhada pelo encontro do estilo pessoal profissional seja mais leve. Seja com jeans mais levinhos, com saias, calças de tecido!

Tecidos leves/frescos!

Sabemos que o poliéster acaba com a nossa alegria, mas parece que a maioria das roupas de trabalho são oferecidas nessa fibra – ou, pior, o forro! Então é válido pensar em peças de algodão e viscose, que sejam mais soltinhas, inclusive. Olha a etiqueta interna e repense ao observar uma composição sintética.

Acessórios!

Só tem jeans e camiseta no armário? Manda ver num colarzão ou brincão, mas repara que os que eu escolhi não são de metal – esse material GRUDA que é um horror na pele suada! Além de cordões mais compridos, as bases são naturais ou de corda/tecido, desses coloridos, com pedras bacanas. Mas peças de presença ou então coloridas, sendo o ideal é que a qualidade seja boa. Custam menos que roupas e são mais fáceis de encontrar e de adaptar a diversos corpos.

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As fotos a seguir são antiiiiiigas, lá do começo do blog, em 2010, e eu estou básica, só deixando a roupa mais interessante com um colarzão e uma sandália de estampa de onça. A camiseta veio da C&A, inclusive, e custou 15 reais na época. O colarzão era da minha avó.

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Cores!

Em ambos os looks, o de cima e o de baixo, eu estou de camiseta de malha. Mas reparem como as cores das estampas e da mistura com a saia, ajudaram a deixar os visuais mais interessantes? Mesmo num ambiente mais formal, dá para escolher cores em tons mais fechados, como azul marinho, verde escuro, musgo, petróleo, vinho, ou então em tons claros, como bege, areia, rosados, amarelinhos.

Nesse post tem dica de coordenação de cores. Mas olha como o bloco de cores é um recurso simples, que exige poucas camadas, mas ganha em presença e força, só pela coordenação cromática!

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Estrutura

Falei no instagram de blusas estruturadas e também queriam saber como é. Bom, são peças normalmente de tecido plano, que tem uma trama diferente da malha, ele não estica (a não ser que tenha elastano na composição, mas no geral a trama é mais fechada, não deixa esticar), então o caimento fica mais composto, estuturado, e não desabadinho como na malha.

Também aplico o termo a blusas cuja modelagem as deixe mais armadas, seja na gola, nas mangas ou no corte como um todo.

Masssss as malhas também podem ter a sua estrutura! No look abaixo a blusa é exatamente assim – apesar de entender que ele possa não ser o melhor exemplo de look para ambientes profissionais que não o da galera de Humanas, mas era a minha única foto de look com ela –; a malha é mais grossinha, sabem? É de algodão e o tecido tem uma trama mais grossa, o que já ajuda também nesse quesito. Ou então com mangas mais amplas, ou com uma gola diferente…

Então, se você tem muita camiseta, testa as desse tipo com calça de sarja, com saia midi, com jeans e algum sapato tipo oxford, mocassim, um colar colorido ou brincos.

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Alfaiataria versão tropical

Camisas clássicas, mas na versão sem mangas, olha aí! Essa minha era de uma coleção da Calvin Klein para a C&A, de algodão, com tecido mais estruturado, gola, botões…mas sem mangas! Uma versão genial para o calor dos trópicos.

Pensei até em transformar alguma camisa parada no armário tirando as mangas, será que rola? :-O

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Terceiras peças sem mangas!

Eu sei, eu sei muito bem que nos duzentos graus do calor não dá pra pensar em sobreposição. Mas vai por mim, ninguém precisa andar na rua vestindo elas! Eu levava no braço ou numa bolsinha e, quando chegava no santo ar condicionado do escritório, eu colocava! 🙂

Ou tenta então um colete bem levinho, sem forro, de linho ou algodão, uma camisa leve sobreposta, um kimono soltinho.

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Tomara que essa versão calor vida real, sem muitos deslumbres, ajude quem está na pendenga de se acertar com o armário! E confesso que achei o post desafiador, galera.

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Conhecendo neo marcas curitibanas

Semana passada fiz um bate-volta em Curitiba para um bate papo a convite de um shopping na cidade. Peguei um voo matutino e, como o evento era só à noite, aproveitei para dar um rolé para conhecer algumas marcas fora do circuito tradicional, já que as últimas vezes que fui foram para o workshop e turistar.

Preciso destacar que não faço muito isso aqui no Rio de Janeiro, infelizmenteàs vezes acho que as marcas caem na repetição de um estilo jovial demais (muito cropped, malha de viscose, tudo curto e com estampas estilo Farm), o que parece que todo mundo se veste igual. Enfim, desabafos.

E, olha, meus olhos brilharam com o que vi. Curitiba se tornou minha nova rota da moda – vocês sabem que, antes dela, eram SP e Belo Horizonte!

As marcas que conheci

A primeira da lista foi a Reptilia! Eu já seguia no instagram e babava nas coleções de corte minimalista, com cores lisas, estruturas mesmo em malha, transparências com bordados que valorizam o movimento, com o conforto como prioridade. A loja ficava perto do meu hotel, foi moleza chegar e me deparar com essa beleza de espaço.  <3

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O look é meu (esqueci de fotografar com peças deles), mas o sapato é de Curitiba também, a Apuê

Além da decoração incrível (a Helô, designer da Rep, é arquiteta de formação), o atelier fica nos fundos da loja, e dá pra acompanhar toda a produção, conversar com a equipe e trocar ideia sobre os processos. A matéria prima é brasileira, de tecelagens nacionais, e a escolha nem sempre é simples, muitos tecidos são tecnológicos. Além disso, todas as sobras são reaproveitadas em novas peças ou então os resíduos têxteis são encaminhados para projetos sociais ou marcas que trabalham com esses materiais.


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O conceito também faz valer de peças atemporais, que sejam coordenáveis entre si e durem muito. A grade não contempla tamanhos maiores, apesar das malhas serem mais versáteis pela elasticidade, mas considerei esse o único ponto negativo. Ajustes são mega possíveis lá, adaptação de peças, tudo pode ser feito no atelier.

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Eu AMEI a modelagem e caimento das peças, experimentei muita coisa e trouxe boas brusinhas comigo – lembram que já falei que blusas bem executadas são difíceis de encontrar? Pois bem, a Rep preencheu esse meu vazio, comprei muito satisfeita. E falando em comprar, os preços não são assim uma pechincha, mas não achei nada abusivo pela qualidade, pesquisa e processo: blusas estavam também na liqui, saíram a 140, 150 reais, e túnica a 180 reais.

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Mostraram os tecidos da próxima coleção: pesquisa árdua em tecelagens nacionais
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O atelier fica nos fundos e as peças todas são produzidas ali

Fiquei muito feliz mesmo de conhecer a marca e deu um quentinho no coração observar tanto comprometimento com o que é produzido e com quem está consumindo.

Atelier e Loja Reptilia
Alameda Prudente de Moraes, 1282 – Centro, Curitiba/PR

Em seguida eu fui conhecer a H-Al, ou Halarte, de Alexandre Linhares e Thifany F., que se define como uma marca de vestes experimentais já há 10 anos re-existindo na capital paranaense. Eles trabalham com sobras têxteis e reaproveitamento de peças, como vestidos de festa, por ex. E aí meus olhos se encheram de lágrimas: a moda autoral pulsa! Ela vive!

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Que SAUDADE enorme de ver algo desse gênero aqui no Rio. De observar pesquisa, peças fora da curva, com ideias próprias sem acompanhar necessariamente tendências. Que experiência mais bonita conversar com criadores, não ter pressa, simplesmente admirar e entender que ali é um espaço de respiro inspirador. Um flerte de artes plásticas tarduzidas em experimentações de superfícies têxteis, tudo lá é adaptável também – não se trata de peças louconas muito conceituais, pelo contrário! São roupas possíveis, que contam histórias pelas suas consturas e retalhos.

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Por conta disso muitas peças são únicas e os preços já são mais elevados, mas entre 200 e 700 reais – e, gente, vamos combinar que esses valores avistamos em lojinhas de shopping, vamos combinar? Que não têm, aliás, 1/5 do processo e da qualidade deles, então só quero colocar isso mesmo como parâmetro.

Não fotografei de corpo inteiro, mas esse vestido de festa é feito a partir de retalhos de outros vestidos, com as rendas todas reunidas. Várias histórias numa peça única, contando uma nova história.

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Comprei a blusa de tule aí embaixo e preciso também pontuar esse embrulho, feito pela própria Thifany. Poesia na etiqueta, nada de papel seda e plástico.

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A blusa que eu trouxe <3 Doida pra usar muito!

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al. Prudente de Morais, 445, Curitiba/PR

A Apuê é de sapatos, eu também os acompanhava pelo instagram e consegui experimentar alguns na loja da Reptilia. Adorei ver que o solado é de borracha, eu que adoro derrapar com solados lisos, hahaha! A ideia é sapatos com estilo atemporal e excelência nos materiais, com cortes e formas também muito interessantes. Eu AMEI MUITO.

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Aqui tem onde encontrar em Curitiba – no RJ, vende na loja da Augustana.

A eu não conheci lá, mas enviaram pra mim uma bolsa desenvolvida para o desfile do estilista Ronaldo Fraga, em forma de peixe, com alça de anzol. Eu MORRI hahahaha, muito maravilhosa! As peças, aliás, são vendidas online – não pesquisei a fundo para ver se eles têm pontos de venda na cidade.

A bolsa possui recortes em couro e o fecho é pelo anzol – também veio um cinto e dá pra colocá-la pendurada, como uma pochete. Os acessórios são feitos artesanalmente, em couro e madeira, com um perfume oriental. Todos os detalhes são bem pensados, desde o guia para conservação da peça até a identidade visual. Fiquei muito feliz em observar que as marcas ainda querem investir no lúdico em seus processos criativos.

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Que lindeza, Curitiba. Obrigada! <3

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Podcast Moda Pé no Chão: a mala de viagem minimalista!

E é claaaaaarrrrroooo que a minha experiência com a mala de viagem minimalista não poderia ficar só no texto: saiu mais o ep 17 do podcast Moda pé no chão em que eu compartilho com vocês como foi esse processo, tim tim por tim tim!

Eu era dessas que jogava o armário todo na mala quando ia viajar. Tinha medo de chegar no destino e não gostar dos looks, de passar frio porque tinha esquecido o casaco, não sabia o que combinar, aí só levava roupa preta…depois de anos carregando peso e me frustrando, fui entendendo que podemos ter looks incríveis e confortáveis com poucas peças!

Nesse ep eu conto como foi a experiência de viajar para Portugal no inverno com uma mala de mão minimalista, sem despachar nada! Passei 10 dias com 13 peças de roupa e dividi algumas dicas de como se livrar do peso extra nas viagens: planejamento, paleta de cores, estampas e acessórios, coordenação de looks, repetição e muito mais. Não tem fórmula mágica, nem dicas infalíveis, mas certamente algumas lições sobre desapegar e ser feliz. 🙂

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Podcasts são conteúdos em áudio, transmitidos pela internet através de apps. Aqui no Brasil ainda estamos nos iniciando nessa forma de comunicar conteúdo, que têm várias categorias, de humor a notícias. O meu é um dos poucos sobre moda, já que é uma mídia mais difícil de passar um tipo de informação que se apoia muito em imagens.

Dá pra ouvir na academia, enquanto amamenta, lava a louça, a caminho do trabalho, durante uma viagem. Pausar, ouvir mais tarde, re-ouvir algum trecho. 🙂

Moda pé no chão traz periodicamente temas práticos para quem quer ser feliz com o que tem sem gastar muito, com convidados para discutirmos assuntos pertinentes sobre consumo consciente para todos os tamanhos, bolsos e idades. Para quem quer vestir-se de si mesma sem complicação, com ideias simples, dicas certeiras, críticas e opiniões sempre muito sinceras.

O episódio já está disponível nos aplicativos de podcast pra IOS e Android, como Spotify, Soundcloud, Apple Itunes, Castbox, Overcast, We Cast e muito mais.

Aqui já tem o link direto para ouvir todos os episódios e baixar!

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